Transformando um notebook com o SSD Kingston V300

Os discos de tecnologia magnética nos acompanham há décadas. E ainda têm muitas outras pela frente. Discos magnéticos têm custo bastante acessível para armazenar informações em grande volume. Por outro lado há por parte dos usuários uma demanda frenética e quase sem limites pelo aspecto desempenho. Ninguém quer esperar demais até que seu computador saia da condição desligado para ?pronto para uso?. Também não deseja aguardar demais quando um programa é acionado.
A ideia de sistemas de armazenamento baseados em tecnologia não magnética não é nova, mas sempre esbarrou no fator custo, uma vez que memória permanente eletrônica sempre foi algumas ordens de grandeza mais custosa que os discos tradicionais. Com o grande desenvolvimento das memórias flash, essencialmente aquelas que são usadas, por exemplo, em pendrives (embora mais sofisticadas), alguma coisa mudou. Há alguns anos começaram a surgir os SSDs (Solid State Drives ? drives de estado sólido), ou seja, sistemas de armazenamento ?fixos?, sem partes móveis. Também são muito rápidos e com custos mais interessantes que outrora.
Todo um grande mercado surgiu. SSDs já são realidade em dispositivos de armazenamento de altíssimo desempenho, utilizados como repositório de grandes bancos de dados corporativos que exigem acesso incrivelmente ágil. No outro extremo há modelos bem simples e de pequena capacidade que já estão presentes em tablets e dispositivos que requerem grande mobilidade e também velocidade de acesso.
Recebi do fabricante Kingston o modelo V300 de SSD que visa um mercado de entrada. Visa este mercado mais pela capacidade do que por sua agilidade (conforme descreverei em seguida). Este modelo tem 60 GB que é suficiente para ser usado em notebooks com um determinado perfil de uso. É o caso do usuário que precisa mais de agilidade do que espaço. Portanto não espere guardar sua coleção de músicas e filmes em um disco desses.
Vide figura 1 – SSD Kingston SV300 de 60 GB testado ? embalagem original
Em minha opinião chega a ser um ?crime? usar um SSD para ?armazenamento bruto?, ou seja, apenas para guardar grandes arquivos que são pouco usados ou com pouca frequência. Embora não seja a solução mais prática, um notebook pode ter seu drive principal usando a tecnologia SSD e usar um disco externo para armazenar aqueles grandes volumes, arquivos grandes que são usados com pouca frequência. SSDs são ótimos para acesso a arquivos frequentes como o próprio sistema operacional e os programas do dia a dia.
Quando o SSD Kingston V300 chegou em minhas mãos logo pensei em submete-lo àqueles extensos e rigorosos testes específicos de velocidade, taxa de transferência de dados, tempo de acesso, etc. Meu lado ?científico? falou alto. Além disso, eu tive uma ideia diferente para este teste e para este texto. Vislumbrei uma situação bastante comum nas empresas, nos pequenos escritórios e também para alguns usuários domésticos, todos aqueles mais a vontade com seu notebook que tenham possibilidade de trocar o drive de seu disco.
Tinha um notebook encostado em meu escritório. Um equipamento de 4 ou 5 anos que já me foi bem útil. Trata-se de um Intelbrás N600w, um pequeno exemplar de tela de 12 polegadas, 4 GB de memória, processador Core 2 Duo de 1.7 Ghz e disco rígido de 120 GB. Esta máquina por seu tamanho diminuto foi para mim por um tempo meu ?mais que um netbook?. Ligeiramente maior que um netbook (que têm telas entre 9 e 10 polegadas), mas com um processador bastante ?digno? e mais rápido que um Atom. Mas esta máquina havia sofrido dois reveses. Seu disco magnético de 120 GB morrera muitos meses atrás (o famoso ?creck-creck?da morte) e pela quantidade de programas que eu instalei ela se tornou lenta. Mesmo antes de seu disco morrer eu a usava pouco por causa da morosidade.
Vide figura 2 – notebook Intelbras N600w propositalmente usado no teste
Existe uma característica dos discos magnéticos tradicionais que nem todas as pessoas conhecem, mas acabam por sentir seus efeitos. Como a informação é gravada em superfícies circulares (os discos), a velocidade linear de rotação da parte externa é bem maior que a velocidade da parte interna (matematicamente falando parte externa e interna têm a mesma velocidade angular, mas velocidades lineares bem distintas). Isso faz com que as primeiras informações gravadas em um disco magnético sejam acessadas mais rapidamente. Mas conforme o disco vai ficando mais cheio, novos dados são gravados na parte mais lenta do disco. Isso colabora para a sensação de ?era mais rápido no começo e agora está mais lento?. O gráfico abaixo ilustra bem o comportamento de um disco magnético tradicional. Vejam quem logo no começo a taxa de transferência é por volta de 77 MB/s e no final do disco diminui para 44 MB/s.
Vide figura 3 – HD convencional ? veja que a taxa de transferência é menor no final do disco
Já um SSD como o Kingston V300 não tem este tipo de comportamento. Não há pratos giratórios. Toda informação é armazenada em chips de memória de igual capacidade de transferência e de resposta homogênea para todos GB do disco. E pelo fato de ser usado um tipo especial de memória Flash a velocidade com que os dados são lidos e gravados é muito maior. A título de comparação veja o mesmo gráfico de taxa de transferência para o Kingston V300. Ele transfere dados perto de 4 a 6 vezes mais rápido que o disco mostrado no gráfico anterior.
Vide figura 4 ? SSD Kingston apresenta mesmo desempenho em todos os setores
Antes de contar a metamorfose que o pequeno notebook Intelbrás sofreu, vou finalizar a parte mais técnica deste texto contando que também existe uma medida bem importante que é ?tempo de acesso?. Um disco magnético comum demora em média 16 ms (milissegundos) para levar sua cabeça de leitura ao ponto médio da superfície onde estão os dados. Mas há setores do drive que para serem acessados demoram 10 ms e partes que demoram 30 ms. Já um SSD por ser memória pura, qualquer ponto para ser acessado tem a mesma latência e neste caso é perto de 0.1 ms (na média 160 vezes mais rápido) graças a não precisar mover partes para buscar os dados.
Um SSD pode ser disponibilizado em diversos formatos. Mas o que me parece o mais inteligente é aquele que mimetiza um disco rígido convencional. Com a mesma aparência, mesma dimensão, mesmo sistema de fixação (parafusos) e mesmos conectores (SATA ou SATA II), um SSD pode substituir de forma totalmente transparente um HD comum, sendo diversas vezes mais rápido e muito mais robusto (uma vez que não há partes móveis no dispositivo). Mas há SSDs em formatos de chip ou de placa mini-pci para serem usadas internamente dentro dos computadores, notadamente netbooks, tablets ou até mesmo smartphones. O SV300 como já pode ser visto nas fotos é do tipo ?imitação de disco rígido? e por isso mesmo serviu perfeitamente para substituir o HD antigo do Intelbras n600w.
Vide figura 5 – SSD em formato de disco rígido ? imediata possibilidade de substituição
Claro que você que está lendo já deduziu que eu substituí o antigo disco de 120 GB danificado pelo SSD Kingston V300 de 60 GB e o submeti a uma boa bateria de testes. Instalei o Windows 7 Professional de 64 bits e todo o conjunto de programas que eu usava antes que incluía : Microsoft Office 2010 (Word, Excel, PowerPoint, Outlook), Paint.NET (edição de imagens), Google Chrome, Firefox, Google Earth, Acrobat Reader, Skype, Antivírus, etc. Carreguei meu histórico de e-mails no Outllook (cerca de 15 GB ? e-mails de vários anos) e meus documentos e arquivos principais (outros 15 GB). Dessa forma este notebook tinha o meu conjunto básico de programas e arquivos que me permitiria usar novamente o Intelbras n600w como um dispositivo ?móvel? (um notebook leve e pequeno). Será o Kingston V300 fez a diferença??
Sem exageros, o pequeno notebook parecia ter sido bastante ?turbinado?. Parecia que eu estava usando outro computador muito, mas muito mais potente!!! Esta percepção se deve ao fato de que nem todos atentam para o fato de que a velocidade de processamento é importante em qualquer CPU de notebook ou desktop. Porém o processador fica a imensa maioria do tempo ocioso aguardando o disco rígido ler ou gravar e o simples fato de acelerar leitura e gravação permite que o processador faça muito melhor o seu trabalho!!
Quem usa notebook transportando-o para lá e para cá sabe que colocar o equipamento em ?stand-by? (modo ?em espera?) é rápido, mas bateria é consumida. Usar o recurso de hibernação é a solução, mas isso toma tempo. Tive um notebook que demorava 2 minutos para sair do estado de hibernação, extremamente irritante. O modesto Intelbras com o SSD SV300 da Kingston era capaz de entrar e sair do estado de hibernação em meros 10 segundos!! Se o notebook estivesse desligado em 16 segundos ele é capaz de apresentar a tela exigindo senha, a qual denota que o processo de ?boot? foi concluído!! Sensacional.
Um teste bastante simplório, mas muito útil é realizar a operação de cópia de arquivos. No caso fiz a cópia do SSD Kinston para um SSD Intel mais sofisticado (e mais caro) que tenho em meu escritório. Este teste é mais ?real? do que o teste apresentado nos gráficos acima, uma vez que copiar a arquivo é operação mais rotineira, quase prosaica. E neste simples, mas importante teste o SV300 me permitiu cópias de arquivo a quase 300 MB/s!! Copiar um arquivo de 6.3 GB em 21 segundos é algo notável!!! Veja a figura 6.
Vide figura 6 ? cópia de arquivo a partir do SV300 ? 295 MB/s
Enquanto o SV300 estava instalado no pequeno Intelbras eu o usei com frequência exatamente pela agilidade. Se o objetivo a atingir era transformar um notebook antigo em um dispositivo muito mais agradável de ser usado, seja em um computador pessoal ou empresarial, a missão foi cumprida com louvor!!!
Restava um ?preciosismo?, algo a conferir. Na embalagem do Kingston SV300 é divulgado que ele é capaz de transferir dados em uma taxa de até 450 MB/s. Eu obtivera 295 MB/s que já é algo fabuloso!! Imediatamente pensei ter descoberto a razão. O velho Intelbras tem interface SATA e não SATA II. A saber a interface SATA limita a taxa de transferência a 300 MB/s, algo bem próximo do que obtive nos testes de cópia de arquivos e um pouco menos (visto pelo gráfico do SisSandra Benchamark de HD).
Possivelmente se montado em um computador com suporte a SATA II a taxa de transferência poderia ser maior uma vez que SATA II permite desempenho de até 600 MB/s. E isso foi feito. Montei o drive em PC desktop que dispunha de SATA II e casualmente outro SSD. Testei novamente ambos e obtive o gráfico que está mostrado na figura 7.
Vide figura 7 ? SSDs SV300 e INTEL testados em PC com interface SATA II
O gráfico da Figura 7 mostra que o SV300 permaneceu próximo de 300 MB/s enquanto o SSD INTEL (modelo mais caro) curiosamente oscilou entre 390 e 435 MB/s. Isso evidencia que SATA II estava em uso, pois um dos HDs excedeu os 300 MB/s. O Kingston SV300 não entregou os 450 MB/s da especificação original, mas isso não me preocupou nem um pouco. Por vezes a taxa divulgada não é ?líquida? e pode trazer variações (um exemplo extremo disso é roteador WiFi cujas velocidades costumam nunca chegar nem perto dos valores especificados).
O fato concreto é que o SSD Kingston SV300 de 60 GB foi capaz de promover uma transformação muito forte em um notebook que eu nem usava mais por o considerar lento. Pensem quantos notebooks existem nas empresas ou nas residências que foram aposentados, não porque seu motor seja fraco e sim porque seus ?pneus estão murchos? (muito mais atrito e muito mais lento). Essa analogia é capaz de transmitir o que eu senti. O preço sugerido para o mercado brasileiro é de R$ 355,00, mas em uma pesquisa rápida pela Internet vi várias lojas vendendo este modelo por preços perto de R$ 260,00, valor bem acessível. Pode haver a crítica quanto a sua capacidade. Eu lembro que um SSD de 60 GB serve essencialmente para criar um mecanismo ágil para a carga do sistema operacional, carga dos programas e entrar e sair de hibernação muito rapidamente. Quem sabe um dia teremos SSDs muito maiores por preços muito menores, ou mesmo novos modelos de HDs híbridos nos quais metade seja Flash (para desempenho) e metade disco magnético para armazenamento de massa… Estimulante este mercado que não para de crescer e evoluir. Finalizando, a série SV300 também dispõe de modelos com outras capacidades (120 GB).
PS: este texto foi originalmente publicado como ?Transformando um notebook com o SSD Kingston V300? em meu blog pessoal FXREVIEW
COMPLEMENTO : tive a satisfação de interagir com a Kingston do Brasil sobre este texto e eles me chamaram a atenção para um detalhe muito importante. A velocidade nominal deste SSD é de 450 MB/s para leitura e eu não obtive este valor em meu teste. De acordo com o suporte da empresa, a velocidade de 450 MB/s na leitura sequencial só poderá ser obtida quando utilizada uma porta SATA 3.0. Veja em http://www.kingston.com/br/ssd/v#sv300s3 . Meu teste pode ter sido penalizado por uma placa mãe cujo suporte a SATA 3 não é perfeito. Assim posso ter sub avaliado o produto. Mas a despeeito disso fiquei realmente surpreso e muito gratificado pela imensa melhora que este SSD trouxe para o notebook mais antigo que usei como plataforma de testes.
