Amazon: uma mudança de paradigma

A CRN Brasil recebeu na sede da IT Mídia, em São Paulo, José Papo, evangelista técnico da Amazon América Latina, e Rafael Saavedra, gerente de marketing e novos negócios da Lumis, canal da fabricante. A conversa, que tinha a intenção de ser totalmente voltada à forma como a Amazon faz negócios no País, foi mais um passo a passo de como a companhia vê as oportunidades junto à computação em nuvem. Em síntese, do muito que foi discutido, a ideia principal está em torno da versatilidade trazida pela cloud computing. ?Hoje, inovação está totalmente ligado ao quanto uma empresa pode falhar rápido?, afirmou Papo. ?A nuvem possibilita que as empresas possam errar e corrigir rapidamente, mirando essa elasticidade de compreender o próprio projeto e entregar algo mais assertivo ao cliente?.
Esse ambiente, aliás, é mais plausível dentro das startups, que podem focar seus projetos no mercado e deixar a infraestrutura por conta de quem ?é pago para manter as coisas em ordem?, seja quanto a disponibilidade, segurança ou acessibilidade, afirmou o evangelista da Amazon.
As empresas grandes, segundo Papo, são mais que obrigadas a inovar, pois o diferencial competitivo está totalmente ligado ao quanto a companhia é capaz de trazer novidades palpáveis para dentro do mercado, possibilitando a continuidade dos negócios. ?Isso tem a ver totalmente com estar na nuvem hoje, seja pela possibilidade de inovar através da colaboração de diferentes elos da empresa ou pela disponibilidade?, acredita o porta-voz da Amazon.
Saavedra complementa a linha de pensamento de Papo, afirmando que as grandes empresas veem a computação em nuvem de um ponto diferente do prisma, mas que há passos importantes a seguir, pois ?trata-se de uma mudança e não de uma simples adoção?.
Vamos ao resumo:
O quê: ?As grandes empresas não migram de imediato os dados de missão crítica, existe uma experimentação de outras informações. É neste ponto que falamos mais da nuvem híbrida entre o que vai para o ambiente público e o que fica dentro de casa?;
Como: Usar a nuvem se trata, principalmente, de estar em conformidade com todas as políticas internas. Esteja amparado para migrar e saiba até onde pode ir, como pode ir e o que está disponibilizado para você. ?As grandes empresas devem pensar em dobro sobre como usar a nuvem, não pela possibilidade de falha, mas pela complexidade desse processo?;
Quando: Estar na nuvem é, antes de qualquer coisa, saber quando é necessário ampliar a disponibilidade da infraestrutura da empresa. ?Não há um momento para isso, mas sabemos que deve ser em breve, pois o diferencial competitivo também está ligado ao quanto sua empresa está acompanhando as mudanças tecnológicas?;
Público, privado ou híbrido?: ?Sempre direcionamos nossos clientes para algo que seja compatível à necessidade deles. A nuvem privada é uma questão de quanto a empresa quer investir, e vemos com força as grandes optarem por ter a nuvem ?dentro de casa?. O modelo híbrido, ao que eu vejo, é o ideal neste momento para quem quer, aos poucos, se familiarizar com cloud computing. O modelo público é a porta de entrada para tudo isso e, com certeza, é o que mais atrai usuários no geral?;
O executivo da Lumis acredita que este é o primeiro grande ano da nuvem, pois o que muito foi falado, de hoje em diante, será bastante executado. ?As empresas passaram anos falando sobre a nuvem, tanto para desmitificar, quanto para polemizar. Agora, vemos uma linha crescente quanto à construção de ambientes voltados para a cloud computing?, acredita Saavedra.
O consenso é que a nuvem transforma a forma de pensar no negócio, principalmente dentro das áreas de TI das empresas, pois dá uma habilidade diferenciada aos profissionais da área: a possibilidade de pensar em algo além da tecnologia. ?O que acontece com a TI é que 80% dos custos e tempo são gastos com infraestrutura e só 20% são gastos com inovação?, afirma Papo. ?A nuvem traz a possibilidade de inverter essa ordem, aumentando o poder competitivo da empresa, que investirá seu tempo em fazer o business rodar?.
Essa quebra reflete no profissional de TI dentro da companhia. ?Quando conseguimos transformar essa meta, o profissional ganha um papel muito melhor, uma valorização dentro da empresa, pois ele trará novamente a inovação?, explicou Papo. ?A nuvem torna as empresas e os profissionais mais consultivos?.
Para Saavedra, o que falta para uma total compreensão do ambiente de cloud computing é desvencilhar a ideia de virtual de tudo que tange nuvem, pois ?a nuvem é real e palpável? em vários aspectos e ?o virtual cria uma ideia de ilusório em várias esferas de pensamentos?. ?É um ponto retrógrado que já foi levantado anteriormente em conversas que tive. O engraçado é que, para quem já vive de nuvem, é quase impossível entender essa associação, mas, de fato, uma palavra pode definir uma negociação?, argumenta o executivo da Lumis.
A questão é encarar a nuvem olho no olho, entender do que se trata e não perder o timing da migração e adoção de soluções que podem facilitar a estruturação de ideias dentro da organização, e simplificar o acesso a ferramentas que são de alta necessidade de estarem disponíveis a qualquer hora e em qualquer lugar.
Papo explica que acessibilidade é uma das palavras que sempre está atrelada a qualquer oferta de computação em nuvem, seja devido ao home office, seja no acesso a dados críticos da companhia a distância. ?De pequenos a grandes integradores, o que envolve fabricantes ou canais, o que mais chama a atenção é a postura adotada em diversas propostas de trabalho, todas diretamente ligadas a quanto o cliente tem a ganhar com o desapego à infraestrutura interna?, analisa.
Quando falamos do setor de distribuição, Saavedra vê a computação em nuvem como um prenúncio de oportunidades, pois a possibilidade de construir ofertas em cloud computing com o extenso portfólio de soluções e fabricantes que estão sob o chapéu das distribuidoras a posicionam como ?grandes players? de um mercado que está, de uma vez por todas, ?abraçando a nuvem?. ?O fabricante pode sim ofertar suas soluções em nuvem, mas o distribuidor tem a possibilidade de integrar várias soluções e isso é bom para os canais, que farão cada vez mais vendas mais consultivas e levarão valor aos clientes, sabendo que o distribuidor está bem amparado?, explica.
Com todo esse apanhado de várias ideias sintetizadas, a expectativa é que cada vez mais possamos fazer mais na nuvem do que propriamente falar dela, pois se é um movimento sem volta e uma tendência em ?apropriação?, que chegue logo a próxima inovação.
