Symantec investe na própria experiência para manter mercado

CRN-EUA – Como avalia a posição da Microsoft com a aquisição de uma empresa de produtos antivírus?
John Thompson – No momento, estão fazendo muito barulho por nada. A GeCAD é uma pequena empresa, em seu estágio inicial, que está focalizada principalmente no marketplace para Linux. A Microsoft adquiriu alguma tecnologia que eles deverão colocar no mercado, como já disseram, como um produto gratuito. Até que eles tenham um produto no mercado, até que saibamos qual é seu objetivo, não vamos nos preocupar.
Creio que o lado pragmático da segurança sugere que apenas um programa antivírus não é suficiente para lidar com todas as atuais ameaças juntas. É preciso um sofisticado conjunto de tecnologias integradas em cada camada da arquitetura do cliente a de rede, a de aplicativos, a de cliente ou desktop para poder fazer um trabalho adequado de proteger todos os ambientes atuais. O fato de a Microsoft ter atualmente uma solução antivírus é interessante, mas até que eles façam algo com esse produto, que permita que ele resolva de modo confiável os atuais problemas relacionados às ameaças, isso não é mais do que uma vaga promessa para o mercado.
CRN – A Computer Associates também está se dedicando a uma grande iniciativa na área de segurança.
Thompson – Eu gostaria de ter o orçamento que eles têm destinado à publicidade. Eles precisam de nossos produtos e nós precisamos do orçamento que eles têm para propaganda. A CA tem uma importante posição no setor de segurança de mainframes, com a solução Top Secret. Não os vemos tão freqüentemente no setor de segurança distribuída com produtos semelhantes aos da IDS, como soluções de firewall e avaliação de vulnerabilidade.
CRN – Quem você considera como seu principal concorrente?
Thompson – Vemos as mesmas companhias em toda a indústria. A Network Associates e a Trend Micro, na área de antivírus; a ISS, no setor de detecção de intrusão; a Cisco e a Check Point, no segmento de firewalls. Entretanto, o que estamos vendo é cada uma dessas empresas — ou pelo menos algumas delas estão começando a aderir à noção de tecnologias integradas, à necessidade de vários tipos de sensores para lidar com o conjunto atual de ameaças. É interessante, considerando que muitas dessas companhias afirmam que a estratégia que adotamos há dois anos e meio era uma imprudência. Agora, de repente, elas estão imitando a nossa iniciativa, para poderem lidar com o atual conjunto de ameaças. Veremos quem tem condições de ser mais rápido.
CRN – Você ainda considera válida a percepção de que a Symantec é uma empresa de produtos para o consumidor?
Thompson – Sim, certamente. Dizemos, como um eufemismo, que deixaríamos de ser uma companhia varejista para sermos uma empresa de aplicativo. Mas vamos ser diretos, não quero ser um provedor efetivo de tecnologias de segurança para consumidores ou empresas. Uma das maravilhosas capacidades de nossa companhia é que temos uma grande variedade de clientes. Será que precisamos fazer mais para aprimorar o marketing em torno de nossos produtos corporativos? Absolutamente, sim. E é por isso que contratamos uma nova diretora de marketing (Janice Chaffin, ex-HP) para nos ajudar a aumentar a percepção e a consciência que o público tem sobre todas as coisas que somos capazes de fazer.
CRN – Com todas essas empresas iniciantes na área de segurança, será que a Symantec encontra alguma em que ela esteja interessada?
Thompson – Todos os dias, recebo um e-mail de alguém que tem algo interessante. Creio que nosso portfólio está ?em muito boa forma, mas não vejo a companhia no mercado por causa da tecnologia. Se houver uma oportunidade de captar clientes no setor e fazê-los migrar para uma plataforma de tecnologia em comum, isso seria interessante para nós. Estamos sempre procurando.
CRN – Você pode fornecer uma atualização sobre seus serviços de segurança gerenciados?
Thompson – Esses serviços tiveram um excelente impulso de crescimento no ano passado, aumentando cerca de 200%. Parte disso se deu por meio da aquisição da Riptech, a outra parte aconteceu de forma orgânica, decorrente de investimentos feitos anteriormente a essa aquisição. Nossa previsão é que esses serviços crescerão não em 200%, mas em cerca de mais de 60%, o que é uma porcentagem bastante saudável.
O nível de interesse, em todo o mundo, é fenomenal, mas as pessoas precisam superar a divergência emocional referente à terceirização da segurança; assim como fizeram há muitos anos com relação à terceirização da operação de TI, ou das mesas de atendimento ou do desenvolvimento de aplicativos. Essa é uma evolução lógica dos clientes que procuram aplicar suas habilidades em áreas que são mais benéficas para suas companhias e que passam a depender de parceiros de confiança para realizar as tarefas que eles mesmos preferem não fazer
