Cinco técnicas e comportamentos de um líder inspirador
Análise do GPTW aponta que gestor continua sendo um dos principais motivos da demissão voluntária. Confira quais comportamentos devem ser evitados pelos líderes

Ainda é grande no Brasil a quantidade de funcionários que pedem demissão para trocar de chefe, não de empresa. Uma análise qualitativa do Great Place to Work aponta que gestores frequentemente destroem o sentimento de significado no trabalho; muitas vezes, sem perceber.
Para evitar que o profissional peça para sair, mesmo que a empresa ofereça excelente salário, oportunidade de crescimento pessoal e profissional, e uma série de benefícios, a consultoria, responsável pela pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar em 53 países, incluindo o Brasil, dá alguns conselhos.
Segundo Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work Brasil, líderes precisam estar preparados para desempenhar aquela que a GPTE considera a sua principal função: cuidar das pessoas; focar no aspecto humano nas relações de trabalho.
“Uma boa liderança é bem rara nas empresas. Um estudo global revela que 75% das empresas apontaram que a construção do talento de liderança é o maior desafio que enfrentam. Isso ocorre porque muitos líderes simplesmente não sabem qual é a sua verdadeira função em um cenário em que o aprendizado é focado em conhecimentos técnicos e especializados”, comenta o executivo.
Shiozawa acrescenta que os líderes precisam ser capazes de comunicar claramente qual é a missão da empresa e como o trabalho de cada membro da equipe é importante para caminhar nessa direção.
A vanguarda da gestão empresarial reconhece que um modelo que tem como pilar central o investimento em pessoas é parte importante da estratégia do negócio.
Ruy Shiozawa aponta quais comportamentos devem ser evitados pelos gestores.
#1. Sinais de mediocridade – Nobres propósitos e altas expectativas costumam permear as missões, mas poucas empresas estão ativamente trabalhando para tornar a missão realidade. Um exemplo é a palavra inovação – muito usada pelas empresas. Mas para inovar, é preciso correr riscos, ainda que calculados. A liderança está disposta a correr esses riscos? Se não estiver, melhor não falar sobre o assunto. A incoerência entre teoria e prática pode tirar todo o propósito do trabalho.
#2. Déficit de atenção estratégico – O gestor deve estar atento a fatores internos e externos que podem afetar a empresa. Um comportamento recorrente é o abandono de projetos – aqueles que não são finalizados e que não têm tempo para alcançar a maturidade. Esse comportamento é típico de gestores que trocam constantemente de estratégia ou toda semana aparecem com uma nova solução – que será abandonada rapidamente. Esse comportamento passa a impressão ao funcionário de que a liderança não sabe qual é a estratégia da companhia; que não há continuidade ou objetivo bem definido.
#3. Falta coordenação – Os gestores “falam a mesma língua” que os funcionários? Cada departamento age como acredita ser melhor sem conexão com a estratégia e a missão da organização? Esse comportamento destrutivo da liderança leva a qualidade dos produtos/serviços a degringolar. O funcionário passa a duvidar que algo vá mudar; perde o orgulho pelo trabalho realizado. O ambiente de trabalho torna-se “aquele lugar que eu vou porque preciso pagar as minhas contas”.
Técnicas de líderes inspiradores
Um dos conceitos abordados pela equipe do GPTW é o framing (enquadramento, em tradução literal), processo de selecionar certos aspectos de uma situação e, ao mesmo tempo, minimizar a importância de outros.
No trabalho, sempre existirão tarefas monótonas e aparentemente irrelevantes – tarefas que as pessoas não gostam de fazer. O líder pode utilizar o conceito de framing para direcionar o foco de um funcionário para as particularidades que a tornam importantes para a empresa como um todo, evitando as características que tornam determinada tarefa “insuportável”.
“É claro que o funcionário não vai se apaixonar por aquela tarefa, mas vai ao menos entender porque precisa fazê-la. Quando o framing é utilizado com sucesso, o liderado enxerga a importância para a empresa e passa a construir uma maior identificação com a missão e os valores; entende como cada tarefa, mesmo a mais maçante, contribui para o êxito da companhia como um todo”, salienta Shiozawa.
Além do framing, o executivo aponta mais cinco técnicas e comportamentos de um líder inspirador.
#1. Faça um exercício com a equipe no qual cada um identifique as principais “forças pessoais” e como essas características podem ser usadas no trabalho. Na ocasião, pergunte como seria o trabalho se as aspirações de cada colaborador se concretizassem. Ajude cada membro da equipe a planejar o desenvolvimento da própria carreira para atingir o objetivo.
#2. O feedback não é dado apenas de cima para baixo. Pergunte aos colaboradores sobre quais valores da empresa – e do próprio gestor, caso exista confiança para receber respostas sinceras – não são percebidos no ambiente de trabalho.
#3. Direcione seus colaboradores para as funções com as quais se identifiquem e se sintam motivados. Para isso, crie um ambiente mais flexível – e atribua a cada colaborador a tarefa em que possa se destacar.
#4. Os erros são acontecimentos naturais e mais importante do que “punir” o culpado é promover uma reflexão individual e organizacional para entender o erro e aprender com ele. Somente o erro que se repete é que deve ser objeto de ações mais enérgicas. A pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil mostra uma evolução na porcentagem de funcionários que afirmam que os gestores enxergam os erros como parte do negócio: em 1997 era de 54%; em 2014 passou para 74%.
#5. Humanize o ambiente de trabalho. Um exemplo é deixar os colaboradores decorarem suas mesas; promova atividades fora do ambiente de trabalho, converse mais sobre o cotidiano – as possibilidades são infinitas.
