Futuro e tendências de mitigação e adaptabilidade climática no setor de tecnologia

Empresas provedoras de serviços de tecnologia, como data centers, devem implementar soluções que moldarão a resposta global à crise climática

Author Photo
10:00 am - 08 de dezembro de 2023
Imagem: Shutterstock

Considerando tudo o que estamos enfrentando em relação às mudanças climáticas, lidar com esse desafio global requer uma abordagem coordenada e inovadora em todos os setores da sociedade. O mercado de tecnologia, a propósito, emerge com uma responsabilidade indispensável para enfrentar essas questões, impulsionando inovações pensadas para promover a descarbonização.

Os gases de efeito estufa emitidos em escala industrial alteraram a composição da atmosfera. O aquecimento global não é mais um problema para os próximos anos – suas consequências estão sendo vividas agora. Os recentes eventos climáticos extremos escancararam a necessidade de mitigar e adaptar-se às novas temperaturas e eventos, e adiar o tema não é mais uma opção.

A indústria de data centers, em particular, é responsável por 1% do consumo mundial de eletricidade, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). A aquisição de energia elétrica é a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa desses grandes centros de dados – sendo, portanto, onde os esforços de mitigação devem se concentrar. Ter tecnologias que permitem que o consumo de eletricidade seja eficiente e que essa energia elétrica provenha de fontes renováveis são as principais e mais importantes tendências de mitigação às mudanças climáticas quando se fala em data centers.

Ter uma gestão de riscos associados a mudanças climáticas completamente integrado à gestão de riscos da companhia é um imperativo. Por meio dessa gestão é que se identificarão os riscos e oportunidades estratégicos ligados ao clima, que servirão de norte para a tomada de decisão na adaptabilidade a essas mudanças.

Leia também: Qual é o impacto das empresas de tecnologia nas comunidades locais?

Estamos falando aqui tanto de riscos físicos, ou seja, relacionados ao aumento de temperatura ou enchentes, por exemplo, além de riscos de transição – aqueles relacionados a uma mudança nas preferências de consumidores ou regulações emergentes. É preciso fazer uma análise aprofundada de como a mudança do clima se impõe ao negócio, o que pode representar um risco estratégico que requer uma adaptação ou, em alguns casos, em oportunidades.

Quando olhamos para a indústria de data center, dentre os riscos físicos, o aumento de temperatura se destaca, já que refrigeração é chave para o setor e a temperatura – tanto a temperatura média quanto a de pico – é variável decisória na tecnologia a ser implementada. Um risco indireto para o Brasil é a escassez hídrica e como isso impacta a nossa matriz elétrica, que é primordialmente hidráulica, representando um potencial aumento de custo significativo com os gastos de eletricidade.

Veja mais: Sem transparência, não há ESG

Os riscos de transição para uma economia de baixo carbono no mercado de centro de dados estão intimamente relacionados a regulações de taxação de carbono (atuais ou emergentes), que adicionam mais um componente na conta final. Dependendo do combustível usado nos geradores e da geografia, o gasto pode ser significativo. O acesso a capital também é outro risco, já que investidores estão condicionando empréstimos cada vez mais a uma gestão eficaz do clima, e não se adaptar pode significar também não acessar instrumentos financeiros.

Data centers estão na corrida contra o tempo. Estamos falando de realização de estudos de adaptabilidade de geradores a combustíveis menos intensos de carbono, tecnologias de refrigeração livres de água (circuito fechado), eficiência energética e energia proveniente de fontes renováveis. São muitas as tendências em mitigar e se adaptar às mudanças climáticas. É importante mencionar que falta pouquíssimo para que esses itens deixem de ser “nice to have” para se tornarem “must have”. Agir dentro dessa janela de tempo pode definir os negócios que serão resilientes à crise.

Por fim, vale lembrar que o setor de tecnologia está no cerne da agenda ESG pela natureza do negócio. Desburocratizações financeiras, acesso à saúde, facilitação da educação, conexões intangíveis – tudo isso está intimamente relacionado aos preceitos ESG. A materialidade da companhia, alinhada com os interesses reais do negócio e usada de forma ativa, junto com a característica principal do setor, que é a inovação, são as ferramentas chaves para impulsionar a agenda de mitigação e adaptação à crise climática.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.