Consultorias de recomendação divergem sobre operação entre Linx e Stone

Principais críticas estão na oferta de preço por ação, considerado baixo, e as multas e condições propostas pela Stone; Totvs não avaliada como opção

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9:00 am - 06 de novembro de 2020

A Institutional Shareholder Services (ISS) e a Glass Lewis, consultorias de recomendação especializadas em indicar a acionistas a validade (ou não) de propostas de compra ou venda de ativos, apresentaram na última quinta-feira (4) seus pareceres iniciais sobre a proposta apresentada pela Stone para a compra da Linx,  firmada inicialmente em 10 de agosto por R$ 6 bilhões. 

O destaque dos relatórios emitidos ficou com o documento publicado pela ISS, aconselhando os acionistas a não aceitar a aquisição. “A oferta não representa um prêmio aos preços anteriores ao Covid-19 e parece estar na faixa que as ações eram negociadas em 2019”. 

Argumentos

Para embasar sua oposição, a consultoria listou três motivos: 

  • Tempo curtíssimo para avaliação da proposta: segundo o ISS, os conselheiros independentes da Linx tiveram apenas três horas para analisar o documento, em uma reunião marcada com um objetivo diferente, e não foram informados sobre a negociação com a Totvs
  • O pagamento de acordo de não competição com os três fundadores da Linx, que receberiam cerca de R$ 325 milhões caso a venda para a Stone seja aprovada; 
  • E o valor da taxa de breakup do negócio (penalidade que seria paga caso a Linx aceitasse outra proposta), considerado acima da média do que é praticado pelo mercado. 

Outro fator de atenção levando pela ISS foram as multas estipuladas pela Stone durante a transação: R$ 605 milhões para desistências (valor depois reduzido para R$ 453 milhões); R$ 112,5 milhões caso a assembleia da Linx rejeite o negócio e R$ 453 milhões caso a Linx decida aceitar alguma proposta feita pela Totvs nos 12 meses seguintes. De acordo com a agência, as penalidades financeiras evitaram o fomento de um ambiente de competição favorável aos acionistas 

Por fim, a ISS também criticou o valor de venda de cada ação da Linx (R$ 35,89), levando em consideração que a empresa, ano passado, precificou seus papeis em R$ 36 em sua última oferta de ações.  

Favorável, mas nem tanto 

Já a Glass Lewis, apesar de identificar pontos que deveriam ser melhor esclarecidos na proposta da Stone, recomenda a aceitação pelos acionistas. “O acordo com a StoneCo oferece os mais certeiros e atrativos termos depois de um processo competitivo e altamente público de venda”, disse a consultoria. 

Sobre a oferta realizada pela Totvs, a consultoria afirmou que o negócio apresenta menos retorno financeiro e maior probabilidade de que o negócio seja reprovado por órgãos reguladores. Porém, avalia que a empresa deveria seguir em conversas com a empresa de ERP, caso a proposta da Stone não seja aprovada. 

Por conta do parecer, a Totvs encerrou o dia com a maior alta de ações entre as três empresas: 6,61%. A Linx registrou uma pequena alta (0,91%), junto com a Stone (3,83%) 

*Com informações do Índice Bovespa 

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