Abinee divulga números e problemas do setor

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) informou que a indústria eletroeletrônica vai fechar o ano com faturamento de 134,9 bilhões de reais, 8,5% acima do obtido em 2010. Apesar da expansão, o resultado é inferior ao crescimento de 13% projetado pelo setor segundo Humberto Barbato, presidente da associação.
Para o executivo, o Brasil está em ?processo de desindustrialização?, pois a valorização do real ? além do aumento do custo da produção em território nacional ? está prejudicando todos os segmentos do setor. ?Mesmo com esse panorama, esperamos crescer 13% no faturamento de 2012, algo como 152 bilhões de reais?, afirmou.
Além disso, Barbato queixou-se da concorrência com produtos estrangeiros, atribuindo a situação geral ao aumento de 18,2% no déficit comercial do setor, que chegou a 32,2 bilhões de dólares este ano.
Há previsão de crescimento das exportações, que devem ter alta de 5%, atingindo 8,3 bilhões de dólares, porém as importações também deverão continuar crescendo, com alta estimada de 15%, totalizando 46,1 bilhões de dólares. Enquanto as exportações somaram 7,8 bilhões de dólares, as importações de bens acabados e componentes alcançou 40 milhões de reais, alta de 14,9% em relação a 2010.
PCs e notebooks
O ano foi de desaceleração para o mercado brasileiro de PCs. A previsão da Abinee é fechar o ano om a venda de 15,3 milhões de unidades, com taxa de crescimento de 9% em comparação com as 14 milhões de máquinas de 2010, algo bem abaixo dos 17% registrados no ano passado.
Em relação aos notebooks, os equipamentos responderam por 9 milhões das vendas, número maior do que o apresentado em 2010, que foi de 7,1 milhões de unidades.
Governo
De acordo com Hugo Valério, diretor de informática da Abinee, há sinais que o consumidor está mais cauteloso. ?Há certo temor de perda de emprego, em função da crise, o crédito já não está tão facilitado, as vendas caíram”, afirmou. O setor vai faturar 43,3 milhões de reais em 2011, ante 39,8 milhões de reais em 2010. ?Não é para se comemorar, pois, como em outras áreas do setor eletroeletrônico, as importações aumentaram muito e as exportações desapareceram?, comentou.
“Com o custo Brasil, as empresas estão apostando na importação do produto acabado. Isso é um sinal claro de desindustrialização e o governo precisa ter um olhar atendo. Perdermos a competitividade. Não temos preço para enfrentar a concorrência”, explicou Valério.
Os dois pontos primordiais de discussão para o executivo é a relação de custo da mão de obra e falta de incentivos para fabricação nacional. Humberto Barbato complementa a ideia de Valério, afirmando que o ideal para alavancar as vendas e os números nacionais ?está totalmente ligado à criação de incentivos para consumo do produto 100% nacional, pois sem isso não conseguimos ganhar dos importadores?.
