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O XP morreu. De novo?

A morte (mais uma vez) anunciada

Primeiro, por que morte oficial? A própria MS já não havia anunciado a suspensão das vendas ao público há mais de dois anos, precisamente em 30 de junho de 2008? Não teria sido esta a data do falecimento?

Não exatamente. Porque nesta data o que cessou foi possibilidade de se comprar o sistema operacional avulso, naquelas caixinhas vendidas nas lojas. Mas computadores equipados com ele continuaram a ser vendidos. E, a bem da verdade, vendiam mais que os equipados com seu sucessor oficial, o Windows Vista, já então disponível há ano e meio (foi oferecido oficialmente ao público em 30 de janeiro de 2007, mas desde novembro de 2006 já se podia comprar computadores equipados com a versão final do Vista). Portanto, apesar de não se poder comprar uma versão avulsa, o sistema continuou a ser “vendido” no interior dos computadores onde vinha instalado.

É verdade que a MS tentou acabar com isto anunciando que este tipo de venda somente seria feita até janeiro de 2009. Mas o mercado estrilou. Afinal, no início de 2009, segundo as estatísticas do W3Schools, Windows XP ocupava nada menos que 70% dos computadores em uso. Como matar um inconteste campeão? E, relutantemente, a MS concordou em prorrogar o prazo fatal. Mas passou a sufocar o pobre aos poucos. Em 14 de abril de 2009 anunciou que o suporte ao sistema operacional deixava de ser fornecido em base regular (“Mainstream Support“) e passava a sê-lo como suporte estendido (“Extended Support“). Em 13 de julho do ano corrente suspendeu inteiramente o suporte técnico para as versões com o Pacote de Serviços 3 (SP3; o das versões com os SP1 e SP2 já havia sido suspenso anteriormente). E, finalmente, no dia 22 de outubro último, anunciou que cessaram definitivamente as vendas do Windows XP instalado em computadores.

Quer dizer: desta vez, morreu mesmo.

E morreu de morte matada, é bom que se diga. Porque a autópsia revelou que o falecido gozava excelente estado de saúde no momento do passamento. E, paradoxalmente, continua gozando mesmo depois de morto. Segundo o W3Schools, em outubro de 2010 o Windows XP ainda se refestelava em 49% dos micros em uso. E, para não ser acusado de me ater a uma única fonte, como soe acontecer sempre que cito o W3Schools, vejam na Figura 1 o que mostram as estatísticas do respeitabilíssimo sítio Netmarketshare para o mesmo mês. Aquela fatia maior, em azul escuro, correspondendo a  59% do mercado, é justamente a do de cujus, o pobre XP, cujos bens acabaram de entrar em inventário.

Quer dizer: um sistema operacional lançado oficialmente em 21 de outubro de 2001 morre, também oficialmente (pois continua vivo no coração dos usuários, MS, mãe ingrata) em 22 de outubro de 2010, com exatamente nove anos e um dia de vida. E ainda ocupando mais da metade dos computadores em uso. Se alguém conhece um sistema operacional mais bem sucedido do que este, que fale agora ou cale-se para sempre. E antes que uma voz se alevante em defesa do MS-DOS, nascido oficialmente em 12 de agosto de 1982 e mantido em uso até o lançamento de Windows 95 treze anos depois, convém lembrar que a) os tempos eram outros e a evolução do hardware e software se dava em câmara lenta se comparada com a de hoje; e b) de 1990 a 1995 o principal uso do DOS era servir de suporte às versões 3.x de Windows, que eram uma mescla de sistema operacional com interface gráfica.

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