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Quem você quer ser depois da crise?

A forma de lidar com a crise define os próximos anos da sua organização

Por  Fernanda Brunsizian

13:58 - 24 de março de 2020
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Já vimos que não é uma gripe, é uma crise. Daquelas que não foram mapeadas, não fazem parte do manual de gerenciamento de nenhuma empresa e nunca tiveram o passo a passo testado. Mas possui muitos aspectos comuns com outras situações conhecidas: foi subestimada no início, cresceu rapidamente, muda de cenário dia a dia, opiniões chegam de vários lados e, a cada ponta que você conserta, surgem outras cinco sem aparente solução.

A melhor forma de decidir o que fazer no presente é focar no futuro. Quando tudo isso passar, como você quererá ser reconhecido? Quem você terá sido na história? Que papel exerceu? 

Em todas as crises, há uma oportunidade. E não falo aqui de oportunismo, de aproveitar fragilidades para vender mais ou ter vantagens, nada disso. O que a crise nos oferece é uma grande oportunidade de mudar, de repensar processos, métodos e relações. Crises desta magnitude colocam nossa máquina à prova. Será que estamos indo na direção certa? Por quanto tempo o mundo precisará do que fazemos? Muito do que parecia essencial tornou-se pouco importante. E será preciso lembrar disso quando voltarmos ao normal, ou melhor, à nova normalidade.

Esse com certeza será um ótimo tópico para discutirmos na mesa do bar, quando o bar reabrir e pudermos cumprimentar os amigos de novo! Até lá, podemos refletir e aplicar algumas técnicas de comunicação na empresa:  

Imagine o título da sua matéria

Façamos um exercício de começar pelo fim. Suponhamos que daqui a quatro, seis, oito meses um importante veículo de comunicação fará uma matéria sobre como a sua empresa enfrentou a crise. Qual o título dessa matéria? Quais os fatos que sustentam a narrativa? Com base no que você pretende ouvir sobre você mesmo, trace os planos que levarão a empresa a chegar lá!

Fale apenas se tiver algo novo a dizer

Em tempos pandêmicos, já existe muita informação no ar. Estamos em um momento de “overposting”, que apenas contribui para o aumento da ansiedade das pessoas. Portanto você não precisa falar por falar, nem sair desesperadamente criando conteúdos para as suas redes sociais se você for repetir o que já existe por aí. Se você quiser se pronunciar, que seja para acrescentar algo novo, discutir um aspecto que ainda não foi coberto, apresentar uma nova ferramenta, dar uma dica que pode contribuir para o bem-estar geral.

Sua marca e seus valores devem dar o tom

Uma das coisas que mais atrapalham o gerenciamento de uma crise para quem a está coordenando é a quantidade de mensagens que recebemos de todos os lados. Como esta crise é nova, a grande parte das mensagens quer mostrar as ações de outras empresas. Benchmarks são maravilhosos, mas você não deve implementar nada só porque outras empresas o fizeram. Use os benchmarks para aprender e volte à força da sua marca para tomar decisões. Neste momento o que você faz é menos importante do que como você faz. Faça valer os valores da sua empresa e use-os para unir os seus públicos.

Fortaleça e use suas redes de apoio

Funcionários, fornecedores e clientes são pessoas; pessoas sentem e sofrem, mas também se ajudam muito. A energia que vem desse apoio contribui imensamente para atravessar a crise de uma maneira mais leve. Se esta crise tem um lado bom, é que ela nos iguala. Portanto fortaleça as redes que existem na empresa; podem ser os grupos de afinidade, a comunidade de clientes, a entidade que organiza as empresas do setor etc.

Apenas seja transparente

Você vai errar e tudo bem. Este é um momento único e a transparência é a única coisa que conta, então vamos combinar duas coisas: se você errar, peça desculpas; se você não souber, não chute. Funciona em quase todas as situações. O que esperam de nós é apenas que sejamos sinceros.      

A forma como uma organização responde a uma crise costuma defini-la pelos próximos anos. Não existe certo ou errado. O que precisa existir é um entendimento de causa e consequência. Na tragédia de Brumadinho, houve empresas que subiram o preço de suas garrafas de água e houve empresas que doaram água. No episódio terrorista de Paris, alguns deram carona, alguns subiram o taxímetro. O importante é agir de acordo com a sua manchete. E lavar as mãos, sempre!

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