100+: automotivas mostram projetos contrastantes

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7:58 am - 27 de novembro de 2009

Biagio Caetano ingressou no departamento de tecnologia da informação da

Taurus em maio de 2008 com as mangas da camisa arregaçadas. “Quando sentei com

o board da empresa, questionei se queriam fazer os canos ou os viadutos?

Explico: os viadutos aparecem, os canos não. Mas é este segundo ponto que dá

todo o fundamento da estrutura”,  reflete o executivo que assumiu a missão

de transformar de maneira profunda o departamento da indústria que, além de

produzir armas, possui unidades de forjas, máquinas, bens de capital, capacetes

e coletes.

O principal objetivo era tirar a área da inércia “A empresa estava bastante

parada em termos de TI”, avalia o CIO. Nem é preciso dizer que a direção da

empresa privilegiou o argumento do executivo de construir as bases

tecnológicas. A primeira medida de Caetano, então, foi dividir o departamento

em dois: infraestrutura e negócio. A intenção, com isto, era que as pessoas

conhecessem bem seus papéis na corporação. O processo se estendeu por 60 dias

e, concomitantemente, definiam-se quais seriam os parceiros tecnológicos que

ajudariam no processo de pavimentação.

A Taurus deu início, dias após sua chegada, a um projeto de

reconstrução de toda plataforma tecnológica. “Saímos de Linux e fomos para

Windows e VMware nos servidores; implementamos o Exchange unificando toda a

estrutura de correio eletrônico; fizemos storage

com Dell e EMC”, cita. Foram oito meses de trabalho intenso. Como não existiam

padrões de governança, a companhia estabeleceu indicadores, normas e políticas,

e centralizou parte das operações de TI – em especial, dispositivos de

segurança – das unidades de negócio em Porto Alegre (RS). “Fizemos o trabalho básico de

colocar tudo no ar”, comenta o gestor, que ajustou a rede de comunicação com a

Intelig para trafegar informações entre fábricas com estabilidade de 99,95% e

redundância (via rádio e terrestre).

Prontos os alicerces, Caetano começou a vislumbrar a possibilidade de erguer

estruturas não só para suportar, como para impulsionar os negócios. “Vimos que

o ERP [da Senior Sistemas] estava só na parte financeira e contábil, sendo

aproveitado apenas 35% de sua funcionalidade”, diz. Ao perceber isto, deu

início ao trabalho de aprofundar a solução nas estruturas corporativas. Para

não correr riscos desnecessários, o CIO promoveu pilotos em uma das unidades de

negócio e viu que era possível estender a ferramenta de gestão a 80% de sua

capacidade. Obtido sucesso na empreitada, a tecnologia pode ser replicada em

outros departamentos.

“Entrei para evolucionar a TI”, define Caetano, argumentando que pegou as

demandas da área com o objetivo de renová-la focando em estratégias que pudessem

reverter dinheiro para a corporação. Em 2008, a Taurus faturou cerca de R$ 700 milhões

– aplicando cerca de 1,5% deste total em tecnologia. Tanto

esforço se reflete na conquista da segunda posição no setor das indústrias de

mecânica, automotiva e autopeças e da 26ª entre As 100+ Inovadoras em 2009.

No horizonte, o executivo vê a possibilidade de expandir negócios com

projetos de automação de força de vendas e com a tecnologia descendo ao chão de

fábrica. Além disto, o CIO avalia que as plataformas estão adequadas caso a Taurus

venha, no futuro, incorporar outras empresas por meio de crescimento

inorgânico.

 

Estímulo externo

Os números de As 100+  mostram

que, no último ano, 83% dos departamentos de TI das empresas deste setor

tiveram a missão de alcançar objetivos de negócio pelo uso da tecnologia e 67%

focaram na liderança da área para trazer valor à corporação. Quando o

questionamento toca a estrutura financeira da TI, metade dos respondentes a

classificam como centro de custo, 42% como centro de lucro e 8% como local de

investimento. De certa forma, tal equilíbrio demonstra que, em maior ou menor

intensidade, as empresas de mecânica, automotiva e autopeças conseguiram espaço

para inovar.

A filosofia do departamento capitaneado por Edson Badan reside na entrega de

soluções mais aderentes, com menor custo e maior benefício possível.

“Promovemos inovação por inércia”, classifica o diretor de TI da Ford América

do Sul, apontando que as demandas originam-se nas unidades de negócio e a área

posiciona-se como prestadora de serviço.

Os projetos tocados nos últimos 12 meses pelo líder de tecnologia da 35ª

colocada no ranking geral e terceira no setor vincularam-se à modernização de

produção e à troca de tecnologias obsoletas. “Temos, no Brasil, mais de 140 sistemas.

Naturalmente alguns devem ser substituídos no curto prazo”, conta o CIO que,

com a crise global, viu o número anual de requisições vindas das unidades de

negócio caírem de 150 para 90. “Somos um centro de custo”, afirma. Sem revelar

valores, o diretor diz que a redução no budget de TI foi pequena.

“Tivemos de usar mais inteligentemente nossos recursos, cortando desperdício”,

analisa.

No último ano, a Ford investiu em consolidação de data center e esforços

para cumprir com obrigatoriedades como o Sistema Público de Escrituração

Digital (Sped) e Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), encaradas como forma de

otimizar sistemas e processos e atendidas com ferramentas bastante apoiadas em

internet.

Além disso, a companhia começou a usar, recentemente, dashboards para publicação mensal de métricas de

desempenho de TI. O CIO revela, também, uma iniciativa corporativa global

apoiada pela subsidiária nacional da montadora de implantar uma série de

ferramentas de colaboração e produtividade, apelidada de Digital Worker. Para o

chão de fábrica, a intenção é replicar soluções utilizadas em outras plantas

espalhadas pelo mundo. No roadmap, o executivo calcula 80 aplicações

disponíveis, rodando ou planejada. O futuro promete ser agitado na Ford.

Leia também:

Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.

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