Aleti quer criar bloco comercial livre para TIC entre países ibero-americanos

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9:00 am - 18 de março de 2014

O vice-presidente da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Assespro-SP),  Roberto Carlos Mayer, assumiu no início deste ano a presidência da Federação Ibero-Americana de Entidades de Tecnologia da Informação (Aleti), com um objetivo claro: tornar a entidade mais representativa e com voz entre os países da região. A ideia, explicou o executivo em entrevista ao IT Web, é criar uma política de livre comércio de TIC entre os países, criando uma integração mais efetiva, o que, nos sistemas tributários e políticos atuais, é quase impossível.

?Fizemos vários pequenos passos a partir da eleição. Conseguimos conquistar no México o direito de o Brasil sediar a cúpula mundial de políticas públicas em TI em 2013?, explicou o executivo, adicionando que, ainda em novembro, ele participou de uma audiência em Bruxelas, no Parlamento Europeu, representando a indústria ibero-americana num plano de cooperação.

Vale lembrar que a região ibero-americana engloba, além dos países da América Latina, Portugal e Espanha ? que fazem parte da União Europeia, o que traz uma série de dificuldades no momento de alinhavar uma parceria:  para os países lá fazerem acordos comerciais com os de cá, é necessário que toda a união europeia compre a ideia.

IT Web – O senhor esteve recentemente em Bruxelas para comentar sobre iniciativas conjuntas entre Europa e América Latina. Qual foi o resultado?

Mayer: Tudo tem o seu tempo de balanço. Sabemos das dificuldades em relação à concessão de verbas (para esse tipo de projeto). Mas, o que ficou claro é que nos projetos anteriores a participação da indústria foi limitada. Os projetos de cooperação que eles financiavam, ou eram ligados ao governo ou a universidades ? e a indústria sempre ficava de fora. Mas as dificuldades que existem, do ponto de vista de criar projetos concretos de cooperação entre países da Europa, é parecido com o que vemos aqui. Quando você pensa nos 27 países da União Europeia, a diversidade cultural é até maior do que a da América Latina. Existe sim uma grande dificuldade de conseguir encontrar o parceiro certo que quer desenvolver, através das relações institucionais e associações.

IT Web –  E como facilitar o processo?

Mayer: Uma das coisas é a criação de uma base de dados da indústria em todos os países. Tanto do ponto de vista dos governos presentes, quanto dos delegados da comissão europeia, todo mundo achou a ideia muito boa. Mas isso não quer dizer que vai haver verba para isso. Mas marcamos posição e criamos uma imagem de responsabilidade.

IT Web ? Quais os projetos para fortalecer a parceria comercial nos países que a Aleti representa?

Mayer: Um dos entraves é tributário. Por exemplo: uma empresa do Brasil vendeu projeto na Alemanha e subcontratou uma empresa na Colômbia para parte do projeto. Você vai ter pagamento vindo da Alemanha para o Brasil e, depois, ter a transferência de parte do dinheiro do Brasil para a Colômbia. Neste fluxo entre fronteiras, tem ainda a mesma regra de cobrança criada antes da segunda guerra mundial, que visava a tributar as multinacionais ? as únicas a agir dessa forma naquela época.

Funciona assim: quando o dinheiro vem da Europa para o Brasil, fica retido 25% do valor do Imposto de Renda (IR) na fonte ?  este valor o empresário nem chega a ver, não dá para compensar com outros impostos, por exemplo. Quando a gente manda o restante para a Colômbia, são mais 25% de saída. E quando o dinheiro chega na Colômbia, são outros 25%. Quando embute todo o valor no preço proposto, você fica com o preço de venda superior ao praticado no mercado europeu e não é possível competir com os valores empregados por concorrente de Índia, China e Rússia.

IT Web ?  Nós já temos a experiência de um bloco econômico que não deu muito certo: o Mercosul. Como ficam as dificuldades quando o assunto é a unificação da visão estratégia entre 19 países?

Mayer: O processo é lento, mas o primeiro passo é convencer os atores políticos que ?é benefício para todo mundo? e que ninguém vai perder ? este é o primeiro tema com o qual estamos trabalhando. A Aleti também engloba Espanha e Portugal, e pelas regras da União Europeia eles não podem fazer nada sozinhos. Isso seria um lado complicador, mas, por outro lado, o resultado pode ser maior do que o tiro que demos.

IT Web ?  Esse tipo de acordo internacional não pode prejudicar o Brasil em termos de concorrência?

Mayer: No mercado de TI a falta de mão de obra é um fenômeno que afeta a todos os países. O que é importante hoje não é onde se executa ? tem empresa no Brasil que subcontrata na Índia. Se houvesse uma orquestra regional, talvez eles poderiam ir para Argentina ou Colômbia.

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