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O XP morreu. De novo?

A “Trustworthy Computing Initiative”

Então a MS, ouvindo o mercado, decidiu lançar um sistema operacional realmente seguro. E o Windows Vista foi concebido com um tema principal em mente: segurança absoluta. Tanto que foi a primeira manifestação da “Trustworthy Computing Initiative“, um programa de trabalho da MS destinado a tornar todos os sistemas lançados dali em diante “inerentemente seguros”.

Por isto o Vista implementou o malfadado controle das contas de usuário (“User Account Control”). Que, trocando em miúdos, consistia no seguinte: quando se criava uma conta de usuário no Vista, ao contrário do XP, por padrão a conta não detinha privilégios de administrador. E o sistema foi concebido para manter uma única conta com tais privilégios. As demais até podiam ter acesso a eles, desde que autorizado pelo administrador. Em sistemas corporativos isto era uma desgraça: volta e meia havia que se chamar o administrador para autorizar alguma coisa. Em sistemas não corporativos, o que se recomendava é que, mesmo sendo usado por uma única pessoa, fossem criadas duas contas, uma com privilégios de administrador e outra não, e que esta segunda fosse utilizada correntemente. Para facilitar a vida neste tipo de sistema, cada vez que o usuário comum solicitava a execução de uma tarefa que exigia privilégios de administrador, abria-se uma janela informando isto e solicitando que se entrasse com a senha do administrador.

A ideia por detrás disto era clara: se você, usuário comum, houvesse solicitado, por exemplo, a instalação de um programa ou outra tarefa potencialmente perigosa, bastava que você, administrador (lembre: duas contas, aqmbas suas), entrasse com a senha para que o sistema prosseguisse com a execução. Porém, caso uma destas janelas se abrisse inopinadamente na tela sem que o usuário tivesse feito algo que a justificasse, muito provavelmente se tratava de um programa mal intencionado tentando se incrustar nos desvãos do sistema. Neste caso, negar a autorização mantinha a máquina livre de riscos.

Eu mesmo usei o Vista desde antes do lançamento (com as primeiras versões beta) sempre respeitando tais recomendações e jamais tive problemas. Digitar de quando em vez uma senha de administrador não fazia mal algum e eu me sentia mais seguro. O problema é que nem todos os usuários concordavam com isto. E, provavelmente aqueles mesmos que reclamavam da insegurança do XP, passaram a reclamar do incômodo de “toda hora ter que aturar aquelas janelas se abrindo e pedindo autorização para tudo”.

Isto, e mais a inclusão do malfadado DRM (“Digital Rights Management”, uma tecnologia destinada a impedir a cópia de material protegido) fez com que o Vista fosse um fracasso de vendas. Apesar disto, eu ainda o acho um bom sistema. Não tão bom quanto o Windows 7, mas melhor que o XP. Esta, porém, é apenas minha opinião e quem não gostar dela favor reclamar com o Paulo Couto, editor do FPCs, e deixar sossegada D. Eulina, que repousa em paz e não é responsável pelas estrepolias do filho que teve.

Então veio o Windows 7. Dele, não tenho ouvido muitas reclamações. Pelo contrário, ouço (e leio, da parte da imprensa especializadas) um bocado de elogios. A interface com o usuário é um primor, ele não aborrece tanto com solicitações de autorizações, é rápido, bonito, intuitivo, em suma: um SO de respeito. E o mercado tem reagido favoravelmente. Veja, na Figura 3, ainda de autoria dos magos do Netmarketshare, a evolução das linhas de tendência das fatias de mercado detidas pelas diferentes versões de sistemas operacionais. Segundo ela, o Windows 7, embora ainda em torno dos 20% de mercado (segundo a Figura 1, exatos 18,3% em outubro de 2010 e de acordo com o W3Schools, 26,8%), é o único que apresenta crescimento significativo.

Então por que a turma se aferra ao XP?

Honestamente, não sei.

Mas sei que a MS não está gostando disto. Afinal, ela tinha planejado uma vida útil de no máximo cinco anos para ele (Windows Vista foi lançado em 2006) e o XP, além de chegar quase ao dobro disto, mantém com larga folga a coroa de SO mais usado.

É verdade que não se abandona à própria sorte um campeão. Por isto, embora não mais desenvolvendo pacotes de serviços nem atualizações para suporte de novo hardware e coisas que tais, a MS promete continuar lançando atualizações de segurança (e apenas as de segurança) para o XP até 8 de abril de 2014. Quer dizer: até lá ele continuará sua carreira como uma espécie de  obstinado zumbi, um morto-vivo renitente. Ou, pelo menos, um cadáver que esperneia e reluta em morrer de verdade.

O que acontecerá doravante? Os esforços da MS serão coroados de êxito? A tendência de crescimento do Windows 7 se manterá? Se acelerará?

Não sei. Só quem sabe é o mercado e seus nebulosos desígnios. Mas sei que chegou a hora de tirar o Windows XP de minha máquina auxiliar. Se a MS não dá mais suporte para ele, não serei eu que o darei respondendo a perguntas de leitores (brincadeira; vou, de fato, removê-lo da máquina auxiliar, mas ele continuará reinando virtualmente na máquina de trabalho onde tenho instalado o Windows XP Mode).

Espero, porém, não precisar escrever ainda outra coluna anunciando, mais uma vez, a morte do XP (embora suspeite que, querendo ou não, provavelmente terei que fazê-lo).

Quem viver, verá.

B.Piropo

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