Samsung Nexus S I: um telefone realmente esperto

A tela
Começando pela tela, o item que mais me impressionou. Segundo as especificações, trata-se de uma tela capacitiva, sensível ao toque, Super AMOLED (já falaremos sobre isto) de quatro polegadas, definição de 480 x 800 pixels (padrão Wide VGA cuja resolução é mais de duas vezes maior que a do monitor de meu primeiro PC) que, no Nexus S, corresponde a uma resolução física de 235 pontos por polegada. A tela é capaz de exibir dezesseis milhões de cores e sua superfície é refratária a substâncias oleosas (“oleophobic“) o que a torna difícil de sujar e fácil de limpar. A tela curva (que a Samsung batizou de “contour display” e cuja curvatura pode facilmente ser percebida na Figura 4 da próxima seção), única entre seus pares, não apenas dá um toque de elegância ao Nexus S como se adapta ao formato da face, aproximando o microfone da boca quando se fala, para facilitar o uso do aparelho como telefone (pois, como veremos, ele é muito mais que isso).
O Nexus S tem internamente um giroscópio de três eixos e um acelerômetro extremamente sensíveis que ajustam imediatamente a posição da imagem quando se gira o telefone. A tela é dotada de um sensor de proximidade que, quando se aproxima o a aparelho do rosto para atender um telefonema, a desliga para poupar energia.
Até aí, não há muita novidade. A grande novidade, que se torna um importante diferencial quando comparada aos concorrentes, é a tecnologia Super AMOLED.
Começando pelo começo, como convém: LED é o acrônimo de “Light-Emitting Diode“, ou diodo emissor de luz, um minúsculo semicondutor que, quando excitado por uma corrente elétrica, emite luz colorida (vermelha, verde ou azul; por isto cada ponto luminoso da tela é formado por três deles). Aqui não cabe muita explicação sobre o assunto pois, afinal, quase toda televisão ou monitor moderno usa esta tecnologia e quem quiser maiores detalhes os encontrará no tópico “Como funciona a LED TV” do HowStuffWorks.
Já OLED é o acrônimo de “Organic LED“, ou LED orgânico, um tipo de dispositivo emissor de luz em que o material luminescente se situa em um fino filme de moléculas orgânicas (polímeros). A diferença essencial é que os OLEDs permitem a fabricação de telas transparentes, mais finas e mais leves que as de LED e, sobretudo, flexíveis. Foi graças a esta flexibilidade que a Samsung conseguiu moldar a tela curva do Nexus S.
Com isto podemos chegar enfim ao AMOLED, acrônimo de “Active Matrix OLED” ou OLED com matriz ativa. Entendamo-lo. Os pontos luminosos (“pixels”) da tela se dispõem em uma matriz (conjunto de objetos arrumados em linhas e colunas). Esta matriz pode ser constituída por dois conjuntos (anodo e catodo) de finíssimas tiras distribuídas perpendicularmente na qual cada pixel é formado pelo cruzamento de duas delas, ou por duas camadas contínuas superpostas sob as quais se dispõe uma delgada estrutura de transistores em filme fino (TFT, “Thin Film Transistor“) que determina quais pontos permanecem ligados ou desligados. A primeira é chamada de matriz passiva enquanto a última, utilizada no Nexus S, é a matriz ativa, ou AMOLED. Uma tela AMOLED consome muito menos energia e atualiza os pixels muito mais rapidamente que a de matriz passiva ? o que é essencial para a exibição de vídeos sem “solavancos”.
Se você quer ver uma impressionante demonstração do funcionamento de telas AMOLED comparadas com as tradicionais telas simples de TFT visite a página “What is Amoled screen/display?”. E não se preocupe se não dominar o idioma inglês: simplesmente assista aos três vídeos. O primeiro, que mostra uma tela AMOLED funcionando enquanto recebe uma vigorosa sessão de marteladas, impressiona…
O problema com as telas AMOLEDs é que, em virtude de um recurso denominado “penTile” adotado pela maioria delas, as imagens tendiam para uma coloração excessivamente esverdeada (veja porque aqui). É aí que entra o “Super AMOLED”, que resolveu o problema usando um recurso denominado “Real-Stripe” que aumentou em 50% a densidade de pixels.
Esta é a tecnologia adotada pela Samsung para fabricar a tela do Nexus S.
Leu tudo isto e continua confuso? Então esqueça. Fique apenas com o testemunho deste escrevinhador que padeceu com o Motorola Milestone por cerca de um ano e agora vem se deliciando com o Nexus S. Em ambos os aparelhos, quando o telefone toca, atende-se arrastando com o dedo um círculo verde da esquerda para a direita da tela. No Motorola eu cheguei a perder ligações porque não conseguia arrastar a tempo a maldita bolinha, que refugava, fugia no meio do caminho ou, simplesmente, se recusava a acompanhar o movimento de meu dedo por maior que fosse a pressão contra a tela. No Nexus S ela se move obedientemente quase sem pressão e sempre atendo na primeira tentativa.
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Isto sem falar no teclado virtual (o único disponível no Nexus S; veja-o, nas configurações horizontal e vertical na Figura 2). Quando eu toco, ainda que levemente, em um caractere, ele ? e somente ele ? aparece na caixa de entrada sem delongas.
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Para estender a capacidade do teclado virtual, o Android faz com que, quando mantidas pressionadas, algumas “teclas” abram uma pequena janela que permite escolher caracteres a adicionais (em geral acentos ou símbolos, como mostrado na Figura 3; para escolher um deles, mantêm-se a tecla premida até a pequena janela aparecer e se desliza o dedo sobre ela, parando no caractere desejado). No Nexus S funcionam “de primeira” ? um fenômeno quase inacreditável para quem usava um Milestone. E as imagens, definidas, brilhantes e coloridas seja nas fotos seja nos vídeos, são de encantar (Veja a Figura 4, que mostra a tela do Nexus S exibindo uma foto “tirada” com sua própria câmara de 5 MPx).
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Não fossem as demais qualidades do Nexus S, eu diria que a tela é o ponto alto. Mas que nada: ela é apenas o que mais se destaca, já que é usada a todo o momento. O resto, porém, nada fica a dever.
