Ig Nobel 2011 – Parte I

Matemática, Química e fisiologia
Comecemos pelo Ig Nobel de matemática 2011, concedido a um punhado de ganhadores (que, por razões que se tornarão claras adiante, não compareceram à cerimônia para receber seus galardões). Todos tiveram o mérito ? que os fez merecer o laurel ? de ensinar ao mundo que se deve ser mais cuidadoso ao estabelecer hipóteses quando se efetuam cálculos matemáticos. Os vencedores foram: a Americana Dorothy Martin que previu o fim do mundo para 1954, o também Americano Pat Robertson, segundo quem o mundo teria acabado em 1982, a ? novamente ? americana Elizabeth Clare Prophet, cuja previsão para o final do mundo seria em 1990, o coreano Lee Jang Rim, para quem o mundo teria acabado em 1992, a ugandense Credonia Mwerinde, segundo a qual o fim do mundo teria ocorrido em 1999 e, finalmente, o americano Harold Camping que, inicialmente, previu o fim do mundo para 1994, mas posteriormente corrigiu sua previsão para 21 de Outubro de 2011 ? se bem que, em minha modesta opinião, neste último caso penso que o conselho editorial da Improbable Resarch tenha sido um tanto precipitado. Vai que…
O Ig Nobel de Química 2011 foi concedido a toda uma equipe de cientistas japoneses (que compareceu em peso à cerimônia de entrega) formada por Hideaki Goto, Tomo Sakai, Koichiro Mizoguchi, Yukinobu Tajima, Makoto Imai e outros por sua descoberta ? descrita e patenteada em “Odor generation alarm and method for informing unusual situation” ? de um alarme odorífico para denunciar situações potencialmente perigosas e, conforme foi esclarecido pelos autores na cerimônia de entrega, acordar vítimas potenciais caso estejam dormindo. Segundo a patente, “o detector detecta a ocorrência de uma situação incomum e libera um sinal de saída. Quando o sinal emitido pelo detector é introduzido no controlador este faz com que a seção motora libere o material odorante de acordo com o sinal de detecção“. O trabalho consistiu principalmente na determinação da densidade ideal do material odorante utilizado. Que se trata da raiz forte, o popular “wasabi“, aquele tempero verde, pungente, usado como acompanhamento de comida japonesa, em forma de “spray“. Um jato daquela coisa densidade certa (determinada pela pesquisa) realmente deve acordar até defunto e duvido que alguém permaneça por muito tempo em um recinto onde tal alarme foi acionado…

Os ganhadores do Ig Nobel de Fisiologia 2011 foram um grupo de quatro pesquisadores de origens diversas, a saber, a britânica Anna Wilkinson, a doutora Natalie Sebanz, que consta como cidadã da Holanda, Hungria e Áustria (o que já se constitui em uma façanha por si mesma), Isabella Mandl, da Áustria, e Ludwig Hube, também austríaco. A pesquisa esclarece ? pelo menos parcialmente ? uma questão que sempre me intrigou e que é explicitada em termos científicos logo no início do trabalho de pesquisa que descreve o experimento: “No evidence of contagious yawning in the red-footed tortoise Geochelone carbonari“: seriam os bocejos “um padrão de comportamento cujo estímulo é a observação de outro bocejo, ou seja, o resultado da imitação inconsciente emergindo das ligações estreitas entre percepção e ação, ou seriam o resultado da empatia que abrange a habilidade de se envolver em uma atribuição de estado mental“? Quem se der ao trabalho de ler o relato da pesquisa, publicado em oito longas páginas da “Current Zoology”, Vol. 57, nr 4, pp 477-484 cobertas de gráficos e tabelas (das quais foi obtida a figura acima) poderá, afinal, esclarecer a questão: pelo menos entre as tartarugas da espécie Geochelone carbonari o bocejo NÃO é contagioso. As duas autoras compareceram à cerimônia e receberam o prêmio com garbo e elegância.
