Especial IPv6: restam 64 milhões de endereços na AL

A América Latina e Caribe dispõem ainda de 64 milhões de endereços na versão IPv4 de protocolo de internet. A previsão foi feita por Neil Rickard, analista do Gartner, em entrevista concedida ao IT Web. “Pode parecer muito, mas com as taxas de crescimento que temos na América Latina, não é”, disse Rickard.
O especialista disse que não é possível especificar a proporção deste total que é direcionado ao Brasil, uma vez que o órgão responsável pela liberação dos endereços é a Iana (sigla em inglês para Internet Assigned Numbers Authority).
A web passa por um momento de transição importante. O lote v4 conta, em sua totalidade, com aproximadamente quatro bilhões de domínios, dos quais, a grande maioria já foi adquirida por diversos usuários ao redor do mundo. Desta forma, é necessária a utilização do novo modelo de domínios, o IPV6, que, conforme a Internet Society, promoverá quatro bilhões de vezes mais espaço que a antiga geração.
Porém, há uma mudança estrutural de tecnologia importante a ser feita para que IPv4 e IPv6 convivam em “paz”. À medida que novos usuários utilizarem, por exemplo, smartphones da geração IPv6, é necessário que as linhas de telecomunicação consigam prover sinal para esse tipo de aparelho.
O mesmo acontece com websites: uma companhia que tiver sua página na internet no modelo IPv4 atenderá aos leitores que tenham acesso à rede por esse protocolo. Contudo, aquelas que tiverem entrado no novo modelo não terão. “Uma companhia área, por exemplo, poderá perder vendas se o seu cliente não conseguir comprar passagens pelo site”, exemplificou o especialista do Gartnert.
Passos de formiga
De acordo com Rickard, a adoção mundial do protocolo v6 caminha a passos de formiga. “Provavelmente há mais adoção na área militar dos Estados Unidos do que em todo o resto do mundo junto”, disse, explicando que uma ordem daquele país estabelece que governo e área militar devem acelerar a utilização do novo protocolo.
“Um dos desafios da adoção é que muitas empresas querem que seja um problema do outro”, disse o especialista. Por exemplo: diversas companhias utilizam endereço privado para suas soluções de intranet, lançando mão de sites abertos apenas quando querem “falar com o mundo”. “Elas não precisam de endereços IPv6 para URLs ou para telefones ainda. Elas pensam: se existem pessoas no mundo que precisam utilizar a versão 6, são elas que precisam traduzir, não eu”, continuou.
Desta forma, Facebook, Google e Yahoo se juntaram à rede provedora de conteúdo Akami, à Limelight Networks e à Internet Society para o primeiro grande teste de escala global do novo protocolo de internet. A data escolhida é 8 de junho de 2011, o Dia Mundial IPv6 (World IPv6 Day), que consistirá em 24 horas de degustação da nova tecnologia.
“Isso reduzirá em boa parte a necessidade de tradução do tráfego da internet, por essas entidades representam grande parte da navegação”, finalizou o especialista. O número de usuários de internet no mundo alcançou os 2 bilhões de pessoas, anunciou nesta a União Internacional de Telecomunicações (UIT). O número de assinaturas de telefones celulares também alcançou um número marco de 5 bilhões.
Saiba mais:
Parte 4 – Especial IPv6: sem planejamento, serão gastos bilhões
Parte 3 – Especial IPv6: Gartner indica prazos de adoção
Parte 2 – Especial IPv6: indefinição pode prejudicar smartphones
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