Cloud computing: como o canal se posiciona para ganhar neste mercado?

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9:00 am - 18 de março de 2014

?Não é uma tecnologia. É um modelo de negócio?, insiste Paulo Pichini, CEO da Go2Next, ao falar sobre cloud computing. O tema pode parecer batido. A CRN mesmo vive às voltas com a nuvem. Mas o último IT Mídia Debate mostrou o quão a comunidade de TI está interessada em saber qual é, afinal de contas, este modelo de negócios. A plateia estava lotada. Na mesa debatedora, duas empresas nascidas para as vendas de soluções em cloud: a Go2Next, de Pichini, e a Multiedro, na figura de seu fundador, Armando de Souza, dialogavam com outras duas companhias que perceberam a significância de ter serviços do tipo em seu portfólio: a BRQ e Sonda IT, representadas, respectivamente, por Antonio Eduardo Rodrigues e Ricardo Barone.

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O modelo de negócio da GO2Next, nascida em 2011,  é totalmente voltado para a nuvem. ?Olhamos para os mercados verticais corporativos: farmacêuticas, bancos, operadoras e data center. Embaixo, há um ecossistema de provedores de solução: Cisco, Microsoft, CA etc. Logo, entre o provedor de tecnologia, o modelo de nuvem e o mercado corporativo, há um gap. Tem que ter alguém que transforme e entregue a solução, que venda isso de forma mensal, em um modelo de serviço gerenciado, que o americano chama de ?cloud facilitator?, Por aqui fica muito ?tabajara?, então chamamos de cloud angel.  Isto é, uma empresa que entende essas soluções e leve isto ao mercado em forma de produto final para o corporativo. Ou para as operadoras, construindo infraestrutura para que elas possam oferecer o serviço no modelo de cloud?, conta Pichini, ao afirmar que está contando ?seu segredo?.

A empresa tem quatro pilares fundamentais: infraestrutura, colaboração, data center e segurança. Tais bases são permeadas por um grupo de consultoria – responsável pelo road map de migração – e gerenciamento – um NOC que opera 24 horas por dia e gerencia ambiente implementado sob o modelo de nuvem.

O segredo da empresa de Pichini nada mais é que um posicionamento estratégico para aproveitar a onda de oportunidades que surgem com o aumento expressivo do volume de dados e o custo reduzido das soluções.

Para Souza, da Multiedro, embora o mercado ainda tenha dúvidas sobre acessibilidade e segurança, sobretudo no Brasil, por conta da disponibilidade de banda, fabricantes intensificam o trabalho para mostrar ao mercado sobre a confiabilidade da solução.  A Multiedro é totalmente voltada para soluções em nuvem e atua como um ?evangelizador?, nas palavras de Souza, do conceito. ?Não trabalhamos apenas na oportunidade, mas somos porta vozes do modelo?, aponta.

A BRQ decidiu adotar cloud internamente, há dois anos, antes de ofertar ao mercado. A empresa enfrentou toda a sabatina pela qual passa qualquer companhia ao adotar uma nova tecnologia. Os diretores e presidente tiveram de ser convencidos pelo CIO, depois os quatro mil funcionários da companhia passaram pela implantação de cloud, e só quando este usuário interno viu, de fato, o benefício, a BRQ despontou com a oferta no mercado. ?Mas acho que o usuário ainda não está preparado totalmente e nem o clientes. Eles precisam de apoio para entender como implementam com segurança e qualidade o novo conceito de nuvem?, diz Rodrigues.

De acordo com os debatedores, o movimento é claro.  A indústria como um todo dita a tendência, lança o conceito, estuda o desenvolvimento da tecnologia, investe em segurança e reforça, por meio de discurso e muito marketing, a nova ideia. Cabe aos parceiros disseminarem a ?nova cultura? e, é claro, aproveitarem para engordar seus caixas a partir do novo produto.

Por trás da oferta de nuvem da Sonda IT está, nada mais nada menos, que a SAP. A fabricante tem estimulado, no último ano, que seus parceiros atentem para o fato da demanda de soluções em cloud, sobretudo para pequenas e médias empresas. ?Com o Business On Demand (oferta voltada às PMEs), conquistamos mais de 20 clientes em seis meses.  Garantimos a infraestrutura, performance, segurança e o autoatendimento. Este último, aliás, é onde conquistamos o mercado. De casa, ele faz coisas com segurança?, diz Barone.

Segundo, o executivo a nova oferta não compete com outros produtos que a companhia oferta e é vista como um complemento ao portfólio da empresa. Hoje, 35% do pipeline da Sonda IT no Brasil contêm oferta de cloud computing. ?Rentabilizamos com a sinergia das soluções?.

Na visão de Pichini,  os fabricantes de software contam com os integradores e suas soluções na nuvem  para entrar no mercado de SMB, que há anos se fala, mas pouco de fato se conquistou. E o fabricante de hardware precisa do canal para ajudar a disseminar sua infraestrutura, embora ainda de maneira pouco eficaz. ?Os vendors de infra estão tentando, mas ainda são imaturos nesta oferta. O integrador é essencial nesta relação?.

Pelo CIO

Ainda de acordo com Pichini, o mercado vem em uma inércia de implementação de redes tradicionais, ou você propõe a evolução do ambiente para receber cloud computing ou, a partir de análise, já se oferece uma evolução do ambiente. ?A consultoria consegue mostrar o quanto o cliente salva de investimento de Capex [ativo] e também que aplicações migrar ou não. Isto tudo deve durar no máximo seis semanas, senão o cliente também não compra?, adverte o executivo. ?A questão de cloud está orientada na troca de Capex por Opex [serviço]. No Brasil,  ainda 60% dos CIOs respondem para CFOs. Se eles naturalmente já têm uma pressão forte na questão de custos, aqui isso acontece mais ainda?, afirma Barone.

Outra questão levantada pelos debatedores diz respeito a quanto o CIO é cobrado dentro das empresas para se ter mobilidade, acesso a sistemas e aplicativos de forma rápida e eficaz. ?Outras áreas cobram o CIO. E é assim: ?ou você me faz isso ou eu faço sozinho??, diz Rodrigues. Quem nunca escutou que uma determinada área da companhia comprou um CRM na nuvem sem autorização da TI em busca do dinamismo no negócio?

A maioria dos funcionários de qualquer empresa já desfrutou dos benefícios de ter documentos e aplicações em nuvem. Isto diminui a resistência à adoção da tecnologia e aumenta a cobrança ao CIO por estas facilidades.  Mas não se pode deixar de levar em conta o legado de investimentos já feito com infraestrutura dentro de uma empresa, portanto, uma análise para uma transição efetiva e com poucos danos é fundamental para a TI do seu cliente.

Daqui para frente

Há uma curva de aprendizado e de amadurecimento no quesito cloud compuntig. Isto é uma fato. ?O Brasil está atrasado, mas este gap é cada vez menor. Com a melhoria da infraestrutura e a profissionalização dos provedores, a tendência é um crescimento exponencial?, afirma Souza, da Multiedro.

?As estatísticas dizem que 20% dos investimentos em TI, nos próximos dois anos, já serão feitos em nuvem e estes números já estão na ordem de seis ou sete bilhões de dólares por ano?,  relata Pichini, em uma leitura otimista em que os projetos estão cada vez mais amadurecidos. ?Outros tantos bilhões já foram investidos para armazenar, transportar e assegurar 20% dos dados digitais do planeta [8 zetabytes] sobre o modelo de nuvem até 2015?, conclui .

?Nossa maior dificuldade é o tanto de oportunidades que existem! Elas são relativamente pequenas se comparado ao mundo antigo. É uma dicotomia porque este negócio no futuro vai ser maior. Eu acredito que a gente ainda não está enxergando o iceberg inteiro?, conclui Rodrigues, da BRQ.

*Mediação do debate: Felipe Dreher

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