A Série Radeon 6800 II: Tecnologia EyeFinity

A tecnologia EyeFinity
Mas afinal, esse negócio de EyeFinity, de que se trata?
Bem, para começar vejam na Figura 3 como ficou a mesa de trabalho deste vosso amigo que, neste momento, está sentado em frente a ela digitando estas mui mal traçadas linhas.

Presumo que a primeira coisa que irá chamar sua atenção é a presença de três monitores sobre ela. Pois bem: isto não é a EyeFinity, é apenas a possibilidade de conectar três monitores a um único computador e estender a Área de Trabalho para todos eles, coisa velha de alguns anos. Tão velha que as versões mais modernas de Windows, sem qualquer ajuda, quando reconhecem que há três monitores conectados à máquina, se oferecem para estender a Área de Trabalho para todos eles sem qualquer ação adicional do usuário e o ajuste pode ser feito sem dificuldade alguma no aplicativo de configuração de vídeo do próprio sistema.
Mas preste atenção na imagem exibida pelos três monitores (e note que eu não escrevi “nas imagens”, plural, mas “na imagem”, singular). Ela mostra uma cena de um jogo. Repare que a cena se estende pelas três telas sem qualquer interrupção que não a interposta pelas molduras dos monitores.
Acha que isto é natural já que, afinal, quando se dispõe de três monitores e se estende a Área de Trabalho de Windows para todos eles, é simples exibir um programa em uma janela e ajustá-la arrastando suas bordas de modo que ela se estenda por toda a área de trabalho? Bem, você não deixa de ter razão. Mas não é isto que está acontecendo na Figura 3. Ela não mostra um jogo exibido em uma janela que se estende por três monitores. Em vez disso mostra ? e preste bem atenção para perceber a diferença ? um jogo que não pode ser exibido em janelas, apenas em tela cheia. E que, no momento da foto, ocupava os três monitores em tela cheia.
Entendeu agora? Em vez de fazer com que uma janela se estenda por três monitores, a tecnologia EyeFinity funde os três monitores em uma única tela. Tela esta que, no caso da Figura 3, tem uma definição de 5040×1050 pixels.
Evidentemente esta resolução depende dos monitores usados. Ela pode ser ajustada dentro de certos limites, mas a maior resolução possível é aquela que se pode obter com pelo menos um dos monitores ajustado para sua resolução máxima. No caso, os três monitores são de mesma marca e tipo (Samsung), mas um deles, o do centro, suporta uma resolução máxima de 1900x1080px enquanto os dois laterais suportam no máximo 1650x1050px. O máximo possível então é 5040 (o triplo de 1680)x1050.

Vejam, na Figura 4, o aspecto de outra “tela” do mesmo jogo (Medal of Honor) usando os recursos da tecnologia EyeFinity (e recorrendo à ajuda do excelente programa gráfico Fireworks, da Adobe, para retificar as telas que originalmente estavam em ângulo; notar que não se trata de uma captura de tela, mas de uma fotografia dos três monitores). Perceba que a imagem se estende pelos três vídeos em um contínuo apenas interrompido pelas molduras dos monitores. Veja que parte da culatra da arma aparece no monitor da direita enquanto o restante é exibido no do centro. Se eu a movimentasse para a direita, ela se moveria inteira para o outro monitor. E se eu fizesse o personagem do jogo mover-se, a imagem se moveria em consonância com este movimento em todos os monitores. Para quem aprecia um bom jogo, a sensação é estar, literalmente, imerso no ambiente.
Naturalmente não é só para jogos que serve a tecnologia EyeFinity. Vejam, na Figura 5, um ambiente de trabalho no qual, no monitor da esquerda, um texto está sendo editado enquanto no da direita o programa gráfico Fireworks está sendo usado para trabalhar nas ilustrações. Reparem que a figura ocupa quase toda a superfície da janela de trabalho do editor gráfico (que, à exemplo do editor de textos no monitor da outra extremidade, dá a impressão de estar sendo exibido em “tela cheia” quando na verdade cada um ocupa sua janela ? pois com o EyeFinity uma “tela cheia” se estenderia pelos três monitores) enquanto seus painéis e barras de ferramentas estão sendo exibidos no monitor central, juntamente com uma janela do Windows Explorer utilizada para gerenciar arquivos.
Outra possibilidade ? à qual tenho recorrido com frequência ? é usar um monitor para editar textos, outro para exibir um programa navegador onde são executadas consultas e pesquisas na Internet e o terceiro para o programa gráfico ou qualquer outro aplicativo auxiliar. As combinações, evidentemente, são inesgotáveis. Mas, inegavelmente, a possibilidade de ampliar o espaço de trabalho por dois ou mais monitores ? seja recorrendo à EyeFinity, seja simplesmente estendendo a Área de Trabalho a todos eles ? é um recurso inestimável para aumentar a produtividade e reduzir o esforço de quem passa a maior parte do tempo trabalhando em frente a um micro.

As placas Radeon modernas ? inclusive, naturalmente, as da série HD 6800 ? recorrem ao utilitário Catalist Control Center para acionar a tecnologia EyeFinity (além de fazer todos os demais ajustes do vídeo, função principal do utilitário). Basta selecionar “Área de trabalho e vídeos”, clicar com o botão direito sobre o vídeo principal, escolher a opção “Criar Grupo” e seguir obedecendo as instruções do aplicativo.
Trabalhar estendendo a Área de Trabalho de Windows para todos os monitores ou usando EyeFinity para fundi-los em uma única tela é uma questão de gosto. No que me toca, acostumado que estou a usar mais de um monitor há quase dez anos sempre estendendo a Área de Trabalho, acho que continuarei a trabalhar assim, agora, porém, com os três monitores. Mas para quem está começando, sugiro experimentar as duas configurações e usar aquela à que melhor se adaptar.
Agora que conhecemos o “jeitão” de um sistema que utiliza o EyeFinity, vamos ver o que se esconde por detrás da tecnologia utilizada.
