Brasil inovador exporta aviões e pacifica favelas

As dificuldades enfrentadas pelas principais economias do mundo abrem uma janela de oportunidades para o Brasil entrar com força no seleto mundo de países que conduzem o crescimento do PIB com inovação. O alerta é da Co-leader of InnovaLatino Project da escola de negócios INSEAD, Lourdes Casanova, que conduziu o estudo Promovendo a Inovação na América Latina. “Vemos economias e empresas dessa região que passaram por grandes dificuldades e agora têm a oportunidade de crescer criando um ambiente de inovação”, aponta.
De acordo com suas análises, feitas em parceria com a OCDE, um genuíno ecossistema de inovação é composto por grandes investimentos do setor privado em conjunto com o público. “As empresas têm mais condições de conduzir isso com mais dinheiro e experiência, mas o governo deve criar instituições de apoio e ter um plano de futuro”, explica.
Lourdes diz que o Brasil está em boa posição de conquistar espaço, apesar de enfrentar um paradoxo. “Vemos o País exportando aviões e ao mesmo tempo pacificando favelas”, comenta. Segundo a especialista, isso cria uma dicotomia na percepção que precisa ser contornada para a criação do ambiente favorável. “O mundo aposta no Brasil e em outras economias emergentes, mas tem dificuldades de entender esse paradoxo”, diz.
Há grandes exemplos de inovação no Brasil. Petrobrás, Embrapa, o sucesso do etanol como fonte de energia alternativa e o apoio do BNDES e Previ para criar grandes empresas indicam que o País tem bases sólidas para inovar. O sucesso futuro depende de fortalecer visão de futuro, foco, balancear inovação com inclusão social, unir setor produtivo e governo, além de formar mais engenheiros e criar líderes para conduzir os projetos.
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