BlackBerry Mobile Fusion chega ao Brasil e RIM aposta alto em BYOD

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9:00 am - 18 de março de 2014

A RIM oficializou a chegada do BlackBerry Mobile Fusion, plataforma de gestão de smartphones e tablets em ambiente corporativo, que pode gerir devices com sistemas operacionais BlackBerry, iOS e Android, ao mercado brasileiro.

O que tudo indica é que a RIM já tem uma resposta na ponta da língua quanto ao futuro de seus negócios corporativos: ofertas de serviços. A aposta em hardware ainda é importante para a companhia, que vê futuro promissor na adoção do PlayBook por ser, como de fato é, um device mais seguro para trabalhar em ambientes empresariais. Porém, o direcionador de dinheiro está apontando para o BlackBerry Mobile Fusion e outras soluções, como o BlackBerry Balance e BlackBerry Business Cloud Service.

?Estamos focados e dedicados em expandir a liderança no mercado corporativo?, afirmou Peter Gould, gerente-geral da RIM Brasil. ?Mas ressalto que isto não significa que deixamos o consumidor final de fora da estratégia.?

A liderança citada pelo executivo está baseada numa pesquisa do IDC que aponta dominância de 47% de dispositivos BlackBerry dentro das corporações brasileiras.

Gould explica que a RIM quer aproveitar o gancho da consumerização e espalhar a oferta do BlackBerry Mobile Fusion para gerenciar todos os devices dentro das companhias. ?Vamos cuidar do Bring Your On Disaster?, brinca o executivo, em analogia a uma conversa que teve com um dos clientes da fabricante.

Este grande esforço em dar foco na gestão de gadgets, negócio focado em serviços, mostra bastante para onde a companhia está caminhando.

O atraso na entrega do novo sistema operacional da companhia, inicialmente proposto para setembro deste ano, mas que agora só deve chegar no primeiro trimestre de 2013, criou um enorme eco no mercado da tecnologia, e deixou aberto a comporta das dúvidas quanto ao futuros dos smartphones e tablets da fabricante canadense. Alguns canais acreditam que este delay seja ?letal? para a companhia.

Porém, Gould não demonstrou preocupação em torno deste atraso, e afirmou que o BlackBerry 10 é um novo ecossistema, ?onde o usuário poderá fazer coisas das quais jamais faria com as outras plataformas.? ?As companhias estão enfrentando uma adoção global da comunicação móvel e vamos entrar nesta onda, seja com o BB 10 ou com o BlackBerry Mobile Fusion?, avaliou o executivo.

Renato Gil Mohallem Martins, gerente de contas nomeadas da RIM, afirma que está no planejamento da fabricante integrar dispositivos com o sistema operacional da Microsoft no BlackBerry Mobile Fusion, mas que esta medida só terá sentido quando houver ?demanda suficiente?. ?Certamente vamos fazer a gestão dos sistemas móveis do Windows, mas ainda não é o momento. Temos que esperar a reação do mercado e a adoção em massa do sistema para que seja justificada a integração?, explicou.

Por quê esta aposta no BlackBerry Mobile Fusion?

O BlackBerry Mobile Fusion é uma plataforma que integra três verticais tecnológicas: o BlackBerry Enterprise Server (BES), o BlackBerry Device Server ? que gerencia PlayBooks e os equipamentos que chegarão com o BB 10 ?, e o Universal Device Service (UDS) ? que é a ferramenta que possibilita a gestão de aparelhos iOS e Android.

Estas capacidades mudam a forma como a RIM se posiciona no mercado corporativo, saindo do device e indo para o gerenciamento, que existe desde 99, mas agora está aberto a outros sistemas operacionais.

Desta forma, enquanto o BlackBerry 10 não chega, a fabricante vai dando giro em seu fluxo de caixa, e a expectativa é que esta diferenciação do negócios mantenha a companhia firme para os próximos e desafiadores meses, até a chegada do novo sistema operacional.

Quando o BB 10 pousar, junto aos novos smartphones, a onda é reofertar devices BlackBerry para o mercado corporativo, já com o mote de contar com uma reformulação completa de como a RIM interage com a experiência do usuário na ponta, e dá suporte aos dados corporativos.

Modelo comercial

Bruno Bakaukas, gerente de contas e responsável pela área de VARs da RIM Brasil, afirma que o BlackBerry Mobile Fusion traz ao canal um dos principais meios de capitalizar ofertas: suporte técnico e serviços.

?Nosso parceiro tem a possibilidade de trabalhar com instalação, upgrades e acompanhamento de trials, venda de licenças de software, venda do serviço de suporte técnico RIM e, obviamente, ofertar smartphones e tablets?, explica o executivo. ?E essa experiência pode ser 100% RIM, pois damos suporte de ponta a ponta.?

Seguindo a abordagem já apresentada anteriormente, Bakaukas afirma que a consumerização é o grande gap para os negócios de hoje, e o Mobile Fusion pode equilibrar este meio campo, dando controle à corporação quanto aos devices que acessam dados empresariais. ?Existe uma demanda muito grande neste sentido, e isso é um gancho forte para preparar o caminho para o BB 10?, acrescentou.

A venda do BlackBerry Mobile Fusion está atrelada à comercialização de licenças, onde a quantidade de ativação diminui o valor das permissões. ?Na medida em que o volume aumenta, o preço cai, dando a possibilidade de integrar uma série de outras tecnologias no meio, como o próprio device?, explica.

A licença é perpétua e atrelada ao usuário e não ao dispositivo que ele usa. ?Se ele optar em trocar de device, continuará com os serviços, sem ter que pagar por uma nova licença?, comenta.

A mensagem que Bakaukas deixa para os parceiros é que a RIM está caminhando para um mercado de ?mais valor?, apontando para a área de serviços, integração e implementação de tecnologias de ponta a ponta. ?É um período de transição, mas principalmente de complementação de ofertas.?

A Brighstar é a distribuidora da RIM no Brasil, e Bakaukas afirma que, mesmo sendo bem atendido e contando com boa capilaridade a partir desta parceria, está estudando a abertura de novos distribuidores, pois a fabricante acredita ?no aumento de demanda em relação a soluções de gestão.?

A versão de teste do BlackBerry Mobile Fusion, em inglês, está disponível e é válida por 60 dias. Nesta versão Trial, a RIM disponibiliza a interface BlackBerry Mobile Fusion Studio, 20 licenças de tablets BlackBerry Playbook e 20 usuários de aparelhos iOS ou Android.

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