Transição de carreira: como deixei a reportagem para me tornar uma profissional de dados

Não foi uma jornada comum, nem fácil. Mas o impacto da transformação digital no mercado de trabalho nos faz repensar nossas carreiras

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5:24 pm - 08 de abril de 2021

Esse é um assunto que tem participado cada vez mais das minhas rodas de conversa, seja em papos com ex-colegas de trabalho ou em interações feitas comigo pelo LinkedIn.

Não é novidade falar sobre o impacto da transformação digital no mercado de trabalho e da volátil demanda que ela provoca por novas estruturas e habilidades — técnicas, comportamentais e organizacionais — que culminam numa procura crescente (ainda modesta, segundo dados de buscas) por mudança de carreira no Brasil.

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E esse assunto tem sido recorrente no meu repertório porque eu fiz a minha própria transição de carreira nos últimos quatro anos, ainda que eu tenha passado dois anos me preparando para ela. E o que move uma mudança profissional, seja ela brusca ou não? Bem, no meu caso, alguns fatores contribuíram para esta decisão. Eu era jornalista de formação, exercia a profissão que escolhi e trabalhava em um veículo de comunicação dinâmico e respeitado no país. O primeiro motivo que me fez pensar em mudar foi a curiosidade por assuntos novos; comportamento sempre foi o tipo de pauta que mais me interessou nos tempos de reportagem. E quando me deparei com análises comportamentais de audiência, ou seja, entender o leitor com um pouco mais de profundidade, percebi que aquele tipo de trabalho também me empolgava e me estimulava.

Essa foi a primeira alavanca para que eu decidisse estudar análise de dados. A rotina acelerada de redação também foi fundamental para esta minha decisão, assim como a observação de um progressivo encolhimento da estrutura para a produção de reportagens, gerando acúmulo de funções para jornalistas. Eu pesei tudo isso, considerei que essa estrutura cada vez mais enxuta num futuro breve seria prejudicial para a construção de reportagens de fôlego, por exemplo.

Em 2015, após assistir algumas palestras e ler um pouco sobre o assunto, decidi fazer uma pós-graduação em Business Intelligence com Big Data, mesmo entendendo muito pouco sobre o que significava cada um dos termos na época. Recém-chegada em São Paulo, pesquisei cursos, entendi o que cabia no meu orçamento vs grade curricular e instituições de ensino e optei pelo curso de pós-graduação da Faculdade Impacta Tecnologia.

Não foi uma jornada comum, nem fácil: em uma turma em que 95% vinham de graduações como Análises de Sistemas, Ciências da Computação, Tecnologia da Informação e áreas correlatas, eu era a única profissional graduada em Ciências Humanas, mais especificamente em Jornalismo. Talvez fosse também a única naquele ambiente que nunca houvesse lidado com uma linguagem de programação ou feito uma consulta em banco de dados relacionais ou não relacionais.

Olhando pelo retrovisor, hoje acredito que se tivesse conversado mais, entendido alguns passos, feito alguns caminhos anteriores, talvez o meu tempo na pós-graduação tivesse sido melhor aproveitado e menos doloroso — do ponto de vista de aprender muitas coisas novas simultaneamente. Tudo bem, foi a jornada possível naquele momento. Mas acho que não precisa ser assim para todo mundo.

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Eu acabei entrando na área de dados dentro do mercado de comunicação, com o qual eu já tinha afinidade e maior probabilidade de me identificar do que partir para uma trajetória de dados em uma área de vendas, ou outro setor mais distante da minha realidade prévia.

Pensando nessa trajetória e no quanto tenho me deparado com profissionais neste momento de transição, cheios de dúvidas sobre especialização, áreas de atuação, quais cursos fazer e em que caminho focar, resolvi trazer um pouco desta experiência nesta coluna. Espero contribuir trazendo possibilidades e novidades no setor de análise de dados.

Hoje contei um pouco da minha jornada. Na próxima coluna, pretendo trazer responsabilidades, semelhanças e diferenças entre os papéis de um Analista de Dados, um Engenheiro de Dados e um Cientista de Dados. Até lá!

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*Isabela Marinho é formada em Jornalismo e pós-graduada em Business Intelligence com Big Data. Trabalhou em redações de veículos como Folha de S. Paulo e G1; passou por agências de relações públicas, propaganda e mídia, como Burson-Marsteller, Ogilvy e DPZ&T. Atualmente é Analytical Lead, no Google. Para o IT Forum, Isabela assina a coluna “Pensando com Dados”

 

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