3 formas de converter sua empresa em 2.0

Se você não consegue facilitar a vida de seus funcionários, talvez, você jamais consiga mudar sua empresa para que ela sobreviva, sem falar em crescer na nova economia. Muitos departamentos de TI perderam a credibilidade sem terem culpa alguma. Muitos gestores de negócios podem ser culpados por apropriarem-se de ?soluções? tecnológicas e imaginarem que elas seriam usadas.
Não estou querendo apontar culpados. Sou uma pessoa clássica de TI, regenerada, que pensava primeiro na tecnologia e fracassava, como acontece com muitos que escolhem uma solução antes de identificar problemas e oportunidades. É doloroso, irritante, caro e demorado ? e desconcertante para todos os envolvidos. Quem quer fracassar?
Hora de quebrar o ciclo
Percebi, durante a conferência E2 Social, em junho último, que chegamos, finalmente, ao ponto em que os movimentos de negócio social/Enterprise 2.0 contam muitas histórias de sucesso, mas, ainda mais histórias de fracasso.
As empresas que estavam esperando para ver se esse ?negócio social? seria real começam a se sentir confortáveis com o movimento que vem acontecendo há mais de seis anos. Elas perceberam que as mudanças econômicas que nos atingiram em 2008 não passaram, e que elas precisam se aproveitar das ferramentas e processos Enterprise 2.0 para responder, com mais rapidez, às mudanças de mercado e ao aumento da competitividade, e todas com menos profissionais trabalhando.
Se você já se cansou de iniciativas falidas, deve fazer algo diferente, e a solução não está em confiar em software social para consertar o que está quebrado ou trazer algo que falta à sua empresa. Em tese, pode parecer que seus funcionários são engrenagens substituíveis, com um conjunto previsível de custos e resultados, e que são todos os mesmo quando se trata de geri-los. Pessoas são pessoas, que respondem a incentivos e punições e ao mecanismo tradicional corporativo, certo? Errado, errado e errado.
Você deve compreender, absolutamente, por que os early adopters, aquelas pessoas que se aventuram em tudo que é novo e interessante e que resolvem as coisas conforme elas surgem, são completamente diferentes das pessoas que querem ter tudo cuidadosamente documentado, explicado e entregue em mãos.
Não há nada de errado com essas pessoas. Elas são apenas diferentes. E esse é tanto um desafio quanto uma oportunidade.
As pessoas não odeiam mudanças. Isso é um mito corporativo que devemos erradicar. Elas não gostam de mudanças forçadas, que não compreendem e que não têm conexão.
Assim que você descobre o gancho entre a mudança que quer realizar e uma forma de alinha-la com benefícios, você consegue um exército de pessoas que vai fazer o possível para engajar outras pessoas e explicar porque essa mudança será boa para todos. E você não vai acreditar na velocidade com que essa mudança acontece e no tempo que dura.
Sua missão
Se você estiver estagnado no caminho para Enterprise 2.0 ou se ainda não começou, realize três experimentos curtos (entrevistas) e veja o que eles revelam. Você deve conversar com, pelo menos, dez pessoas, individualmente, em cada experimento para conseguir informações suficientes para as conclusões.
– Experimento N° 1:
Encontre pessoas em sua empresa que já estejam apaixonadas por Enterprise 2.0, negócios sociais ou qualquer que seja termo que tenha uma associação positiva pra eles. Peça que eles explicitem o que mais os entusiasma sobre o que conseguem (ou querem) fazer nesse espaço, com essas tecnologias. Observe qualquer ponto negativo que eles identifiquem, mas o que você realmente quer é a paixão deles. Grave esses depoimentos em áudio ou vídeo. E, para garantir, escreva exatamente as palavras que usarem, não resuma.
– Experimento N° 2:
Peça que esse grupo de evangelistas E2.0 apontem as pessoas que incentivaram (por mentoria, treinamento ou sedução) a, pelo menos, se interessarem pelo movimento, e repita o experimento 1 no segundo grupo. Observe a opinião deles, incluindo as dúvidas e incertezas que ainda apresentam, seja em relação à tecnologia, expectativas de mudanças ou sobre como serão compensados por suas contribuições. Talvez eles apenas temam parecer estúpidos. Permita que as respostas sejam anônimas para que eles se abram sem medo.
– Experimento N° 3:
E, por fim, o mais importante: encontre as pessoas que, declaradamente, desprezam, em absoluto, qualquer coisa relacionada ao movimento Enterprise 2.0/negócio social e pergunte o que eles mais desprezam.
Sim, você quer os detalhes. E espere ouvir coisas como: ?essa empresa é incapaz de colaborar? e ?todas as iniciativas de ?colaboração? que tentamos, fracassou?. Não deixe que essas pessoas apenas digam por que não deu certo ou o que não deu certo ? pergunte o que deveria ser feito diferente para ser bem sucedido.
Eles conseguem imaginar cenários em que o trabalho seria mais fácil se eles conseguissem encontrar especialistas, pessoas em outras áreas ou projetos parecidos com os deles? Ou existem processos e burocracias que eles penam para realizar e que poderiam ser feitos de forma mais colaborativa? Para esse grupo, eu recomendaria respostas anônimas para que as declarações não sejam usadas contra eles, mas lembre-se de quem respondeu para que possa retornar quando encontrar soluções para suas preocupações.
Assim como clientes insatisfeitos, essas pessoas são inimigos para toda a vida. Se corrigir uma falha com base no feedback deles, os negativistas e inseguros se tornam grandes aliados. Mas não espere que eles se deem ao trabalho de transformar as coisas. Depende de você ajuda-los a ver que você está do lado deles e que dá atenção às suas preocupações. É uma técnica muito pouco utilizada.
Qualquer que seja sua abordagem a E2.0, se não começar a agir, não terá resultados. No mínimo, tente esses três experimentos e descubra onde estão seus aliados e possíveis aliados para descongelar a empresa. Há muito trabalho pela frente!
