“A voz é o novo touch”, diz empreendedora sobre o Google Glass

Vinte e quatro horas por dia com Google Glass em seu rosto, Cecilia Abadie já ouviu de tudo. “Uau, você veio do futuro?” ou “Você está me gravando?” são reações recorrentes das pessoas ao observar o aparelho no rosto da fundadora do 33 Labs. Ela é uma das primeiras a testar o óculos conectado, apresentado há dois anos pela companhia na conferência para desenvolvedores Google I/O.
No 23º Encontro Genexus, nesta segunda-feira (30/9) em Montevideo, centenas de curiosos lotaram a sala onde aconteceria sua apresentação com a expectativa de ver as aplicações do device. “É uma vontade humana. Não é de hoje que empresas de tecnologia constroem gadgets para o rosto, mas só o Google conseguiu criar algo realmente usável ao aliar o desenho industrial ao eletrônico”, diz.
A startup de inovação 33 Labs já possui três apps desenvolvidos para o Google Glass. Uma ferramenta de voz para workflow, um assistente pessoal e um recurso para ser usado em museus, a fim de navegar além das obras expostas, desenvolvidas na plataforma uruguaia Genexus com intercâmbio de tecnologia norte-americana. “Minha esperança é que, com o Google Glass e os relógios inteligentes, não teremos mais necessidades de usar o celular”, defende.
O tema responsável por aumentar ainda mais sua empolgação são as aplicações na área de medicina e acessibilidade, quase como uma função social. Ela menciona softwares descritivos que narram o ambiente para deficientes visuais, bem como uso na medicina para melhorar a percepção de mundo de pessoas com algum tipo de limitação.
Aos mais afoitos por questões de privacidade, Cecilia é realista. “Temos uma ilusão que temos privacidade. Já não a temos”, diz. De qualquer maneira, ela vê como positiva as discussões sobre reconhecimento fácil envolvendo o aparelho, pois traz o tema à tona e motiva a reflexão dos usuários de internet no geral. O Google proibiu o reconhecimento facial sem consentimento expresso das pessoas, segundo comunicado divulgado pela empresa quando o ponto veio à tona.
Ainda distante da massificação do mercado, Cecília acredita que o futuro do Google Glass é promissor. “A voz é o novo touch”, defende. Não que os comandos falados irão substituir as telas sensíveis ao toque, mas o início dessa tecnologia se mostra como o caminho natural da evolução da computação. “Quando veio a onda touch, todos os desenvolvedores incluíram esse recurso em seus produtos. No futuro, a voz ocupará esse espaço.”
A empreendedora, sem tirar os óculos, aconselha seus colegas e desenvolvedores a incluirem uma camada de recurso por voz às aplicações existentes. “Não que isso vá acontecer tão rapidamente, porque o Glass foi concebido para funcionar em um mundo com internet em absolutamente todos os lugares, o que não acontece hoje”, explica. Nós, aqui na América Latina, sabemos que estamos um pouco longe disso. Cecília, contudo, alerta os pessimistas: “É uma revolução”.
