Categories: Notícias

Como o design pode ajudar a alavancar negócios

O design sempre foi visto como algo relativo à arte e ao visual. Mas, no contexto atual de transformação digital na qual empresas estão buscando novos caminhos para permanecerem relevantes, criarem engajamento e fidelização (e consequentemente uma receita significativa), o design surge como arma poderosa.
Esse foi o ponto abordado nessa quarta-feira (12/8) por especialistas do segmento no evento Design Matters, realizado pela Adobe, em São Paulo. Durante suas apresentações, José Colucci, diretor sênior de Portfólio e parceiro associado da agência especializada em design IDEO; Gisela Schulzinger, Chief Branding Officer da Panda Design e professora da ESPM; e Fred Gelli, sócio e diretor de criação da Tátil Design de Ideias, concordam que quem investe em criatividade sai à frente.
Isso também é o que aponta estudo realizado pela Forrester. Na pesquisa para verificar o impacto da criatividade nos resultados de negócios, companhias que incentivam a criatividade conquistam participação de mercado 1,5 vez maior do que as concorrentes.
O desafio atual é: já que a tecnologia trouxe a possibilidade de tornar o mercado ainda mais competitivo, como se destacar?
Não há uma fórmula exata, claro. Mas, na opinião de Gelli, o que aumenta as chances de acerto é criar ações alinhadas ao propósito da empresa. “De modo geral, nenhuma espécie evolui por antecipação. É da natureza poupar energia. Então, mudamos somente quando há necessidade”, conta. “O grande motivador para a mudança é o propósito”, opina.
Para ele, é preciso analisar, dentre todas as competências essenciais que a empresa possui, aquilo que se faz de melhor. “As companhias tentam copiar umas às outras e parecer o que não são. Nesse cenário, a chance de tombo é maior”, afirma.
Cultura da prototipagem
Outro ponto analisado foi o desenvolvimento de produtos ou serviços. É comum o investimento em protótipos que mostrem os prós e contras – ponto importante no processo de criação, afinal é dessa forma que pode-se avaliar a relevância do produto.
O grande problema é o tempo e o investimento que as empresas comumente aplicam nesse quesito. Para Colucci, o protótipo deve seguir a regra dos três “Rs”: rústico, rápido e relevante. O especialista conta que diversos dos projetos que realizam são feitos com protótipos simples, usando caixas de papelão, por exemplo.
A ideia é de que o produto possa ser visualizado para, então, ser avaliado e refinado. “Classicamente, a maioria das empresas pensa para fazer”, diz ele, completando que o ideal seria o contrário: fazer para, então, pensar. “Quando você demora para fazer um protótipo, acaba se apegando àquela criação, não aceitando tão bem críticas posteriores”, afirma. “É como dizer para um pai que o filho dele é feio. Ninguém fica feliz em ouvir isso”, brinca.
De acordo com Colucci, ao fazer um protótipo rápido e rústico, em cinco minutos é possível verificar se a ideia é viável ou não, poupando tempo e dinheiro em ideias que não teriam futuro, por exemplo.
Também no quesito relevância deve-se dar destaque para o usuário. Em uma economia na qual o cliente está no centro, é preciso avaliar se uma ideia está atendendo às necessidades dos usuários.
Colucci afirma que é essencial ao negócio estudar de perto como o usuário realmente usa o produto. Apenas perguntar não é satisfatório. “As pessoas não fazem o que elas acham que fazem”, conta.
Para exemplificar esse ponto de vista ele utilizou um posto para abastecer o carro. A pessoa pode me fornecer cinco passos que ela costuma fazer nesse cenário, como chegar no posto, estacionar o carro, falar com o frentista, pagar e ir embora. Quando, na realidade, uma das primeiras coisas que ela faz é olhar em volta para ver se não tem algum elemento suspeito por perto. “Você só vai conseguir a riqueza de detalhes indo ao habitat dela e observando”, diz.
Outro item interessante para se diferenciar dos concorrentes e inovar é observar os extremos. Segundo o especialista, é comum que se leve em consideração apenas o que a média dos usuários faz. “Tendo insights sobre a vida das pessoas, é possível tem a oportunidade de gerar mais serviços e produtos”, diz. “A parte mágica da inovação é quando você pode criar produtos para novos usuários.”
Abrindo a mente
Os especialistas concordam que não é fácil mudar a cultura de uma empresa, mas, no atual cenário de constantes transformações, isso é algo necessário para a sobrevivência.
Os novos tempos demandam novas atitudes, de acordo com Gisela. “Isso significa que só vamos sobreviver se entendermos as mudanças e não lutarmos contra elas”, afirma. E, para isso, é preciso começar pequeno. “Encontrar parceiros que possam ajudar nessa nova empreitada”, afirma. “É difícil quebrar a barreira de uma única vez, então é preciso identificar àqueles elementos que apresentam coragem, quem se arrisca mais.”
Colucci concorda e complementa que o processo transformativo começa dentro das equipes. Além disso, o especialista argumenta que é preciso mais do que acertar, aceitar os erros e não reprimi-los. “O maior pecado de um ambiente propício para a criação é a punição de erros. Temos de estimular as pessoas a cometê-los [os erros] de forma inteligente, ou seja, o mais cedo possível”, diz. Errando antes, portanto, faz com que o acerto aconteça antes e com que as possíveis perdas sejam irrisórias.
O design thinking, por exemplo, é uma ferramenta que surge exatamente com o propósito de repensar modelos já ultrapassados, conta Gisela. Para ter sucesso, de acordo com a especialista, é necessário “repensar processosconsiderando a nova economia, que é compartilhada”, afirma. “Essa é a realidade e isso não tem mais volta.”

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

8 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

11 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

13 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

1 dia ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

1 dia ago