Notícias

Big techs passam a responder por conteúdo criminoso de usuários, decide STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quinta-feira (26) um julgamento que marca uma virada nas regras para as grandes plataformas digitais no Brasil. Após 12 sessões de debates, os ministros definiram por 8 votos a 3 que as empresas de tecnologia passam a ter maior responsabilidade sobre conteúdos criminosos publicados por usuários em suas plataformas.

A decisão considera parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que até então protegia as plataformas de responsabilização por publicações de terceiros, exceto quando descumprissem ordens judiciais específicas para remoção de conteúdo.

“Há um estado de omissão parcial que decorre do fato de que a regra geral não confere proteção suficiente a bens jurídicos constitucionais de alta relevância, proteção de direitos fundamentais e da democracia”, estabelece a tese de repercussão geral aprovada pelo tribunal.

Leia também: HPE apresenta novo programa unificado para parceiros com foco em IA e nuvem híbrida

Critérios mais rígidos para moderação

Segundo a nova tese, as empresas respondem como regra geral por crimes ou atos ilícitos praticados em suas plataformas e por contas falsas. No entanto, para crimes contra a honra – injúria, calúnia e difamação –, permanece o sistema atual, que exige ordem judicial para remoção do conteúdo.

A tese funcionará como orientação nacional para o Poder Judiciário no julgamento de processos similares, criando um precedente vinculante para tribunais de todo o país. O impacto prático será o aumento da pressão sobre as empresas para aprimorarem seus sistemas de moderação de conteúdo.

Resistência no tribunal

Os ministros André Mendonça, Edson Fachin e Kassio Nunes Marques formaram a corrente vencida, defendendo que a regulamentação deveria partir do Congresso Nacional, não do Judiciário. A resistência reflete um debate mais amplo sobre os limites entre os poderes na regulamentação da internet.

O consenso final só foi alcançado após uma reunião de quatro horas no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF. O encontro, que incluiu um almoço, foi necessário para alinhar as posições divergentes dos magistrados.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

7 horas ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

8 horas ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

8 horas ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

8 horas ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

9 horas ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

9 horas ago