Máquina dos Sonhos II: Placa-mãe e o resto

A placa-mãe
A placa-mãe, Crosshair IV Formula da ASUS, é um primor. Um primor absoluto. Veja uma análise de suas virtudes no artigo de Hilbert Hagedoorn publicado no sítio “The Guru of 3D“.
Uma placa destas, na verdade, é muito mais do que eu preciso. Ela foi concebida tendo em mente o usuário entusiasta por jogos e disposto a tirar o máximo proveito de cada componente de sua máquina, inclusive e principalmente do microprocessador e memória principal. Por isso não somente oferece recursos de ajustar suas tensões de alimentação e frequências de operação para aprimorar o desempenho (“overclock“) até níveis inimagináveis e com uma extraordinária flexibilidade, como também, o que talvez seja mais importante, quando alguma coisa não dá certo, permite efetuar a recuperação das configurações padrão com um simples toque em um botão. E mais: através de um recurso elegante e inteligente denominado “ROG Connect” (ROG são as iniciais de “Republic Of Gamers“, uma série especial de placas-mãe da ASUS desenvolvidas especialmente para entusiastas de jogos) é possível conectar uma porta USB específica situada na traseira da placa a um segundo micro (em geral um portátil) e, com o auxílio desta máquina adicional, não somente alterar as configurações do BIOS da placa (inclusive as voltadas para aumento do desempenho) como diagnosticar seu funcionamento “à quente” como se faz com os carros de Formula I. E eu não preciso de nada além de, digamos, um bom carro esportivo. Mas era ela que estava à mão e foi a ela que recorri. Afinal, trata-se da máquina dos sonhos e, em casos assim, melhor pecar por excesso que por falta.
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A placa é tão avançada no que toca aos aspectos de configuração e aceleração do desempenho que oferece alguns recursos peculiares. Por exemplo: se durante a inicialização a máquina travar em virtude da falha de um componente, pode-se identificar qual o responsável pela falha examinando quatro minúsculos LEDs situados junto ao conector principal de força que indicam o estado da UCP, memória principal, placa de vídeo e dispositivo de inicialização (número 1 da Figura 1). E, para dar mais segurança a quem se aventurar a alterar as tensões de alimentação, a Crosshair IV Formula oferece o recurso denominado “Probelt”, oito pontos de medição de tensão situados bem à mão, junto à borda da placa e próximo aos conectores (“slots“) da memória principal (número 2 da Figura 1) onde, com a ajuda de um multímetro, se pode conferir as tensões de alimentação, desde a da UCP e memória até as dos circuitos integrados do “chipset“.
A placa vem com soquete AM3, portanto aceita apenas processadores da AMD. De preferência os do topo da linha: foi concebida para ser usada com processadores AMD Phenom II e aceita os novos modelos de seis núcleos.
Seu “chipset” é composto por dois circuitos integrados. O usado como ponte sul (“southbridge“) é o SB850, com suporte nativo para seis portas SATA de alto desempenho (padrão SATA revisão 3.0 ou SATA-600, com taxa de transferência de 6 Gb/s; note, no número 3 da Figura 1, que as seis portas SATA-600 situadas na placa estão localizadas de tal forma que os cabos encaixam na horizontal, o que evita que uma placa de vídeo excessivamente longa interfira fisicamente com a conexão ). Além destas portas, que comportam a configuração em RAID, há duas portas SATA adicionais, estas aderentes ao padrão SATA-300, uma delas (número 4 na figura 1) situada junto ao conjunto de portas SATA-600 e destinada preferencialmente a acionadores de discos óticos (CDs e DVDs) e a segunda, externa, entre os conectores do painel traseiro.
Já a ponte norte (“northbridge“), além dos dois conectores PCI, controla a enormidade de 42 pistas PCI Express distribuídas por quatro conectores (“slots“) PCI-E (os vermelhos que aparecem na Figura 1). Destes, o primeiro e o terceiro (da direita para a esquerda; o conector 1 é o mais próximo da UCP) usam sempre 16 pistas ? portanto, quem pretende instalar duas placas de vídeo em configuração “crossfire“, um recurso suportado pela placa-mãe, deve encaixá-las nestes dois “slots“.
Um ponto interessante a notar na Crosshair IV Formula é que ambos os CIs que compõem o “chipset“, assim como o conjunto dos circuitos reguladores de tensão da placa-mãe, são dotados de dissipadores de calor passivos, todos conectados através de um condutor de calor (“heatpipe“).
Já há muito tempo os controladores de memória primária dos processadores AMD são incorporados aos próprios processadores e não mais à chamada ponte norte. No caso da Crosshair IV Formula, são suportados módulos DDR3 de até 4 GB de capacidade cada e frequência máxima de 1866 MHz (que podem ser ajustados para trabalhar em até 2 GHz caso se pretenda acelerar o desempenho do sistema). Com isto é possível instalar um total de 16 GB de memória principal povoando os quatro conectores (“slots“) de memória, dois pretos e dois vermelhos (situados, na figura 1, imediatamente abaixo do soquete da UCP), com um módulo de 4GB em cada um.
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Um ponto interessante : a Crosshair IV Formula vem com o “GO Button” (número 5 na Figura 1). Este botão, ao ser acionado imediatamente antes do autoteste de partida (POST), dispara a função “Mem OK” que exibe na tela, durante a inicialização, o resultado do teste dinâmico dos módulos de memória, indicando eventuais incompatibilidades com o chipset. Porém este mesmo botão, se pressionado com a máquina em funcionamento, altera os ajustes do BIOS de acordo com um arquivo adrede preparado e gravado na própria memória do BIOS. Neste arquivo se pode armazenar ajustes para acelerar o desempenho. Estes ajustes, evidentemente, podem ser bastante agressivos, posto que é possível revertê-los dinamicamente. A placa Crosshair IV Formula deve ser o paraíso dos “overclockers“…
E por falar em “overclock“: na lateral da placa há quatro interruptores tipo botão (número 6 da Figura 1). Os dois primeiros de baixo para cima servem, respectivamente, para reinicializar (“reset“) o sistema e ligar a máquina, evitando aquela chateação de “futucar” o conjunto de contatos dos interruptores do painel frontal com uma chave de fenda ou outro objeto metálico. Estes dois botões são extremamente úteis quando se efetua testes de configuração da placa sobre a bancada. Os outros dois são o interruptor “core unlocker” (que “destrava” todos os núcleos do processador) e “Turbo Key II” (que executa um “overclock” automático). No parágrafo anterior eu escrevi “deve ser”? Falha nossa. A Crosshair IV Formula é o paraíso dos “overclockers“…
Além disso, o trivial. A placa não oferece suporte para dispositivos IDE (ou PATA, de “parallell ATA“) nem acionador de disco flexível (“drive” de disquete). Mas oferece 12 portas USB 2.0, seis delas no painel traseiro, duas portas USB 3.0, ambas no painel traseiro, duas portas IEEE 1394 (ou “firewire“), uma no painel traseiro e uma interna, e uma controladora de rede padrão Gigabyte LAN no painel traseiro. Além disso dispõe de uma controladora de áudio de oito canais de alta definição (HD Audio) e oito conectores para ventoinhas externas. Todos os capacitores são fabricados no Japão, de alta qualidade, e os contatos de alguns conectores (como os de áudio analógico) são banhados a ouro.
Quer dizer: era o que faltava para se poder afirmar que esta placa-mãe é uma joia.
