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A pandemia e a inclusão social

Popularização do home office pode beneficiar cerca de 35 milhões de brasileiros ao permitir acesso a oportunidades de emprego

Por  Wander Cunha

20:04 - 5 de agosto de 2020
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Os primeiros dias de isolamento social devido à COVID-19 deram início a um fenômeno mundial de extrema relevância. As empresas, algumas que relutavam há anos em implantar o regime de trabalho em home office, conseguiram adotá-lo em poucos dias, com resultados positivos na sua maioria. Isso foi possível porque o home office não é um tema somente de tecnologia, mas principalmente de cultura. Movidos por um propósito maior de salvar as pessoas durante a pandemia, todos trabalharam em conjunto e tornaram este modelo possível.

No decorrer do isolamento as empresas começam a evoluir suas ferramentas, seus controles e experimentam novos modelos e trabalho e governança. Isto fará com que o home office garanta sua presença no que chamamos de o “novo normal”.

De imediato, as companhias que estão retomando o seu crescimento passam a perceber uma expansão do mercado de trabalho, principalmente em posições de trabalho com perfis mais escassos, ou seja, com dificuldades de encontrar o profissional. Deixa de ser relevante se um funcionário mora no Leblon, na Rocinha ou ainda em Caracas. O que importa, neste cenário, é que ele tenha um link de internet e os conhecimentos adequados à posição.

Além disto massifica-se uma categoria de trabalho que é 100% remota, com horários flexíveis e baseada em colaboração, além de regida pelos novos métodos ágeis. Esta situação não apenas amplia o leque das opções de trabalho para as pessoas que estão buscando um emprego, como também abre novas oportunidades até para quem não estava procurando, mas trabalharia, se o emprego fosse mais próximo de casa. Cerca de 35 milhões de brasileiros podem ser beneficiados em algum grau por esta nova onda de trabalho remoto. Por exemplo, uma mãe de família com filhos pequenos e sem acesso à creche pode assumir um trabalho nas horas vagas, e sem sair de casa. Talvez até o estudante que esperaria mais um ano para começar a estagiar – devido à distância – pode iniciar a sua carreira no mercado.

A área de tecnologia será responsável por boa parte destas posições de emprego remoto, não somente em programação, mas em diversas novas categorias de trabalho que surgem com a transformação digital como: curadoria de inteligência artificial, qualidade de dados, atendimento por chat, testes de usabilidade, entre outras.

Neste cenário, que papel as empresas e o governo devem assumir para maximizar este efeito inclusivo pós-pandemia? As empresas devem tornar perene o trabalho em home office, investindo em ferramentas e processos para a sua evolução contínua. A redução dos custos com a ocupação e o aluguel de escritórios fixos pode se tornar um investimento em programas de educação de qualidade, que serão usados para capacitar e nivelar o conhecimento de pessoas que vivem em diferentes localidades, mas que irão trabalhar juntas. O processo de seleção e recrutamento deverá ser revisado, inteligência cognitiva e inteligência artificial podem apoiar o contato com profissionais de variadas regiões. O Onboarding Digital também será um aliado.

Levando a discussão para a gestão das cidades, estados e país, o governo, por sua vez, pode implantar as mesmas ações para funcionários públicos. Também deve ter como prioritário o investimento em infraestrutura de comunicações, que é a base para o trabalho remoto. Pode-se facilitar a concessão de serviços de Telecom para novas empresas que irão explorar somente comunicação de dados, incentivar pequenas redes privadas e trazer mais investimento de fora para o setor. Faz-se necessário também evoluir a legislação trabalhista e tributária para tratar todos os aspectos do regime de home office.

Tanto as empresas quanto o governo têm uma grande oportunidade nas mãos, e que pode apoiar grandemente a redução da taxa de desemprego e aumentar a produtividade do país. Como toda oportunidade, esta depende de uma série de ações. Contudo, as organizações que primeiro seguirem por este caminho certamente terão um grande diferencial competitivo, não apenas no mercado, mas na formação de um mundo melhor.

*Wander Cunha é Diretor Executivo e Head de Digital Business na TIVIT

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