Revisitando Peter Drucker

Muito mais do que cultura X estratégia

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9:00 pm - 07 de outubro de 2022
estratégia digital, xadrez Imagem: Shutterstock

Um belo artigo escrito em junho deste ano por Silvio Meira e André Neves, dois brilhantes professores universitários brasileiros, questiona a célebre frase de Peter Drucker de que “a cultura de uma empresa engole a estratégia no café da manhã”. Alertam os autores sobre o erro cometido por muitos gestores que negligenciam a definição e execução das estratégias por considerá-las pouco eficazes tendo em vista o peso da cultura da empresa. O alerta é absolutamente correto, principalmente quando a frase é analisada fora do contexto da obra completa do mestre Drucker.

Peter Ferdinando Drucker (1909-2005) nasceu em Viena, na Áustria, no dia 19 de novembro de 1909. Ele cursou Direito na Universidade de Hamburgo, na Alemanha, e concluiu o doutorado em Direito Internacional pela Universidade de Frankfurt. Em 1933 mudou-se para a Inglaterra e, em 1937, para os Estados Unidos, lecionando em várias universidades renomadas. Faleceu em 2005 na Califórnia.

Revolucionou o conceito de gestão já na primeira metade do Século XX, ao defini-la como o resultado harmônico da soma de conceitos de várias ciências como Matemática, Economia, História, Psicologia, Filosofia e Ciências Políticas. Foi aclamado pela Business Week como o “homem que inventou a gestão”. Escreveu 39 livros, entendendo como poucos o impacto da tecnologia no sucesso das empresas, muito antes de se falar na transformação digital.

Poucos autores entraram tão fundo no estudo da estratégia para o sucesso, não só de empresas, mas dos gestores, dos funcionários, de organizações não governamentais, de países e de pessoas também. Algumas valiosas contribuições de Peter Drucker para a gestão moderna serão descritas a seguir.

Liderança é uma qualidade que tem sido exaltada e perseguida por todos os gestores. É uma característica valiosa, mas inútil quando não sustentada por sólidos conceitos de gestão. Líderes carismáticos, mas gestores incompetentes, raramente serão bem-sucedidos.

A autogestão dos profissionais do conhecimento sempre foi importante, mas passou a ser fundamental no Século XXI, pois, pela primeira vez na história da humanidade, o tempo útil de um trabalhador qualificado passou a ser maior do que o tempo de vida com sucesso das empresas. Gerir nossa carreira de acordo com nossas fortalezas é a chave para o nosso sucesso e das empresas em que trabalhamos.

Muitas vezes o abandono é a decisão mais acertada. Abandonar uma linha de produto ou serviço que antes foi muito bem-sucedido, mas hoje é deficitário, em favor de investir num novo produto ou numa nova versão do serviço é uma decisão difícil, mas pode salvar a empresa do fracasso.

Tendo visto essa pequena amostra da contribuição de Drucker para a gestão moderna, fica fácil entender que, na verdade, ele sempre pregou que a cultura da empresa deve ser levada em conta para a definição das estratégias, mas não deve restringi-las. A dinâmica do mercado na era digital exige adaptações rápidas e profundas, muitas vezes mexendo com verdades absolutas das empresas. “Nós sempre fizemos assim” não serve mais como desculpa para não mudar.

Em poucas semanas, o mundo dos negócios estará comemorando 117 anos do nascimento de Peter Drucker. Nunca seus ensinamentos foram tão atuais e necessários para a gestão das empresas e de nossas vidas.

Sergio Basilio é Diretor de Soluções e Inovação da TD SYNNEX Brasil

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