A Microsoft convencerá com o toque no Office 2013?

Escrevo este texto no Microsoft Word 2013, confortavelmente e em segurança com um teclado e mouse. Mas meu palpite é que, se dependesse da fabricante, eu estaria usando o toque, e não a digitação e os cliques.
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O CEO de empresa, Steve Ballmer, apresentou a última versão do pacote de produtividade da empresa na segunda-feira (16/07), em uma conferência de imprensa realizada em São Francisco (Califórnia, EUA). O Office 2013 é “o lançamento mais ambicioso do Microsoft Office que já fizemos. Transformamos esse Office para ter alguns dos conceitos de design e princípios que mostramos no Windows 8”, disse Ballmer.
Muitos desses conceitos e princípios têm base no toque. O novo Office possui inúmeras mudanças para que funcione em tablets e até mesmo telefones. O Word2013 em um tela de toque, por exemplo, possui um teclado virtual que aparece quando o usuário toca em qualquer parte do documento. Também responde a uma variedade de toques e gestos para abrir e fechar arquivos.
Ele também funciona com o recurso Snap do Windows 8, que permite aos usuários executarem um aplicativo convencional – como o Word – ao lado de um app Metro. As versões 2013 de outros apps Office (incluindo o Excel, PowerPoint e OneNote), têm capacidades similares de toque. OneNote também tem entrada para caneta.
Toda essa função de toque não penaliza as pessoas que gostam de teclado, apesar de ter algumas mudanças que dão um certo trabalho para se acostumar. O Word não possui quase margem, um fato que fez com que eu perdesse a beirada e clicasse no desktop. Esta ação iniciou o Snap, mas as mudanças não devem desagradar. “Foram feitas menos mudanças do que quando houve a troca do Office 2007 pra o 2010”, afirmou Michel Silver, analista da Gartner.
A questão é se os aplicativos como Word, Excel e PowerPoint realmente precisam, ou se beneficiam, do toque. O touchscreen é suficiente para fazer com que as empresas abram mão da versão do Office 2010 e outras mais antigas para pagar sabe-se lá quanto pelo novo recurso? A Redmond ainda não revelou os detalhes de preços, mas leve em conta o seguinte: O Office 2010 Professional é vendido por US$350, e não dá desconto para a atualização a partir do Office 2007.
O Google Apps, cujo preço inicial é de US$5 por usuário ao mês, já é uma alternativa para muitas empresas que precisam apenas do básico.
Velha guarda
Não há dúvidas que alguns tipos de apps funcionam melhor com o toque. Mas esses geralmente são os de propósito único, para tarefas como verificação do tempo, ações da bolsa ou descobrir o filme que está passando em determinada sala de cinema. Mas o Office, mesmo com a nova interação, ainda é uma suíte de aplicação da velha guarda. O Word, Excel e PowerPoint foram construídos para criação de conteúdo complexo. É difícil mensurar a praticidade ou até mesmo aonde chegará a tolerância dos usuários para interagirem com o recurso por meio do toque.
“Temos que esperar para avaliar se o produto projetado para o desktop Windows e teclado, funcionará com o toque. O teclado é parte integrante da criação no Word e Excel”, afirmou Silver, da Gartner.
Claro que a empresa afirma que há muito mais no Office 2013 do que o toque. A companhia ressaltou a integração da suíte com serviços em nuvem como o SkyDrive, que armazena arquivos e configurações para que possam ser instantaneamente acessíveis por meio da conexão de sua conta Office em qualquer dispositivo. Ao fechar um arquivo no Word 2013, é possível salvá-lo automaticamente no SkyDrive (também é possível salvá-lo localmente).
Popular
A opção da nuvem deve se provar popular para o usuário corporativo. Clientes que só usam um dispositivo não perceberão tanto uso no recurso. Uma característica que se mostrou irritante foi que a transformação do Office em um serviço online fez com que ele, de fato, agisse como um: precisei me inscrever em minha conta para baixar o Office 2013 Customer Preview, depois me inscrever de novo para instalá-lo, mais uma vez após isso e, ainda, outra no primeiro uso. Com tanta autenticação, espero que o produto seja seguro.
Por último, a abordagem do Office 2013 é a mesma do Windows 8: quer trabalhar com o toque e a nuvem? Sem problemas. Prefere trabalhar localmente no desktop clássico? Fazemos isso, também. Essas opções são interessantes, apesar de possuírem uma potencial confusão inicial.
Mas mais uma vez, a questão é se os usuários – incluindo as empresas – se importarão o suficiente com essas mudanças para pagar por isso. O Office monta cerca de um terço da receita da Microsoft. Se os compradores se convencerem de que o toque não é de grande importância para criação de textos, planilhas e apresentação, então as vendas irão por ralo abaixo.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
*Este texto foi produzido pela rede internacional de jornalismo UBM, com o IT Web limitando-se a traduzi-lo. Leia o original aqui.
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