Accenture: IA deve evoluir para se tornar mais intuitiva e conectada às pessoas

Estudo Technology Vision 2024, da Accenture, aponta que ferramentas de IA evoluirão para se tornar “humanas por princípio”

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4:30 pm - 10 de janeiro de 2024
NTT Data, inteligência artificial, IA, regulação, accenture, fatores de sucesso, Gartner Imagem: Shutterstock

A IA generativa e outras tecnologias disruptivas continuarão evoluindo para se tornar mais intuitivas para as pessoas. Essa é a leitura do Technology Vision 2024, novo levantamento divulgado nesta terça-feira (09) pela Accenture que antecipa uma nova era de produtividade e criatividade com ferramentas “humanas por princípio”.

Segundo o relatório, que ouviu consumidores e executivos de 20 países, incluindo no Brasil, as tecnologias disruptivas se tornarão ainda mais integradas aos diferentes aspectos da vida cotidiana e profissional, cada vez mais onipresentes e invisíveis. A expectativa, por exemplo, é que a IA generativa impacte 44% das horas de trabalho de todas as indústrias, promovendo melhorias de produtividade em 900 tipos diferentes de empregos e gerando até US$ 8 bilhões em valor econômico global.

“À medida que a IA, a computação espacial e as tecnologias de detecção corporal evoluem até um ponto em que parecem imitar as capacidades humanas e se tornam invisíveis, o que resta são as pessoas – habilitadas com novas capacidades para realizar coisas que antes consideravam impossíveis”, apontou Paul Daugherty, diretor de tecnologia e inovação da Accenture.

“Esta mudança profunda na forma como as pessoas trabalham, vivem e aprendem irá acelerar uma onda de mudanças sem precedentes em todos os setores, desde o varejo e entretenimento até a medicina e a manufatura. As organizações que agirem agora para reinventar os negócios e formas de trabalhar utilizando tecnologias ‘humanas por princípio’ redefinirão o que significa ser um líder da indústria.”

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Uma das principais tendências identificadas pelo levantamento é o avanço das recomendações feitas a partir de grandes volumes de dados combinados por IA. De acordo com a Accenture, em vez de vasculhar montanhas de resultados de mecanismos de pesquisa, as pessoas utilizarão cada vez mais a IA para obter respostas selecionadas e personalizadas.

Para Michael Biltz, líder do grupo de P&D Accenture Technology Vision, essa transformação implica em algumas mudanças Uma delas é a forma como usamos a IA, que se tornará, cada vez mais, uma espécie de “via de mão dupla”. “Nós começaremos a ver tecnologias e serviços que ‘olham para nós’ para entender o que está acontecendo: sim, tudo será personalizado e individualizado, mas ao mesmo tempo a tecnologia estará ativamente nos observando e se adaptando para interagir melhor conosco”, explicou. “Será mais um relacionamento do que nós, essencialmente, utilizando uma ferramenta”.

Além disso, conforme as inteligências artificiais se tornam mais inteligentes e com capacidades generalistas, pontuou Biltz, elas passarão a atuar cada vez mais como nossos representantes. “O que nós estamos vendo é o surgimento de agentes que são inteligentes e fáceis de se configurar o suficiente para ‘aliviar’ um pouco as tarefas de nossas vidas diárias”, disse o executivo.

Na visão do líder da Accenture Technology Vision, tarefas como preparar uma lista de compras ou tentar renegociar um plano junto ao seu provedor de telecomunicações são exemplos desse processo. “Vamos pegar as coisas que as pessoas não querem fazer e as decisões simples e vamos entregá-las a agentes”, pontuou. Isso se aplicará também ao ecossistema corporativo: 96% dos executivos participantes da pesquisa concordaram que o aproveitamento dos ecossistemas de agentes de IA será uma oportunidade “significativa” para suas organizações nos próximos três anos.

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Nesse cenário futuro, no entanto, há algumas “perguntas que permanecem em aberto”, segundo Biltz, e que vão precisar ser debatidas pela indústria. Uma delas é como garantir que esses agentes estejam, de fato, trabalhando de acordo com o interesse do usuário. Além disso, há preocupações em relação à transparência do processo – com o avanço do uso de chatbots e outros agentes de IA, a necessidade de avisar outras pessoas sobre quando elas estão conversando com um robô se torna maior.

“Será um passo em direção ao fim do anonimato”, explicou Biltz. “Há uma ideia romântica do tempo em que a internet era anônima e esse era seu verdadeiro poder. Mas é cada vez mais importante entender que, se estou usando IA e agentes, eles precisam estar vinculados a para quem eles trabalham. Não apenas do ponto de vista de confiança, mas também para a compreensão de quais agentes estão fazendo o que e quem responde por eles.”

Também na avaliação do executivo, nós estamos “atrasados” no enfrentamento deste desafio. Na sua leitura, atualmente, nossos sistemas estão acostumados com tecnologias “estáticas”. A IA, no entanto, evolui constantemente, o que exige um novo paradigma de “pesos e contrapesos” para garantir que agentes sejam monitorados de acordo com o tipo de informação que geram e fornecem. “Isso não existe no mundo da tecnologia, na extensão que precisaremos”, detalhou.

Os dados para o relatório Technology Vision 2024 foram recolhidos a partir de um conselho consultivo externo composto por dezenas de especialistas, abrangendo o meio acadêmico, as empresas e o setor público. A pesquisa global primária inclui 3.450 executivos C-Level em 21 setores e mais de 20 mil consumidores entrevistados de outubro a novembro de 2023 em 20 países, incluindo o Brasil.

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Rafael Romer

Rafael Romer é repórter do IT Forum. É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Tem mais de 12 anos de experiência na cobertura dos segmentos de TI, tecnologia e games, com passagens pelo Olhar Digital, Canaltech, Omelete Company, Trip Editora e IG.

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