CuspAI quer reduzir de anos para meses o desenvolvimento de novos materiais para semicondutores e já firmou parceria com a Nvidia
A startup britânica CuspAI, apoiada por Jeff Bezos, está utilizando inteligência artificial para acelerar a descoberta de novos materiais que poderão ser empregados na fabricação de semicondutores e outras tecnologias avançadas. A empresa afirma que pretende encurtar drasticamente um processo que tradicionalmente leva anos, utilizando modelos de IA para identificar compostos com propriedades específicas. A reportagem é da CNBC.
Fundada em 2024 pelo empreendedor Chad Edwards e pelo pesquisador Max Welling, ex-cientista da Microsoft e professor da Universidade de Amsterdã, a CuspAI desenvolve modelos capazes de prever como novos materiais se comportarão antes mesmo de serem sintetizados em laboratório.
Segundo a CNBC, a proposta é inverter a lógica tradicional da pesquisa em ciência dos materiais. Em vez de testar milhares de combinações por tentativa e erro, a inteligência artificial gera candidatos promissores e indica aqueles com maior probabilidade de apresentar as características desejadas para aplicações industriais.
Entre os principais mercados de interesse estão os semicondutores utilizados em inteligência artificial, baterias, armazenamento de energia e tecnologias de captura de carbono.
A CuspAI anunciou uma parceria com a Nvidia para utilizar a infraestrutura computacional da fabricante de chips no treinamento de seus modelos de IA. O acesso à capacidade de processamento da empresa americana permitirá executar simulações em larga escala e analisar um volume muito maior de combinações moleculares.
De acordo com a CNBC, a startup acredita que a inteligência artificial poderá reduzir o tempo necessário para descobrir novos materiais de vários anos para poucos meses, acelerando o desenvolvimento de componentes essenciais para setores como computação de alto desempenho e inteligência artificial.
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A empresa já levantou cerca de US$ 30 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela Hoxton Ventures, com participação do Bezos Expeditions, veículo de investimentos pessoais do fundador da Amazon, além de outros investidores especializados em tecnologia.
Segundo os fundadores, o objetivo não é substituir pesquisadores, mas ampliar sua capacidade de investigação. Os modelos de IA funcionam como uma ferramenta para gerar hipóteses e priorizar os experimentos mais promissores, reduzindo custos e aumentando a velocidade da pesquisa científica.
A CNBC destaca que a ciência dos materiais se tornou uma área estratégica para a indústria de tecnologia. O avanço da inteligência artificial elevou significativamente a demanda por semicondutores mais rápidos e eficientes, enquanto limitações físicas dos materiais atuais têm levado empresas a buscar novas alternativas para manter a evolução do desempenho computacional.
Além dos chips para IA, materiais mais avançados também podem contribuir para reduzir o consumo de energia dos data centers, ampliar a capacidade de armazenamento de baterias e desenvolver tecnologias voltadas à transição energética.
A aposta da CuspAI acompanha uma tendência mais ampla de aplicação da inteligência artificial em pesquisa científica. Grandes empresas de tecnologia e laboratórios têm investido em modelos capazes de acelerar descobertas em áreas como química, biologia, medicina e ciência dos materiais, reduzindo o tempo entre a formulação de hipóteses e a validação experimental.
Para a startup, a combinação entre IA generativa, simulações computacionais e infraestrutura de alto desempenho poderá transformar a forma como novos materiais são descobertos e levados ao mercado, especialmente em setores que dependem da próxima geração de semicondutores para sustentar a expansão da inteligência artificial.
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