Especialista alerta que falhas básicas, como credenciais fracas, ampliam os riscos para hospitais, pacientes e operações críticas
O setor de saúde registrou uma média semanal de dois mil ataques cibernéticos por organização em maio de 2025, segundo o relatório semestral da Check Point Research. O volume coloca a área entre as mais visadas no mundo e reforça a necessidade de medidas mais efetivas de proteção de dados e segurança da informação.
Além da sofisticação crescente das ameaças digitais, parte da vulnerabilidade está relacionada a falhas básicas de segurança. Credenciais fracas, senhas reutilizadas e ausência de processos consolidados ainda facilitam o acesso de criminosos a sistemas que armazenam informações sensíveis de pacientes e sustentam operações hospitalares.
Para Fábio Costa, partner e COO da Bidbealth, empresa especializada em cibersegurança que integra o ecossistema da MV, os impactos de um incidente no setor ultrapassam as perdas financeiras. Um vazamento pode expor dados íntimos de milhares de pessoas, enquanto um ataque de ransomware pode interromper o funcionamento de um hospital e comprometer o atendimento aos pacientes.
Apesar dos riscos, Costa avalia que muitas organizações ainda adotam uma postura reativa, com medidas implementadas somente depois que os problemas já provocaram danos significativos.
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“A maioria dos cibercriminosos não utiliza técnicas de invasão dignas de filme. Eles exploram credenciais fracas, óbvias, comprometidas ou reaproveitadas. É o caminho de menor resistência”, afirma Costa.
Segundo o executivo, a busca por tecnologias sofisticadas não substitui a adoção de fundamentos básicos de segurança. Entre as medidas necessárias estão a revisão de processos, o controle de acessos e a capacitação dos profissionais de diferentes áreas da organização.
Costa destaca que os treinamentos de conscientização devem alcançar todos os níveis, da recepção à diretoria, mas não podem ser a única barreira contra os ataques.
“Processos robustos e tecnologia adequada precisam funcionar como uma blindagem contra essa falha inevitável. Não podemos depender apenas da atenção individual de cada colaborador“, explica Costa.
Mesmo diante do avanço das ameaças, o especialista identifica exemplos positivos no Brasil. Entre eles está o Hospital Sírio Libanês, citado como referência consolidada em boas práticas, maturidade e atuação proativa na governança da informação.
Para Costa, casos como esse mostram que as instituições de saúde podem desenvolver uma cultura sólida de segurança digital. O processo, porém, depende menos da adoção imediata de soluções complexas e mais da disciplina para garantir o funcionamento adequado das medidas essenciais.
“O despertar para a cibersegurança e a privacidade de dados começa por garantir que os processos mais elementares estejam funcionando com excelência. É o feijão com arroz bem-feito, e isso já faz uma diferença enorme”, conclui Fábio Costa.
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