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Além do estudo: pessoas devem aprender no trabalho, diz Nobel de Economia

O Brasil tem hoje 12,8 milhões de brasileiros desempregados e 4,9 milhões de desalentados, segundo dados de junho de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o avanço da tecnologia, uma parte do mercado acredita que esse cenário pode piorar. Paul Romer, ex-economista chefe do Banco Mundial e professor da Universidade de Nova York, o Prêmio Nobel de Economia em 2018, no entanto, tem uma visão diferente para o tema.

Para ele, é preciso primeiro resolver os problemas hoje e esquecer as fantasias da ficção científica. “Eu pensava que educação ia resolver todos os problemas, mas ela não vai sozinha. É preciso encorajar trabalhos nos quais as pessoas aprendam neles”, revelou. Romer falou na abertura do Forum Brasil Digital, promovido hoje (21/11) pelo Movimento Brasil Digital, mantido pela IT Mídia e outras 32 empresas engajadas com o propósito de transformar o País em digital e inclusivo.

Segundo o especialista, o tema vai ao encontro de fomentar o aprendizado de soft skills, as competências comportamentais, que geralmente não são ensinadas nas escolas. “Todas as atividades hoje demandam habilidades sociais, como trabalho em time e comunicação”, completou.

Teoria do crescimento endógeno

Adepto da teoria do crescimento endógeno, Romer defende que o avanço da tecnologia está no cerne de qualquer crescimento econômico e que uma economia com grande capital humano, e bem capacitado, experimenta um salto mais acelerado. Nesse cenário, o governo é chave.

“Quanto mais trazemos a face do governo para as pessoas, elas conseguem interagir com o governo e isso é benéfico para a sociedade. Quanto mais decentralizada, melhor a experiência do governo.” Na sua visão, cidades devem ter em sua estratégia temas-chave de inclusão e o Brasil é grande o suficiente para colocar essa ideia em prática.

Para aprofundar seu ponto de vista sobre o papel do governo, Romer usou o exemplo de um navio. Nos Estados Unidos, quando oficiais são enviados para a Marinha, eles aprendem que a prioridade é defender o navio, depois os colegas e, por fim, a si. “As pessoas pensando em si não geram benefícios para o mercado. Isso reflete nossa política. A direita valoriza o individualismo, a esquerda os companheiros do navio. Algumas vozes apenas pensam em proteger o navio. O navio é a nação e ela precisa ser protegida.”

Quando as pessoas perguntam à Paul que tipo de economista ele é, ele revela que é interessado na verdade. “Nós economistas temos a responsabilidade de nos comprometermos com o que acreditamos que é verdade e o governo deve suportar ciência, porque a ciência tem compromisso com a verdade”, provocou.

Big techs x taxas

Ao falar sobre a evolução econômica por meio da inovação, Romer defendeu regulação e taxação como aspectos essenciais para o progresso de países, uma forma, segundo ele, de defender a competitividade.

Para ele, “cada país precisa taxar de forma progressiva os lucros que provêm das companhias dominantes no mercado. Organizações que faturam bilhões devem pagar taxas mais altas”, contou. Ele não citou nomes, mas não é difícil pensar em quais empresas fariam parte dessa lista, como as gingantes Google e Amazon. A proposta do Nobel de Economia é que essas empresas, as big techs, sejam também benéficas para a população e não apenas rentáveis.

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