Cientistas cognitivos são alternativa para atuar com Big Data

Em meio às várias discussões sobre Big Data e as buscas de profissionais capacitados para lidar com o gigantesco fluxo de dados a fim de entregar valor para os negócios (como direcionamentos estratégicos assertivos junto aos clientes ou análise profunda sobre os sentimentos do consumidor), que tal investir numa abordagem alternativa, que permitirá uma exploração contínua dos dados de novas maneiras?
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A proposta de Donald A. Marchand, professor de gestão da informação e execução da estratégia do International Institute for Management Development (IMD), da Suíça, e Joe Peppard, professor de sistemas da informação da Cranfield University?s School of Management, do Reino Unido ? ambos colunistas da Harvard Business Review -, é que, em vez da implantação da tecnologia, as companhias passem a focar na exploração das informações, e ao invés de observar a informação como um recurso que reside nos bancos de dados ? o que funciona bem para a concepção e implementação de sistemas convencionais de TI -, observe como algo que as pessoas, por si só, possam extrair (e ser) valor.
?Nossa pesquisa, que envolveu o estudo de mais de 50 organizações internacionais numa variedade de indústrias, identificou uma abordagem alternativa para Big Data e projetos de análise, que permite que as empresas explorem os dados continuamente?, escreveram em seu blog na HBR. ?Assim, é crucial entender como as pessoas criam e utilizam a informação. Isto significa que as equipes de projeto precisam de membros bem versados nas ciências cognitivas e comportamentais.?
Para encarar este ?problema? que tem se tornado o caminho correto do Big Data, os professores explicam que muitas empresas têm acrescentado pessoas com profundo conhecimento do negócio nas equipes de projetos de TI, expondo os profissionais de tecnologia a questões complexas de negócios, contratando mais cientistas de dados. ?Mas esses movimentos não será suficiente?, ressaltam.
Além disso, Marchand e Peppard afirmam, também, que, ao trabalhar com grandes conjuntos de dados, as empresas provavelmente poderão encontrar relações estatisticamente significativas entre todas as variáveis que escolheram, mas o que as coloca novamente à realidade é o conhecimento do negócio. ?O dilema é que esse conhecimento também pode limitar sua esfera de pensamento?, dizem.
E, após essa contextualizada, os professores afirmam que, devido a todo esse panorama, projetos de big data e análises precisam de pessoas que entendam como as pessoas percebam os problemas, usam a informação e analisam os dados para desenvolver soluções, ideias e conhecimento. Essa abordagem reflete em algo que eles chamam de economia comportamental, ou seja, uma aplicação do conhecimento das áreas de psicologia social e ciências cognitivas e comportamentais na raiz da compreensão da informação por parte das pessoas, levando em consideração as diferentes regiões do mundo e sua cultura.
O exemplo citado pelos professores foi da Her Majesty?s Revenue and Customs (HMRC), a agência de tributos britânica, que recentemente contratou psicólogos organizacionais para ajudar as equipes de análises a melhorar suas habilidade de interpretação, por exemplo, tornando-os conscientes de seus ?preconceitos confirmatórios?: suas tendências para procurar ou interpretar informações de um jeito que reflete o que elas pensam por si só e não de uma forma macro. Um desses preconceitos foi identificado em abordagens de cobrança usadas apenas para certa categoria de contribuinte.
Com isso, os líderes da HMRC reconheceram que além de saber como o negócio funciona ? por exemplo, que tipo de caso pode ir a tribunal, no que acarreta tal processo, e porque certos casos falham ? os cientistas de dados também precisam entender a mentalidade das pessoas encarregadas nas cobranças de dívidas, assim como o comportamento dos devedores. Os psicólogos organizacionais ajudam neste ponto. Eles também gastam tempo no campo com os inspetores (que conduzem investigações fiscais) e atendentes de call-center (que negociam com os contribuintes).
?As organizações que desejam colaboradores que tenham pensamento e tomada de decisão mais orientada aos dados devem treiná-los para saber quando recorrer aos dados e como formular perguntas, construir hipóteses, conduzir experimentos e interpretar resultados?, finalizam os professores.
De fato, algumas teorias sobre profissionais de Big Data têm abordado alternativas em relação ao supercapacitado ? e quase escasso ? cientista de dados, que certamente, segundo todas as teorias, sabe como lidar da forma correta com a informação, mas deve ter, também, tato com pessoas. A abordagem da HMRC encurta o caminho, pois lida psicologicamente com as atitudes de elos importantes do negócio, entregando ao cientista de dados maior poder de cognição para a interpretação das análises.
Recentemente, a InformationWeek realizou um debate em torno da inteligência de dados, que levantou 4 dilemas cruciais para a efetivação de iniciativas de Big Data, sendo a primeira a formação profissional. Contar com uma equipe preparada para pensar em dados e também em pessoa desonera o cientista de dados e dá mais flexibilidade para a compreensão das necessidades da empresa ao olhar para o mercado.
