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Segurança e adaptabilidade são os principais desafios do vibe coding, afirma especialista da Unicamp

Em tempos de inteligência artificial (IA) e de desenvolvimento via vibe coding, o professor do Instituto de Computação (IC) da Unicamp e diretor do Record.ai, Anderson Rocha, iniciou sua palestra no IT Forum Na Mata, evento com oferecimento Buildbox, com o lembrando aos presentes que a criação de um software vai muito além do código. “Reduzir o software a escrever código é como reduzir uma construção a empilhar tijolos”, disse. Esta foi apenas a primeira de muitas provocações feitas ao longo da noite.

Vista como apenas uma das etapas do processo de criação, Rocha elencou outras fases essenciais de um projeto que só poderiam ser feitas por humanos, como compreender requisitos, desenhar a arquitetura, realizar o design dos componentes, integrar dados e APIs, observar a qualidade dos testes e do deploy e, por fim, garantir a segurança do sistema, o que ele considera o maior gargalo de práticas como o vibe coding.

O desafio, segundo o especialista, se concentra em dois aspectos: o primeiro está ligado à lógica por trás do código gerado, que muitas vezes não é compreendida pelo desenvolvedor, trazendo dificuldades na hora de solucionar suas brechas. “Se você desenvolve algo só com IA e não consegue entender, como você vai garantir a segurança daquele sistema?”, questionou.

O segundo aspecto estaria relacionado à evolução e adaptabilidade dos programas atuais. Se antes os sistemas eram formados por blocos monolíticos, hoje os aplicativos passam por upgrades constantes para se manterem atualizados em relação às demandas dos usuários e a novas funcionalidades e perigos que chegam ao mercado. “O software não é mais um pacote monolítico, ele evolui ao longo do tempo. E se ele evolui, e você tentar modificar algo que você não entende, a probabilidade de inserir problemas é grande.”

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A solução seria então concentrar o uso da IA em problemas específicos, isolados e que não exigem manutenção contínua. A chave, de acordo com Rocha, é lembrar que, ao criar, as tecnologias de inteligência artificial focam no resultado e não no código, por isso tarefas como autocomplete contextual, tradução de linguagens, montagem de esqueletos de testes, explicação de código legado e criação de documentação são adequadas a este tipo de ferramenta.

Dentro da indústria, o vibe coding também faria sentido em situações como criação de protótipos para validação de ideias, hackathons, provas de conceito e até aprendizado e exploração de novas tecnologias. “Notem que, nesse contexto, o papel do humano se torna o de um editor. Durante muito tempo, no desenvolvimento de software, o nosso papel era o de um tradutor, mas agora isso mudou. O editor precisa ser humano.”

O professor explicou ainda que a adoção em massa do vibe coding e a adaptação ao que ela realmente pode entregar são algo natural diante da chegada da IA, que, além de veloz, está modificando bases fundamentais de todos os trabalhos. Ele ressaltou ainda que o panorama traçado ao longo da palestra parte das tecnologias de hoje, mas que isso pode mudar nos próximos anos.

Para Rocha, a inteligência artificial é a 22ª tecnologia de propósito geral, ou seja, que tem impacto para além do ambiente tecnológico, afetando o cotidiano de todas as áreas, como fez a eletricidade há alguns séculos. “Passamos os últimos 70 anos tentando fazer a máquina pensar. Nos próximos 20, vamos precisar fazer o humano não agir como máquina”, enfatizou o pesquisador.

Diante de tantas mudanças, o professor sugeriu que as próximas tecnologias sejam vistas como uma forma de ampliar a inteligência humana, reforçando na próxima geração de desenvolvedores características como pensamento crítico, senso de qualidade, curiosidade, comunicação e capacidade de alinhamento com outras pessoas. “Precisamos de pessoas que queiram aprender sobre o que vier, porque vai vir muita coisa. A IA não está sozinha, são cinco tecnologias exponenciais com acelerações exponenciais, e isso significa que a velocidade da mudança está aumentando.”

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