Blockchain 101: um guia compreensível

Por que a tecnologia representa mais segurança e uma quebra no paradigma de controle da informação vigente

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10:16 am - 24 de maio de 2017

Blockchain
pode ser algo complicado de entender e, pior ainda, de explicar. É
possível encontrarmos publicações com mais de uma página repleta de
frases do tipo “Blockchain é”. Nenhuma pode servir. O Blockchain
representa muito mais do que uma só frase poderia definir, mesmo assim
vamos tentar: Blockchain é o termo que vem sendo utilizado para
descrever sistemas descentralizados e distribuídos onde a informação é
transferida e armazenada de forma criptografada por todos os
participantes do sistema.

Sabe
a brincadeira do telefone sem fio? Lembra como era? Uma fila de
pessoas, o primeiro cochichava no ouvido do segundo uma frase que era
repassada ao próximo e assim por diante… o resultado (e a graça)
invariavelmente era a frase sem pé nem cabeça que chegava ao fim da
fila.

Mas
e se a frase tivesse algo de valor, por exemplo uma senha que dá a
você, o último da fila, o direito de sacar R$1000? Não seria nada bom
perder essa informação no meio do caminho, e para piorar, vai que alguém
da fila resolveu passar a senha errada de propósito e ficar com o seu
dinheiro?

Tem
como evitar que a senha se perca no meio do caminho? Sim, e é
exatamente isso que acontece em um Blockchain. Lá, cada um dos
participantes da “brincadeira” respeita uma regra rígida, criptografando
a informação recebida de maneira a garantir que o próximo da fila possa
confirmar que ela é autêntica, consistente e o melhor: irreversível. Se
alguém quebrar a regra e mentir, o próximo vai detectar imediatamente e
podemos desconsiderar a informação que está sendo passada.

blockchain

Se
ao invés de uma fila, formássemos um círculo onde um participante pode
falar com qualquer outro, passamos a ter um sistema descentralizado e
distribuído, certo? Lembre-se que a informação é transmitida e também
armazenada de forma criptografada. Então, funciona assim: sempre que
alguém passa uma informação (ou seja, acontece uma transação), todos os
participantes são avisados e armazenam esta transação consigo. Logo,
todos eles têm cópias idênticas de todas as transações, podendo saber
exatamente quem era o remetente e o destinatário e em qual ordem cada
transação aconteceu, podendo verificar se a informação é verdadeira.

Interessante,
mas e daí? Não sei se você percebeu, mas estamos todos falando com
todos, sem receio. Não precisamos de nenhum intermediário ou
centralizador para atestar a veracidade do que falamos. Conseguimos,
portanto, criar um ambiente seguro e confiável entre um grupo de
participantes desconhecidos!

Eliminar
intermediários significa reduzir a fatia que precisamos dividir para
que uma transação aconteça. Por exemplo, pagamos uma taxa para
transferir dinheiro para contas de outros bancos ou países. Ou pense
então em um compositor que hoje divide seus lucros com gravadoras,
rádios, YouTube e todos os outros meios que reproduzem sua obra… e se
pagássemos direto para ele através do Blockchain a cada vez que
escutarmos sua música?

O
Blockchain também representa mais segurança e uma quebra no paradigma
de controle da informação vigente, já que com ele não precisamos mais
armazenar tudo em um único local centralizado, muito mais suscetível a
falhas e ataques do que uma rede distribuída. Quanto o Google, Facebook,
Apple e outros te pagaram por produzir uma montanha de dados direto do
seu celular? Veja, você dirige seu carro e sem receber nada por isso
está populando o Google Maps com dados que são de interesse de milhões
de pessoas, uma audiência que gera muito lucro em propagandas para o
Google. Reflita, será que precisamos do Uber ou AirBnB?


(*) Luis Hachich é Gerente Executivo e Gustavo Cazangi é líder de Emerging do Fórum de Tecnologia e Inovação, do Venturus

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