Accenture aponta seis caminhos para transformar os negócios
Empresas com estratégias digitais serão as que terão maior capacidade de tirar proveito da mobilidade, Big Data e nuvem para melhorar os processos.

Os dias em que as startups tecnológicas
inovadoras se apresentavam como os elementos mais disruptivos do
mercado podem estar contados, de acordo com estudo recém publicado pela Accenture. As grandes
organizações já começaram a tirar partido das sua vantagens para se
transformarem em verdadeiros negócios digitais segundo os resultados do Accenture Technology Vision 2014.

O estudo Technology Vision da Accenture é desenvolvido anualmente
pelos Accenture Technology Labs. Para a edição de 2014, a equipe de
pesquisadores e cientistas da Accenture desenvolvou perspectivas
sobre as tecnologias de informação para os próximos três a cinco anos.
O trabalho identifica seis tendências tecnológicas capazes de
permitir às grandes organizações ganharem capacidade disruptiva. As
organizações líderes estão apostando em estratégias digitais capazes de
tirar proveito da mobilidade, das capacidades analíticas e da cloud
computing para melhorar os processos de negócio, se beneficiar das
vantagens da informação em tempo real, expandir as fronteiras da força
de trabalho tradicional e mudar a forma como os dados são geridos e
utilizados.
“Estamos assistindo à retoma da liderança nos seus mercados por parte
das grandes organizações, que detêm os recursos, as capacidades de
escala e a vontade de se reinventarem através de transformações
digitais”, disse Paul Daugherty, CTO da Accenture.

Quais são essas seis tendências?
1 ‒ Atingir os limites da informação
O mundo real está cada vez mais online, à medida que
os dispositivos de vestir, smart e outras máquinas nos facultam
informação em tempo real, alterando a forma como vivemos e como as
organizações funcionam. Este novo nível de informação em constante
atualização otimiza as competências dos colaboradores, automatiza
processos e incorpora o valor das máquinas nas nossas vidas.
Para os consumidores, esta realidade garante novos níveis de capacidade
de decidir. No caso das organizações, a possibilidade de obterem dados
relevantes e em tempo real significa que tanto as máquinas como os seus
colaboradores podem agir e reagir mais rapidamente e de forma mais
inteligente, em praticamente qualquer situação.
Na área dos cuidados de saúde, por exemplo, a Koninklijke Philips
está participando de uma aplicação piloto para o Google Glass que
permite aos médicos utilizarem a tela para monitorizar simultaneamente
os sinais vitais dos pacientes e reagir aos desenvolvimentos dos
procedimentos cirúrgicos sem terem de abandonar o paciente ou o
procedimento.
2 ‒ Da força de trabalho ao crowdsourcing, sem fronteiras
O estudo explica a tendência da força de trabalho das
organizações se expandirem além da equipe formal de colaboradores,
podendo absorver qualquer indivíduo ligado à Internet. “A tecnologia
permite agora que as organizações acessem a vastas fontes de recursos em
todo o mundo. Empresas como a General Electric (GE), a MasterCard e a
Facebook já o fazem através de organizações como a Kaggle Inc., uma
rede global de cientistas da informação, matemáticos e cientistas de
dados que competem para resolver problemas que vão desde a descoberta
dos melhores voos até à otimização das localizações de lojas no varejo”, diz um comunicado sobre o estudo.
A consultoria considera a canalização deste tipo de esforços para
atingir os objetivos do negócio como um desafio. Mas a oportunidade é
enorme, ressalva: “pensemos na hipótese de uma imensa força de
trabalho,muito ágil, que não só possui todas as competências para
resolver alguns dos maiores desafios com que os negócios são
confrontados, mas, em muitos casos, têm a motivação para o fazer
gratuitamente”.
3 ‒ Alterar o tratamento dos dados e fazê-los circular de forma mais abrangente
As tecnologias de tratamento de dados estão desenvolvendo-se rapidamente, mas a maioria foi adotada de forma
fragmentada. Como resultado, os dados empresariais estão bastante
sub-aproveitados, diz a Accenture.
Neste momento, apenas uma em cada cinco organizações integra os dados
transversalmente em toda a organização. Para conseguir verdadeiramente
desbloquear o potencial desta informação, as empresas têm de começar a
vê-la como uma cadeia logística, permitindo a sua fácil circulação
através da organização, e eventualmente também através dos seus
ecossistemas.
Empresas como a Google e a Walgreens já adotaram esta abordagem,
abrindo as suas API; mais de 800 mil websites usam dados do Google Maps,
e programadores externos permitem a digitalização de códigos de barras
dos frascos de medicamentos da Walgreens através das suas apps, para que
seja mais fácil para os usuários renovarem as suas prescrições médicas.
4 ‒ Aproveitamento da hiper-escala e do “regresso” do hardware
O mundo do hardware é agora uma espécie de incubadora de inovação,
revela o estudo, com o aumento da procura por data centers maiores e
mais rápidos. “Os avanços em áreas como o consumo de energia,
processadores, a memória ‘solid state’ e as novas arquiteturas oferecem
às organizações novas oportunidades de apostarem na escala, aumentarem a
eficiência, reduzirem custos e permitirem que os seus sistemas apresentem
níveis de desempenho nunca vistos”, explica a Accenture. Ao
passarem os seus negócios para o mundo digital, as empresas percebem que
o hardware é um elemento essencial para impulsionar a próxima onda de
crescimento.
5 ‒ Competências em software são basilares
Imitando a mudança dos hábitos de consumo, as
organizações estão adotando aplicações móveis (app) rapidamente para
atingirem uma maior agilidade operacional. De acordo com um estudo
recente da Accenture, 54% das equipes de TI com melhor desempenho já
implementaram lojas de aplicações empresariais , facilitando assim a
adoção de apps simples e modulares para os colaboradores.
Os executivos da área de IT e de gestão do negócio devem estabelecer
quem assume os diferentes papéis no desenvolvimento das apps nas suas
novas organizações digitais, já que a pressão para a mudança está sendo
definida pelo próprio negócio, recomenda a consultoria.
6 ‒ Arquitetura para a resiliência
Na era digital, espera-se que os negócios suportem
as exigências ininterruptas dos seus processos, serviços e sistemas.
Este fato causa um efeito de onda transversal a toda a organização,
especialmente no gabinete do CIO, diz a Accenture. A necessidade da
infraestrutura funcionando 24×7 pode significar a diferença entre a
evolução estável do negócio, sem sobressaltos, e a erosão do valor da
marca.
Empresas como a Netflix usam ferramentas automatizadas de teste para
atacar deliberadamente os seus próprios sistemas como forma de promover o
aumento da resiliência. “Estas empresas asseguram-se de que os seus
sistemas estão desenhados e concebidos para potenciais falhas, tirando
partido de tecnologias modulares e de processos avançados de testes, e
não nm design baseado em meras especificações técnicas”, explica a
Accenture.
