Ig Nobel 2011 – Parte I

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6:27 pm - 11 de outubro de 2011

Matemática, Química e fisiologia

Comecemos pelo Ig Nobel de matemática 2011, concedido a um punhado de ganhadores (que, por razões que se tornarão claras adiante, não compareceram à cerimônia para receber seus galardões). Todos tiveram o mérito ? que os fez merecer o laurel ? de ensinar ao mundo que se deve ser mais cuidadoso ao estabelecer hipóteses quando se efetuam cálculos matemáticos. Os vencedores foram: a Americana Dorothy Martin que previu o fim do mundo para 1954, o também Americano Pat Robertson, segundo quem o mundo teria acabado em 1982, a ? novamente ? americana Elizabeth Clare Prophet, cuja previsão para o final do mundo seria em 1990, o coreano Lee Jang Rim, para quem o mundo teria acabado em 1992, a ugandense Credonia Mwerinde, segundo a qual o fim do mundo teria ocorrido em 1999 e, finalmente, o americano Harold Camping que, inicialmente, previu o fim do mundo para 1994, mas posteriormente corrigiu sua previsão para 21 de Outubro de 2011 ? se bem que, em minha modesta opinião, neste último caso penso que o conselho editorial da Improbable Resarch tenha sido um tanto precipitado. Vai que…

O Ig Nobel de Química 2011 foi concedido a toda uma equipe de cientistas japoneses (que compareceu em peso à cerimônia de entrega) formada por Hideaki GotoTomo SakaiKoichiro MizoguchiYukinobu TajimaMakoto Imai e outros por sua descoberta ? descrita e patenteada em “Odor generation alarm and method for informing unusual situation” ? de um alarme odorífico para denunciar situações potencialmente perigosas e, conforme foi esclarecido pelos autores na cerimônia de entrega, acordar vítimas potenciais caso estejam dormindo. Segundo a patente, “o detector detecta a ocorrência de uma situação incomum e libera um sinal de saída. Quando o sinal emitido pelo detector é introduzido no controlador este faz com que a seção motora libere o material odorante de acordo com o sinal de detecção“. O trabalho consistiu principalmente na determinação da densidade ideal do material odorante utilizado. Que se trata da raiz forte, o popular “wasabi“, aquele tempero verde, pungente, usado como acompanhamento de comida japonesa, em forma de “spray“. Um jato daquela coisa densidade certa (determinada pela pesquisa) realmente deve acordar até defunto e duvido que alguém permaneça por muito tempo em um recinto onde tal alarme foi acionado…

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Os ganhadores do Ig Nobel de Fisiologia 2011 foram um grupo de quatro pesquisadores de origens diversas, a saber, a britânica Anna Wilkinson, a doutora  Natalie Sebanz, que consta como cidadã da Holanda, Hungria e Áustria (o que já se constitui em uma façanha por si mesma), Isabella Mandl, da Áustria, e Ludwig Hube, também austríaco. A pesquisa esclarece ? pelo menos parcialmente ? uma questão que sempre me intrigou e que é explicitada em termos científicos logo no início do trabalho de pesquisa que descreve o experimento: “No evidence of contagious yawning in the red-footed tortoise Geochelone carbonari“: seriam os bocejos “um padrão de comportamento cujo estímulo é a observação de outro bocejo, ou seja, o resultado da imitação inconsciente emergindo das ligações estreitas entre percepção e ação, ou seriam o resultado da empatia que abrange a habilidade de se envolver em uma atribuição de estado mental“? Quem se der ao trabalho de ler o relato da pesquisa, publicado em oito longas páginas da “Current Zoology”, Vol. 57, nr 4, pp 477-484 cobertas de gráficos e tabelas (das quais foi obtida a figura acima) poderá, afinal, esclarecer a questão: pelo menos entre as tartarugas da espécie Geochelone carbonari o bocejo NÃO é contagioso.  As duas autoras compareceram à cerimônia e receberam o prêmio com garbo e elegância.

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