Bancos precisam transformar seus negócios para aumentar lucro

Estudo recente da IBM apontou que os bancos precisam transformar seus negócios para aumentar sua lucratividade. O caminho dessa mudança passa por tecnologias de inteligência analítica que ajudariam a incrementar processos de gestão de riscos, excelência de serviço ao cliente, gerenciamento de capital e eficiência de custos. O resultado, aponta o levantamento, mira maior foco nos clientes e em sua satisfação, melhor desempenho dos canais de interação e os métodos de precificação.
O ambiente tecnológico dos bancos sofre de uma heterogeneidade formada por períodos de crescimentos e crises (e muitas vezes sem o planejamento e/ou ação adequados), fusões e aquisições, além de outros fatores que acabaram por impactar na composição de sistemas e legados. As ferramentas analíticas estão longe de ser algo recente no mercado financeiro. Contudo, os retalhos e arestas geradas por dezenas de integrações deixaram um rastro de complexidade. À TI, então, cabe trabalhar para unificar tudo e entregar resultados consistentes.
?Globalmente, os bancos precisam ter mais conhecimento sobre o negócio, centrar-se nos clientes e obter maior eficiência em suas operações. Ao investir em uma visão sofisticada de segmentação e análise de dados, podem aumentar de forma mais eficaz o seu foco, melhorar as estratégias de gestão de riscos, inovar em técnicas de precificação, otimizar o desempenho do canal de atendimento e promover a satisfação do cliente?, sugere o relatório.
Intitulado From Complexity to Client Centricity, o estudo global conduzido pela IBM em parceria com o Economist Intelligence Unit, teve participação dos 200 principais bancos do mundo, sendo 28% das Américas, 36% da Europa e 36% da Ásia e Austrália. Cerca de 90% das instituições entrevistadas acreditam que transformar o cenário atual é crítico, principalmente pelo aspecto da lucratividade.
Tanto em mercados maduros quanto emergentes, o estudo concluiu que as instituições financeiras do futuro vão orientar seus produtos de acordo com o comportamento e atitudes do cliente, em vez de considerar somente dados como divisão de faixa etária, gênero e distribuição geográfica. Atualmente, apenas 27% (mercados maduros) e 32% (emergentes) já segmentam suas avaliações a partir de dados sobre o comportamento do cliente. No entanto, nos próximos três anos a expectativa das instituições é que esse número dobre, passando a 61% (maduros) e 63% (emergentes).
?As vezes, o problema não é a falta de dados ou sistemas, mas a capacidade e disponibilidade de usar isso nos negócios?, comenta Eduardo Villela Araujo, líder de consultoria para inteligência analítica para a vertical de finanças na provedora no Brasil. O executivo acrescenta: ?Bancos já usam modelos sofisticados. O desafio é dar um próximo passo?.
Isso significa aproveitar essa massa para melhorar o atendimento ao cliente e reduzir custos operacionais. Mas, para se ter uma ideia, hoje, mais de 40% dos bancos sofrem com o excesso de dados e falta de ferramentas adequadas para gerenciá-los. A IBM, que há tempos abandonou o discurso de tecnologia para falar a linguagem dos negócios, reforça a importância de reduzir complexidade e risco para gerar uma nova inteligência que alavanque resultados. A palavra de ordem? Simplificar a operação.
Nos mercados emergentes, o crescimento e lucro dos bancos estão cada vez mais relacionados com a inclusão financeira de pessoas que ainda não possuem conta bancária. O Brasil soma mais de 50 milhões de pessoas sem acesso formal às instituições financeiras. Além das oportunidades de inclusão bancária, o estudo indica que os bancos devem focar-se em gerenciamento de riquezas, uma vez que a população de alta renda continuará crescendo e demandará cada vez mais um atendimento customizado.
O gerenciamento de riscos, segundo a pesquisa, preocupa 58% dos bancos. Para lidar com esse cenário, precisam aprofundar os conhecimentos e percepções com o uso de ferramentas de análise e otimização de negócios. O estudo alerta que os bancos do futuro precisarão ainda analisar os custos de sua complexidade operacional, principalmente nos mercados já maduros. Atualmente, estima-se que o valor relativo a esses custos com complexidade nesse mercado chegue a US$ 200 bilhões ao ano.
