Avaya quer crescer 15% no País e não se assusta com Cisco

Foi de pé numa mesa de canto no Club Transatlântico, em São Paulo, que eu consegui pela primeira vez estender um papo de mais de quinze minutos com o gaúcho Nelson Campelo, presidente da Avaya Brasil.
De background, a fabricante canadense realizava o Avaya Partner Week, evento que reuniu cerca de 410 canais em torno de promover a atualização dos parceiros em pré-vendas, vendas, marketing e serviços.
De jeito tímido e posicionamento bastante firme, Campelo se diz bastante feliz quanto aos seus seis meses à frente da operação brasileira da Avaya, afirmando que chegou ?no melhor momento possível?. ?Estamos num bom momento, com um portfólio extremamente competitivo que se encaixam bastante no que observamos como pontos de crescimento no Brasil?, comentou o executivo, que se refere ao direcionamento global da fabricante de crescer junto às redes de dados, colaboração e computação na nuvem.
Mesmo com as ainda dificuldades em disponibilidade de links de banda capazes de suportar o grande fluxo de informação que se espera para o País, o presidente da Avaya acredita na evolução do mercado. ?Em geral, a evolução está acontecendo e vai continuar avançando?, afirmou. ?Vemos os grandes investimentos das operadoras, os incentivos do governo com o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), licitações para o 4G; tudo isso dentro de um contexto de compromisso com o País?, ressaltou.
A expectativa da companhia em terras tupiniquins é crescer 15% no ano fiscal de 2012, que se encerra em 30 de setembro, e Campelo afirma que além do setor de finanças e contact center, os segmentos farmacêuticos, bens de consumo e construção ?têm saltado aos olhos da companhia?.
O crescimento da companhia por aqui será distribuído entre a forte expansão de negócios entre todos os tamanhos de empresas, contou o executivo, que acredita que a demanda venha das pessoas, ?e elas são semelhantes independentemente dos tamanhos das empresas?. ?Há também ainda muito para migrar da tecnologia TDM para o IP em vários níveis corporativos?, lembrou Campelo.
O gaúcho da Avaya afirma que crescer também está ligado a três grandes movimentos: os novos clientes, as novas demandas da base instalada e captação de participação dos concorrentes. ?Acredito que a proposta de valor da Avaya consiga tomar lugar de concorrentes, assim como também é atraente para empresas que querem iniciar sua migração para a comunicação unificada através de voz e vídeo?, afirmou o presidente, analisando que haverá ainda mais demanda com a integração da Radivion, comprada pela Avaya por 230 milhões de dólares no mês passado.
Para acompanhar esse crescimento projetado pelo executivo, a Avaya inaugurou seus escritórios no Rio de Janeiro e Distrito Federal, e expandirá ainda este ano para o Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Recentemente, a Cisco anunciou o plano de investir 1 bilhão de dólares no Brasil até 2015, e quando questionado sobre se essa cifra assusta a concorrência, Campelo respondeu, categoricamente, que ?como brasileiro, vê com muitíssimo bons olhos qualquer ação que fomente o País e atraia os olhares para o nosso mercado interno?. ?Não assusta, pois temos tecnologia para bater de frente no mercado e estamos fazendo nosso investimento de longo prazo, principalmente no que se trata de comunicação com o mercado. Haverá, de forma agressiva, mais Avaya no mercado nacional?, respondeu Campelo ?Esse é só mais um dos investimentos que pontuam a importância do Brasil. Estamos fazendo os nossos?.
