A reinvenção da CA Technologies

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9:00 am - 18 de março de 2014

O mercado de tecnologia passa por uma grande transformação. As tecnologias se reinventam todo o tempo, a forma de aplicar conceitos de serviços e soluções evoluem, e as necessidades por integrar TI como fonte da energia do negócio tem ganhado mais forma dia após dia. Essas mudanças, por vezes, são apenas conceituações de metodologias antigas (cloud computing, Big Data) que ganharam importância e magnitude para diversos segmentos corporativos ? e, claro, o usuário final é um dos maiores direcionadores de novas tendências, principalmente quando falamos em mobilidade.

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Esse processo de transformação envolve maior cooperação entre áreas que antes não se comunicavam ? como o setor de operações e os desenvolvedores de softwares/ aplicações, que precisam pensar em conjunto sobre a experiência do cliente e na forma de entrega, acelerando o processo de criação de forma colaborativa, disponibilizando as ?mudanças? em menor tempo e aumentando a qualidade dos produtos/ serviços. Nesse sentido, fala-se muito em DevOps. Mas a mudança não é somente aí: nos últimos anos, essas transformações forçaram o CIO a repensar sua posição dentro de suas organizações e a forma de interação com outras áreas para entregar valor, por meio da TI, aos negócios da empresa.

Todo esse contexto parece ter sido a base para o que provocou uma grande mudança na orientação estratégica da CA Technologies, que deixou de lado o discurso carregado em torno dos softwares para pensar sobre como todas essas mudanças podem ser benéficas para seu próprio negócio. Talvez a alteração mais impactante dos últimos tempos foi a chegada de Michael Gregoire para o cargo de CEO da empresa, após anos à frente da Taleo, adquirida por US$ 1,9 bilhão pela Oracle.

?Softwares são como vampiros: é quase impossível de matar?, brinca o CEO. ?É difícil enxugar o portfólio de produtos em software, ainda mais porque muitos são os clientes que primam por soluções on-premise. Mas, de fato, existe uma compreensão de novas oportunidades de negócios?, afirma Gregoire, em rodada de perguntas e respostas com jornalistas de todo o mundo durante o CA World, em Las Vegas (EUA).

A movimentação para colocar o executivo no comando da fabricante vem ao encontro de todas essas mudanças, pois a experiência como líder da Taleo adicionou muito sobre software como serviço (SaaS, da sigla em inglês) e computação em nuvem aos jargões usados por ele. ?Eu aprendo e ensino?, diz, ao falar sobre combinar sua experiência com as características da CA. ?As companhias de SaaS se movem muito rapidamente, e estamos seguindo esse ritmo dentro dessa nova realidade da organização. O aprendizado está em todos por entre a empresa. Queremos ter uma plataforma vencedora em qualquer área.?

Devido a esse novo discurso, a orientação ?colocar o cliente no centro do negócio? passou a ser mais comum para a fabricante. E não tinha como ser diferente. As novas plataformas de negócios e formatos de ofertas só vieram à tona porque a empresa entendeu a necessidade de diversificar para crescer. ?Mas vamos primar pela simplificação da oferta e desburocratização dos processos com os clientes?, diz Peter Griffiths, vice-presidente de soluções corporativas e tecnologia da CA Technologies.

?Obviamente, o tempo dirá, ou mais importante, os clientes da CA vão determinar se a visão se transformará em realidade?, escreveu John Rakowski, analista da Forrester Research, em seu blog. O otimismo do analista é compartilhado por clientes da companhia. Rodrigo Werle, analista de infraestrutura do Sicredi, vê com bons olhos toda a evolução da companhia em relação suas ofertas de soluções. Para ele, a possibilidade de trabalhar com a fabricante em DevOps, por exemplo, soa ?muito promissor em questão de investimento e desenvolvimento, principalmente por dar continuidade aos trabalhos com um único fornecedor.?

Vale ressaltar, ainda, que a companhia está ?muito comprometida? com DeVops, afirma Gregoire, e a promessa do executivo é que a plataforma da CA poderá acelerar entre 20% a 50% o tempo de entrega de um produto/ solução, melhorar entre 80% e 100% a qualidade e reduzir custos entre 20% a 30%.

Aquisições

O crescimento de forma orgânica está sendo, aos poucos, consolidado. No ano passado, foram investidos US$ 600 milhões em pesquisa e desenvolvimento. Hoje, a companhia mira, cada vez mais, competências em computação em nuvem, DevOps, segurança, Big Data e SaaS. Mas as aquisições não saíram por nenhum momento do panorama. Durante o CA World, a companhia anunciou a aquisição de duas empresas, mas não revelou o valor pago nelas: a Nolio, que trabalha com soluções que automatizam o processo de implementação de aplicativos e entrega de serviços entre diferentes infraestruturas. E a Layer 7, companhia especializada em soluções de gestão e segurança de API.

O que a CA faz?

Se antes a CA era uma empresa de software para mainframe, hoje a companhia visa a soluções para ?gestão da infraestrutura de aplicativos e da segurança em qualquer ambiente, seja mainframe, nuvem, data center ou ?em casa??, diz Laércio Albuquerque, vice-presidente da CA Technologies para a América Latina. ?Não tem sido um trabalho muito fácil, mas muito exitoso. Não é só trabalho de marketing ou colocar na cabeça dos clientes que a CA está fazendo tudo isso para mover para a nuvem e mobilidade?, analisa o VP.

Segundo o executivo, o ?período de turbulência? já passou, pois hoje a companhia conta com uma fundação ?sólida e focada?, com direcionamentos estratégicos que tendem a mostrar ?uma nova CA Technologies em diversas formas de servir e auxiliar o cliente a melhorar seus processos de negócios?.

Nessa de se perguntar ?o que a CA faz?, o VP deixa claro que com as ofertas em nuvem será muito mais fácil adicionar ao portfólio de clientes as médias companhias, que poderão ?contar com soluções para grandes empresas com preços acessíveis, e com a mesma qualidade de funcionamento?. O mesmo discurso foi adotado pelo CEO da fabricante, e parece que ganhará força nos próximos meses.

* O jornalista viajou a Las Vegas a convite da CA Technologies

 

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