A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes, impulsionados pelo avanço de seus negócios de infraestrutura e aplicações em nuvem. O destaque do período foi o crescimento das Obrigações de Desempenho Remanescentes (RPO), que atingiram US$ 638 bilhões, um aumento de US$ 85 bilhões em relação ao trimestre anterior, refletindo principalmente a expansão da demanda por projetos de inteligência artificial em larga escala.
A companhia registrou receita total de US$ 19,2 bilhões no quarto trimestre, alta de 21%, enquanto a receita combinada de serviços em nuvem (IaaS e SaaS) alcançou US$ 9,9 bilhões, crescimento de 47%. O principal motor desse avanço foi a área de Infraestrutura em Nuvem, cuja receita saltou 93%, chegando a US$ 5,8 bilhões. Já as Aplicações em Nuvem registraram receita de US$ 4,1 bilhões, com expansão de 10%.
O desempenho também se refletiu na rentabilidade. O lucro por ação (EPS) GAAP do trimestre avançou 21%, atingindo US$ 1,45, enquanto o indicador não-GAAP cresceu 24%, chegando a US$ 2,11. O lucro líquido atribuível aos acionistas alcançou US$ 4,2 bilhões, alta de 23%.
No acumulado do ano fiscal de 2026, a Oracle registrou receita recorde de US$ 67,4 bilhões, crescimento de 17%. A receita de nuvem chegou a US$ 34 bilhões, avanço de 39%, consolidando a estratégia da empresa de ampliar sua participação no mercado de infraestrutura para aplicações de inteligência artificial.
A receita anual de Infraestrutura em Nuvem atingiu US$ 18,1 bilhões, crescimento de 77%, enquanto a área de Aplicações em Nuvem somou US$ 15,9 bilhões, alta de 11%. O lucro por ação GAAP fechou o exercício em US$ 5,83, crescimento de 34%, e o lucro por ação não-GAAP alcançou US$ 7,63, avanço de 27%.
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Segundo a companhia, a maior parte do crescimento das RPOs observada nos últimos dois trimestres está associada a grandes contratos relacionados à inteligência artificial. Nesses acordos, clientes realizam pagamentos antecipados para aquisição de GPUs ou fornecem diretamente os equipamentos necessários para os projetos de IA hospedados na infraestrutura da Oracle. Atualmente, a parcela de hardware pré-paga ou fornecida pelos clientes nesses contratos soma US$ 75 bilhões.
Esse modelo, de acordo com a empresa, reduz significativamente a necessidade de captação de recursos para sustentar a expansão dos datacenters voltados ao treinamento e à inferência de modelos de IA.
O forte ritmo de crescimento levou a Oracle a registrar fluxo de caixa operacional recorde de US$ 32 bilhões no ano fiscal de 2026, alta de 54%. Ao mesmo tempo, os investimentos em infraestrutura resultaram em fluxo de caixa livre negativo de US$ 23,7 bilhões no período.
A Oracle atribui boa parte do desempenho à crescente demanda por soluções de inteligência artificial. A companhia afirma que seu Oracle Multicloud AI Database registrou crescimento de 404% no quarto trimestre, tornando-se o negócio de expansão mais acelerada da história da empresa.
Outro foco estratégico é a área de saúde. A empresa anunciou que sua suíte Oracle Health deverá incorporar uma versão totalmente baseada em IA do sistema Cerner para gestão do atendimento de pacientes em hospitais e clínicas.
Segundo a companhia, aplicações de IA voltadas à saúde poderão reduzir custos operacionais, acelerar o desenvolvimento de medicamentos e tornar mais eficiente a condução de ensaios clínicos, ampliando o acesso a novos tratamentos.
Para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a Oracle projeta crescimento de receita entre 27% e 29%. Já a receita de nuvem deverá avançar entre 58% e 64% em dólares. A expectativa para o lucro por ação não-GAAP varia entre US$ 1,72 e US$ 1,76.
A companhia manteve a previsão de receita total de US$ 90 bilhões para o ano fiscal de 2027 e elevou a projeção de lucro por ação não-GAAP para US$ 8,05. Para sustentar a expansão da infraestrutura necessária aos projetos de inteligência artificial, a empresa prevê captar aproximadamente US$ 40 bilhões por meio de dívida e capital próprio ao longo do exercício.
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