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CDO: um cargo transitório?

Diante das transformações digitais que assolam a sociedade, viu-se emergir no ambiente corporativo, muito pautado por diversas consultorias, a figura do Chief Digital Officer ou mesmo Chief Data Officer, ambos os casos utilizando a sigla CDO. Dada a importância que digitalização ganhou, sobretudo em verticais como mídia, publicidade, varejo e finanças, essa figura conquistou espaço e se tornou supervalorizada no mercado, tirado um pouco de espaço dos CIOs, tidos como conservadores e até incapazes de conduzir a transformação digital, e em alguns casos dos CMOs, que tinham a visão da mudança, mas não conseguiam conduzir a parte tecnológica. Agora, contudo, já começa-se a avaliar o quão duradouro será o cargo de CDO na cena corporativa.

É óbvio que não existe uma questão alarmista nisso. O CDO, sobretudo aquele que cuida da transformação digital, ainda tem papel importante. O CDO Club, uma das maiores organizações profissionais e que promove eventos e estudos em torno desse profissional, que é um híbrido de marketing e TI, reporta que tem havido um crescimento nas contratações. Eles ainda não fizeram o fechamento de 2014, mas estimam que o ano tenha fechado com 1,4 mil CDOs ao redor do mundo, com predominância nos Estados Unidos e Europa, embora países como Brasil e China já comecem a figurar nas estatísticas do clube.
A rede norte-americana CNBC conversou com alguns CDOs e a maioria deles relatou uma percepção de que o cargo seria algo passageiro ou transitório. Meio que uma função para ajudar nessa transformação digital totalmente necessária e benéfica ao negócio mas que, concluídos os trabalhos, não haveria tanto sentido em manter essa figura, que migraria para TI ou marketing.
Até em virtude desse cenário, alguns analistas têm defendido a preparação de lideranças da TI ou do marketing para conduzir essa estratégia digital em vez de criar a figura do Chief Digital Officer. O Gartner, por exemplo, diz que em cinco anos esse profissional desaparecerá e a função digital ficará com CIOs. A do Data Officer nem é tão colocada em questão porque mais que interagir com o cenário digital, ela cuida mesmo da estratégia de informação, extremamente importante para empresas como Boa Vista Serviços e Serasa Experian, cujos negócios dependem 100% de informação.
Em um post em seu blog, o vice-presidente e analista da Forrester, Nigel Fenwick, relatou que ao longo de 2014 muito se falou sobre o fortalecimento da figura do Chief Digital Officer, mas ele faz um contraponto com um estudo que a própria consultoria realizou em 2013 sobre o que seria o papel do CDO e, na ocasião, identificou-se que muitas empresas poderiam realmente se beneficiar dessa figura se houvesse um trabalho em conjunto com CIO e CMO.
Fenwick adicionou, contudo, uma avaliação pessoal do que tem observado no mercado, e diz que haveria mais ganhos ao negócio se os próprios CIOs, seguindo os passos do ex-líder de TI da Starbucks Stephen Gillets, assumissem a liderança da estratégia digital e de suas iniciativas. Resultados positivos são mais que possíveis para aqueles executivos de TI que já experimentam alguma experiência com marketing ou outras unidades de negócio. Mas como a maioria dos CIOs não tem esse tipo de experiência, a presença de CDO vai ser necessária por alguns anos.
Aos interessados em assumir ou acumular esse posto, o analista diz que é preciso ter um profundo entendimento das necessidades dos clientes e ter clareza de como a tecnologia digital vai propiciar novas fontes de valor para os consumidores. E enquanto ele existir, é preciso aproveitar, pois os salários, pelo menos em âmbito global, são bastante atrativos. De acordo com a CDO Club, os ganhos podem variar entre US$ 250 mil e US$ 750 mil no ano!
E você, como vê a presença do Chief Digital Officer no mercado?

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