E daí? Que que tem? Qual o problema? Que mal faz?

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11:06 am - 18 de setembro de 2011

Corrupção no atacado

Há a corrupção dos políticos que elegemos para fazer nossas leis e administrar o país, estados e municípios, indiscutivelmente a mais óbvia e visível. Recentemente tivemos no Rio de Janeiro um governo (com minúscula mesmo, que este não merece maiúscula nem no nome) que, ao findar, teve o chefe de polícia preso sob a acusação de, enquanto exercia suas funções, chefiar quadrilha armada. Um acontecimento que, tanto quanto eu saiba, é inédito na história da humanidade. E basta ler os jornais, acompanhar os noticiários no rádio e televisão ou, talvez, prestar atenção nas conversas nas mesas de bar para ter certeza que não se trata de lenda urbana: a corrupção dos políticos existe e permeia as estruturas dos três poderes (há alguns anos eu cultivava a ilusão que o judiciário era a exceção que confirmava a regra, mas veio o juiz Lalau com seus apartamentos em Miami e, depois, alguns de seus colegas presos por venda de sentença que mataram mais esta crédula ilusão).

Há também a corrupção policial, mas sobre esta não convém nos estendermos muito considerando o que ocorreu recentemente com a Juíza Patrícia Acioli em Niterói, covardemente assassinada com quinze disparos de arma de fogo por haver decretado a prisão de três policiais corruptos. Tenho algum amor à parca parcela de vida que ainda me resta e pretendo aborrecer vocês com minhas colunas por mais algum tempo para me arriscar a detalhar o assunto. Mas que a corrupção policial existe e é tão reprovável quanto a que assola a classe política é indiscutível.

Convém não esquecer também a corrupção administrativa. Não há muito tempo assisti a um quadro humorístico que retratava uma repartição pública cujo peso administrativo dos despachos concedidos dependia do tamanho do carimbo usado que, por sua vez, era diretamente proporcional ao valor pecuniário da propina. O mais eficaz era o “carimbaço”, cujo emprego exigia que uma considerável quantia fosse desembolsada. E, embora o retrato fosse um tanto caricato, o que não falta por aí são repartições públicas ? e privadas ? que seguem o mesmo figurino. Inclusive alojando a moça cuja única função era abrir a gaveta inferior do arquivo, para os que se lembram do quadro.

E estas são apenas as manifestações mais visíveis da corrupção. Pense um pouco e certamente se lembrará de outras que vão desde o porteiro do teatro que aceita discretamente uma nota dobrada em vez do ingresso até o fiscal que organiza filas e embolsa o equivalente à popular “cervejinha” para reduzir o tempo de espera de alguns privilegiados.

Naturalmente o povo brasileiro tem se manifestado contra todas elas. O que é digno dos maiores encômios, para dizer o mínimo. Bradamos todos, altissonantes, contra a corrupção, com a natural exceção dos que dela se locupletam ? se bem que, curiosamente, mesmo alguns destes têm se manifestado contra de forma efusiva e, o que é pior, sincera, fenômeno curioso e só explicável porque há quem considere que a corrupção é como certas doenças que só “dão” nos outros.

Mas o que dizer sobre a corrupção trivial? Aquela pequena corrupção que grassa por aí, que passa quase despercebida e por vezes afeta justamente àqueles que tão bravamente se alevantam contra a outra, a que chega às manchetes, a dos políticos, administradores, policiais, membros do judiciário, funcionários públicos ou fiscais disto ou daquilo?

Ou será que um povo que se movimenta tão maciçamente contra a corrupção é majoritariamente incorruptível?

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