A banalização de obstáculos: um perigo ao negócio

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11:26 pm - 23 de maio de 2011

Isso pode acontecer em qualquer lugar do mundo e em qualquer bairro. É uma daquelas situações consideradas impossíveis de se prever. O pior é que ao invés de uma casa, poderia ser uma empresa, uma escola ou uma ponte. Independente do local, o fato em si poderia afetar qualquer instalação física que estivesse próxima.

E a água é um agente muito mais danoso que o fogo, pela sua própria natureza: possui massa, peso e velocidade. O fogo não. Já houve ocasião de ser convocado para avaliar as conseqüências de um incêndio, que afetou parte de um CPD: o que o fogo não havia consumido foi totalmente danificado pela ação dos bombeiros que tiveram de utilizar água para extinguir focos de calor na estrutura. O fogo pode ser contido por barreiras e tende a se deslocar para cima. A água, sofre ação da gravidade, deslocando-se por meio de qualquer caminho livre, tenham o formato que tiver.

Neste caso específico, apesar do CPD possuir piso elevado, tiveram agravantes devido à fiação que não corria suspensa sobre o piso. Quando a água começou a escorrer pelo chão, abaixo do piso elevado, encontrou pontos de contato que acabaram fechando curto-circuito da linha de emergência dos nobreaks. Na segunda situação, uma falha de sistema poderia ser prevista, face o papel de suporte na realização de atividades da organização.

Mas desta vez passou desapercebida, acarretando inúmeros desdobramentos. De acordo com a notícia publicada no site do “Jornal do Brasil”, em 15/9, o citado evento ocorreu às 17h30, só voltando a funcionar à meia-noite e meia. Cinco aviões que estavam no pátio ficaram impossibilitados de decolar. Outros 16 foram desviados para Natal, João Pessoa e Maceió. Neste meio tempo, 17 aviões deixaram de decolar, inclusive dois internacionais da empresa TAP, com 400 passageiros que seguiriam para Lisboa.

Segundo informações da Radiobrás, cerca de mil pessoas que embarcariam na capital pernambucana precisaram adiar a viagem. Os passageiros não residentes em Recife foram acomodados na rede hoteleira local pelas empresas aéreas. A grande pergunta é: qual deve ter sido o prejuízo decorrente da interrupção deste sistema por seis horas e meia?

Não vou tentar imaginar o montante, incluindo as questões de imagem, de mercado ou ainda as conseqüências desastrosas para os usuários que foram obrigados a desembarcar a centenas de quilômetros de seus destinos originais. Vamos pensar apenas nas despesas das companhias aéreas, que tiveram que as despesas de hospedagem e de manutenção das aeronaves no solo.

Sistemas de informação ou outros quaisquer, sejam eles de natureza eletrônica, elétrica ou hidráulica, devem ser avaliados em função de sua potencial ameaça de dano à organização, caso sofra interrupção. São raros os profissionais que ultrapassam a natureza cultural do nosso povo, de minimizar situações de risco. Em alguns casos, devemos utilizar uma abordagem extremamente pessimista sobre o componente de negócio utilizado, para avaliar a possibilidade de interrupção das atividades que nossa organização possa sofrer.

Para alguns, pode parecer o máximo em pessimismo. Mas duvido que os investidores das companhias aéreas que foram afetadas por este evento pensem desta forma. Garantir a continuidade de negócios exige mais do que o exercício da imaginação: é fundamental antecipar a conseqüência de situações, mesmo aquelas que aparentam ser banais, para projetar o possível cenário e elaborar respostas que minimizem suas conseqüências.

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