Uso de IA nas empresas brasileiras cresce 4% no último ano

Pesquisa do Cetic.br mostra avanço da IA entre empresas de todos os portes, impulsionado por ferramentas de linguagem natural, conectividade e nuvem

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Imagem de uma lâmpada transparente iluminada, com um circuito digital e a sigla "AI" (inteligência artificial) no centro, representando inovação tecnológica. Ao redor da lâmpada, há blocos de madeira com ícones de pessoas em traje social, simbolizando o uso da inteligência artificial em contextos de negócios e gestão de pessoas. O fundo escuro destaca os elementos digitais brilhantes, sugerindo tecnologia e criatividade (médias e grandes empresas, ONGs)
Imagem: Shutterstock

A adoção de inteligência artificial pelas empresas brasileiras ganhou ritmo em 2025 e alcançou o maior patamar desde o início do monitoramento realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). De acordo com a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, a proporção de organizações que utilizam IA passou de 13% em 2024 para 17% em 2025, sinalizando uma ampliação gradual do uso da tecnologia no ambiente corporativo.

O avanço foi registrado em empresas de diferentes portes, mas chamou atenção especialmente entre as pequenas organizações. Nesse grupo, formado por companhias com 10 a 49 funcionários e que representa 87% da população-alvo da pesquisa, a adoção de IA aumentou de 10% para 15% no período. Entre as grandes empresas, com mais de 250 empregados, o crescimento foi ainda mais expressivo, passando de 38% para 50%.

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“Os novos resultados da pesquisa TIC Empresas evidenciam maior escala de soluções de IA no mercado, impulsionadas principalmente pelo aumento de seu uso entre as pequenas empresas, embora ainda haja muito espaço para crescimento”, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br.

O estudo indica que as ferramentas relacionadas à linguagem natural lideram essa expansão. Entre as empresas que já utilizam inteligência artificial, os recursos de mineração de texto e análise da linguagem escrita passaram de 33% para 38% entre 2024 e 2025. Já as soluções de geração de linguagem natural (GLN), utilizadas para produzir textos, respostas automatizadas e comunicações, registraram o maior avanço, saltando de 20% para 30%.

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Alguns segmentos apresentaram crescimento particularmente acelerado na utilização dessas tecnologias. Nos setores de alojamento e alimentação, o uso de ferramentas de mineração de texto passou de 13% para 51% no período. Já nas atividades relacionadas a artes, cultura, esporte e recreação, a adoção avançou de 14% para 40%.

Para Leonardo Melo Lins, coordenador da pesquisa, o movimento observado reflete uma incorporação gradual da inteligência artificial aos processos já existentes nas organizações.

“Atualmente, as tradicionais soluções digitais usadas pelas empresas podem incluir alguma aplicação de IA, por exemplo IAs generativas, sobretudo na simplificação de processos administrativos e outras atividades internas. Nesse cenário, o aumento observado no uso dessa tecnologia pode ser entendido mais como uma adaptação dos processos das empresas, do que como uma mudança estrutural na forma como operam”, avalia.

A pesquisa também analisou como as empresas estão implementando a tecnologia. Entre aquelas que utilizam IA, 80% optaram pela aquisição de softwares ou sistemas prontos, enquanto 60% recorreram a fornecedores externos para desenvolver ou adaptar soluções. Nas grandes empresas, o desenvolvimento interno de aplicações de IA cresceu de 24% para 37%, indicando maior fortalecimento das capacidades tecnológicas próprias.

Conectividade e nuvem sustentam expansão tecnológica

O levantamento mostra que o avanço da inteligência artificial ocorre paralelamente à evolução da infraestrutura digital das empresas brasileiras. Em 2025, 35% das organizações contrataram conexões superiores a 500 Mbps, contra 28% em 2024.

A conectividade por fibra óptica também continuou avançando. Atualmente, 93% das empresas utilizam esse tipo de conexão, índice superior aos 87% registrados em 2021. O crescimento foi particularmente relevante em setores historicamente menos conectados, como a construção civil, onde a adoção de fibra óptica passou de 51% para 61% entre 2024 e 2025.

“Essa infraestrutura viabiliza avanços na adoção de novas tecnologias. Sem fibra óptica de alta velocidade, não há como sustentar o “processamento em nuvem” em escala, utilizar dispositivos IoT (Internet das Coisas) com coleta de dados em tempo real ou rodar aplicações de IA com desempenho adequado. A expansão da conectividade é, portanto, indispensável para a transformação digital nas organizações”, afirma Alexandre Barbosa.

O uso de serviços em nuvem também permaneceu em trajetória de crescimento. Em 2025, 36% das empresas contrataram capacidade de processamento em nuvem, frente a 33% no ano anterior. Já os dispositivos inteligentes e soluções de Internet das Coisas (IoT) estão presentes em 14% das organizações brasileiras, percentual que chega a 40% entre as grandes empresas.

WhatsApp e CRM ampliam presença digital

Além da infraestrutura tecnológica, a pesquisa aponta o fortalecimento da presença digital das empresas nos canais de comunicação utilizados pelos consumidores.

O WhatsApp e o Telegram foram adotados por 79% das empresas brasileiras em 2025, ante 74% em 2024. Diferentemente de outras tecnologias analisadas pelo estudo, as pequenas empresas lideram proporcionalmente esse movimento: 79% utilizam esses aplicativos, contra 75% das médias e 74% das grandes empresas.

O uso de sistemas de gestão de relacionamento com clientes (CRM) também avançou, passando de 25% para 31% no período. O crescimento foi mais acentuado entre as pequenas empresas, onde a adoção passou de 23% para 29%, e na região Sudeste, que avançou de 24% para 32%.

“O conjunto dos dados aponta uma transformação digital pontual das empresas brasileiras, que começa pela combinação entre conectividade de qualidade, ferramentas acessíveis e tecnologias que auxiliam processos auxiliares à atividade principal”, conclui Alexandre.

A edição de 2025 da TIC Empresas entrevistou 4.174 organizações com mais de dez funcionários entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, analisando temas como inteligência artificial, computação em nuvem, Internet das Coisas, comércio eletrônico, segurança digital e presença online.

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A redação contempla textos de caráter informativo produzidos pela equipe de jornalistas do IT Forum.

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