Vamos falar sobre ponderação digital? 

Na era da inteligência artificial, preservar a autonomia e o pensamento crítico tornou-se um desafio essencial

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Imagem: Shutterstock
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Vivemos um momento de grande contraste no qual o mundo digital desfruta da atualização contínua da informação nos diversos lugares virtuais e acelerada pelo uso da inteligência artificial, os seres humanos enfrentam uma ameaça velada.  

Muitas vezes, pensamos que somos condutores daquilo que utilizamos disponíveis no ciberespaço, mas o fato é que somos conduzidos e compelidos por um modelo que busca manter nossa atenção presa de forma incessante em ambientes virtuais. 

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É importante considerarmos a advertência de Marshall McLuhan, reconhecido como o “pai dos estudos de mídia”, destacando que: primeiro moldamos as ferramentas e, depois, elas nos moldam. Nossa crescente dependência de sistemas e dispositivos online está erodindo a capacidade fundamental do indivíduo, que é agir de forma autônoma e independente, tomando iniciativa e fazendo escolhas deliberadas em vez de apenas reagir a estímulos externos.  

Assim, enquanto dispositivos de acesso a acesso a internet ganham funções, as nossas capacidades internas, como a reflexão e a autodireção, parecem definhar por falta de uso. 

É notório que a inteligência artificial demonstra a competência em campos de raciocínio estratégico, vencendo humanos no xadrez, no jogo de Go e até no pôquer. Ela consegue prever ações e lidar com a incerteza de modo muito eficaz.  

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Diante dessa evolução, as escolhas que você tomou hoje foram fruto de sua própria vontade ou foram apenas sugestões aceitas de um sistema que já conhecia o seu próximo passo? 

A provocação nos leva ao que realmente nos distingue como espécie: o julgamento prático, ou phronesis, termo que representa a faculdade de integrar diferentes tipos de conhecimento e valores para navegar em um mundo que não é feito apenas de dados, mas de significados e propósitos.  

A inteligência artificial pode resolver problemas específicos com rapidez, no entanto não possui a capacidade de entender quais questões realmente merecem a nossa atenção. 

O risco que corremos é o de buscarmos a conveniência e a velocidade, deixando de exercitar os processos mentais que nos permitem dirigir a própria vida. Se permanecermos no “modo automático”, ou no modo “IA resolve”, a agência humana será desgastada nos próximos anos.  

Para fortalecer o comando sobre nós mesmos e evitar que a tecnologia se torne uma barreira para a liberdade, fica a ponderação: Não se trata de abandonar as ferramentas tecnológicas, mas de utilizá-las sem que elas dominem nossa natureza e a plenitude de nossa condição humana. Vale a reflexão. Porque é tempo para o entendimento.   

WhatsApp Image 2026 03 27 at 14.52.43Gustavo Lunardelli Trevisan é pesquisador do Think Tank da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Doutor e mestre em Ciência da Informação (UNESP/UEL) e MBA em Digital Business pela USP, professor, pesquisador e divulgador científico, com atuação nas áreas de Ciência da Informação, marketing digital e tecnologias da informação. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação.

Referência:

THIELE, Leslie Paul. Digital Upgrading and Human Downgrading. In: THIELE, Leslie Paul. Human Agency, Artificial Intelligence, and the Attention Economy: The Case for Digital Distancing. Cham, Suíça: Palgrave Macmillan, 2025. p. 1-29. 

 

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Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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