Smartphones desafiam fabricantes de PCs

O mercado de smartphones deve ultrapassar o de laptops em unidades vendidas ainda neste ano e, facilmente, irá superar este mercado em receita até 2012. Pelo menos estas são previsões apresentadas nesta quarta-feira (28/10) pelo Gartner.
Essa alteração no rumo da computação móvel, onde as pessoas passam a optar por dispositivos mais portáteis, irá liderar a entrada de boa parte dos fabricantes de PCs no segmento de smartphones. De acordo com o Gartner, os anúncios podem surgir antes do final deste ano.
Essa empreitada, entretanto, não será algo fácil e pesquisadores acreditam que nenhum desses fornecedores conseguirá market share superior a 2% nos próximos três anos.
As projeções de mercado para os celulares inteligentes são muitos boas para que alguém as ignorem. As vendas de smartphones neste ano devem crescer 29% sobre o ano passado, totalizando 180 milhões de unidades, o suficiente para superar a venda de laptops, revela o Gartner.
E essa tendência deve continuar. A consultoria prevê que a receita deste segmento irá atingir US$ 191 milhões até 2012, quando ultrapassará os valores gastos com PCs móveis, projetados em US$ 152 milhões. Enquanto os smartphones contabilizam 14% das vendas de dispositivos móveis atualmente, até 2012, eles responderão por 37% das vendas globais de handsets.
Com exceção da Apple, a participação de fabricantes de computadores no mercado de smartphones tem sido estatisticamente irrelevante, com menos de 1%, lembra o Gartner. Mas, com as pessoas optando mais por dispositivos computacionais de menor porte, os fabricantes serão forçados a direcionar mais recursos para este que será um difícil setor de atuação.
“Fabricantes de PCs encontrarão dificuldades para usar as cadeias de suprimentos e canais existents para expander presença no segmento de smartphones”, afirma Roberta Cozza, analista do Gartner, em comunicado. “Os mercados de celulares inteligentes e notebook são governados por diferentes regras.”
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Tradicionalmente, fabricantes de PCs introduziram smartphones baseados na plataforma Windows Mobile, que é atrativa para muitos clientes corporativos. Mas, para ter sucesso, essas empresas terão que adotar uma estratégia também voltada para usuários comuns, que será baseada em produtos com ciclo de vida menor, design moderno e em diversidade de hardwares e softwares.
Além disso, vendedores de PCs precisarão aprender como acordo com canal de distribuição largamente controlado pelas operadoras de telefonia móvel, além de competir com rivais que possuem ampla experiência no mercado de handsets.
“Entender o comportamento dos consumidores móveis, competitividade e posicionamento de produto e relacionamento com operadoras são barreiras que dificilmente serão superadas no curto prazo”, afirma Roberta. “Isso limitará a presença dos fabricantes de PCs no mercado de smartphones a uma participação de apenas um dígito por alguns anos.”
No nível corporativo, uma recente pesquisa da InformationWeek EUA mostrou que o mercado de smartphone está apenas em estágios iniciais, mas posicionado para rápido crescimento. Dos 1.139 profissionais de tecnologia pesquisados, 30% informaram usar smartphones para conectividade corporativa, 37% usavam os celulares inteligentes para, ocasionalmente ou frequentemente, deixar os laptops em casa.
