Soluções antifraude evitam perdas de quase R$ 2 bilhões no primeiro trimestre

Novo Mapa da Fraude da Serasa Experian revela avanço de grupos organizados de golpes e maior uso de IA por criminosos

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Imagem: reprodução

As tentativas de fraude em processos de cadastro e validação de identidade digital cresceram 36,6% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. Os dados fazem parte da primeira edição do Mapa da Fraude, estudo criado pela companhia para monitorar a atuação de criminosos em diferentes etapas da jornada digital, desde a abordagem inicial até a concretização de transações fraudulentas.

De acordo com o levantamento, foram registradas 1.495.696 tentativas de fraude relacionadas à identidade digital nos três primeiros meses do ano. O volume representa aproximadamente uma ocorrência a cada cinco segundos e, caso os golpes não fossem bloqueados, os prejuízos poderiam alcançar R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas.

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A proposta do novo estudo é consolidar informações provenientes de diferentes frentes de atuação da fraude digital, incluindo cibersegurança, processos de cadastro e identidade, além do comércio eletrônico. A análise busca demonstrar como os criminosos transitam por diferentes pontos da jornada digital em busca de ganhos financeiros.

“O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, usar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade, manipular documentos, explorar contas laranja ou partir diretamente para a transação, entre outras frentes. Com o Mapa da Fraude, passamos a organizar essa leitura integrada, mostrando como a tentativa de golpe se movimenta e em que momento busca gerar prejuízo financeiro”, afirma o Vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude, Eric Dhaese.

O setor financeiro continua sendo o principal alvo dos fraudadores. Cerca de seis em cada dez tentativas identificadas ocorreram em bancos, emissores de cartões, empresas de meios de pagamento e organizações ligadas a crédito e serviços financeiros. Entre os segmentos avaliados, “Meios de Pagamento” concentrou o maior número de ocorrências, com 644.586 registros. Na sequência aparecem “Telefonia”, com 313.200 casos, e “Bancos e Cartões”, com 259.160.

A análise regional aponta que o Sudeste respondeu por 38,5% das tentativas de fraude registradas no período. Somente o estado de São Paulo concentrou mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% do total nacional.

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Além das fraudes de identidade, o Mapa da Fraude identificou sinais de fortalecimento da estrutura por trás dos golpes digitais. No primeiro trimestre, a Serasa Experian detectou 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos, um crescimento de 8,3% na comparação anual. Também foram identificadas 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes, média de 152 por minuto.

Outro dado que chamou atenção foi a expansão dos grupos voltados à circulação de conteúdo fraudulento. Foram mapeados quase 2 mil grupos desse tipo, avanço de 139% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas”, explica Dhaese.

No comércio eletrônico, o levantamento registrou mais de 368 mil tentativas de fraude durante o trimestre, o equivalente a uma ocorrência a cada 21 segundos. O volume representa quase uma tentativa fraudulenta a cada 100 transações realizadas e corresponde a R$ 337,9 milhões em valor preservado pelas ferramentas de prevenção.

Segundo o estudo, os criminosos tendem a concentrar esforços em compras de maior valor. O ticket médio das tentativas de fraude foi de R$ 917,52, montante 62% superior ao valor médio dos pedidos legítimos.

“Mesmo quando a taxa parece pequena, o impacto financeiro é relevante pela escala do comércio digital. É na transação que o fraudador tenta transformar a tentativa em dinheiro. Por isso, olhar comportamento de compra, dispositivo, meio de pagamento, histórico e padrão do consumidor é essencial para diferenciar uma compra legítima de uma fraude”, declara o executivo da datatech.

Entre as categorias com maior número de ocorrências, “Beleza” liderou com 33,7 mil tentativas, seguida por “Calçados”, com 29,4 mil, e “Saúde”, com 18,9 mil. Já no ranking de maior risco proporcional, “Celulares” aparece na primeira posição, com índice de 3,11%, seguido por “Acessórios eletrônicos” (2,62%) e “Eletrônicos” (2,11%).

O Mapa da Fraude também destaca tendências que devem ganhar relevância nos próximos meses. Entre elas estão a expansão do modelo Fraud as a Service, no qual ferramentas e serviços voltados à prática criminosa são comercializados, o uso indevido de inteligência artificial generativa para tornar golpes mais sofisticados e a criação de identidades sintéticas capazes de contornar mecanismos de autenticação.

A pesquisa ainda alerta para o avanço de deepfakes e conteúdos produzidos com auxílio de IA que simulam autoridades, representantes governamentais, veículos de imprensa e figuras públicas para aumentar a credibilidade de golpes de engenharia social.

“A inteligência artificial não aparece necessariamente como uma categoria estatística isolada, mas como uma tecnologia que, quando usada de forma indevida, pode ampliar escala, realismo e personalização dos golpes. Ela pode tornar páginas falsas mais críveis, mensagens mais naturais e perfis sintéticos mais difíceis de identificar. Por isso, estar um passo à frente do fraudador exige leitura contínua de dados, tecnologia e inteligência analítica em diferentes pontos da jornada”, avalia Dhaese.

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