Substituir os laptops é uma boa escolha?

Author Photo
10:00 am - 07 de março de 2012

“O iPad é um dispositivo incrivelmente pessoal”, disse Bill Martin, CIO da Royal Caribbean, que está dando um salto, incluindo iPads em todas as cabines do renovado navio de cruzeiros, Splendor of the Seas, para que os hóspedes possam acessar informações sobre o navio ou apenas navegar na internet.

Mas quando se trata de equipar os funcionários da Royal Caribbean, Martin não está pensando em tablets. Ele não acredita que os dispositivos substituam os laptops. E como as pessoas querem muito conteúdo pessoal em seus dispositivos de trabalho – aplicativos, livros, filmes – ele opta pela abordagem BYOD (bring-your-own-device, ou traga seu próprio dispositivo), permitindo que os funcionários tenham acesso a email e calendário corporativos em seus tablets pessoais.

Nick Taylor, VP sênior de tecnologia da Level 3, não acha que os vendedores precisem de laptops, mas ele deixou que eles ficassem com os aparelhos quando a Level 3 distribuiu os tablets no mês passado. Primeiro porque manter os laptops era uma opção segura caso os tablets não dessem certo. Segundo, no espírito de TI direcionada ao usuário, Taylor queria que seus funcionários tivessem as duas opções e escolhessem como usar cada um.

Uma importante exceção são os executivos, já que alguns deles acham que podem viajar apenas levando o tablet e deixando o laptop no escritório. Quando estão na estrada, eles tendem a consumir e monitorar informações e responder rapidamente com emails curtos. “Holly, a dona, tem um iPad e é o dispositivo que ela sonhou a vida toda”, conta Goodrich, se referindo a Holly Hunt, fundadora e CEO da empresa de mesmo nome.

Outro estilo de uso crescente dos tablets é entre membros-diretores das empresas. Antigamente, era enviado via FedEx um livro de 600 páginas para cada um dos diretores, com os dados confidenciais de cada reunião. A BoardVantage foi fundada em 2003 para oferecer uma alternativa via web portal, baseada em PC, mas que não agradou os negócios. Os membros-diretores “não são exatamente geração Y”, disse Joe Ruck, CEO da BoardVantage, e o portal oferecido pela empresa não era tão fácil de ler e fazer anotações como os livros em papel. Após lançar uma versão para iPad, em meados de 2011, a BoardVantage foi adotada por centenas de novas empresas em um semestre, comparada com menos de 20, por semestre, na versão para PC.

A BoardVantage descobriu que os grupos de TI que poderiam ser clientes eram “um pouco lentos” ao impor a abordagem do iPad, de acordo com Ruck. “Foram os diretores que impuseram sua vontade”.

Substitua outros tipos de hardware

Em vez de substituir laptops, pense em tablets como forma de substituir dispositivos específicos da indústria, como terminais de ponto de venda, disse Lars Kamp, líder de estratégia do grupo de mobilidade da Accenture. Uma caixa registradora custa entre US$ 3.000 e US$ 5.000 e precisa de 5 anos de ciclo de vida para justificar a compra. E se, no lugar de tal interface fosse um tablet de US$ 300, que a força de trabalho mais jovem aprende a usar com mais rapidez? “Você pode se desfazer do tablet todo ano e ainda teria a experiência mais moderna”, disse Kamp. E, conforme os CIOs abraçam esse ciclo de produtos para consumidor, eles fogem dos ciclos de inovação de três ou cinco anos para ciclos de um ou dois anos, disse Kamp.

O diretor de TI da Waste Management, Matthew Childress, está pesando a mesma possibilidade, embora ele ainda não tenha certeza sobre o ciclo de vida. A Waste Management está testando tanto um tablet baseado em consumidor, quanto um tablet mais robusto e convencional baseado em Windows para substituir os formulários de papel que os motoristas usam para receber informações de rota.

Para que fique tudo igual, a empresa gostaria de utilizar o mesmo dispositivo em todos os caminhões nos próximos três ou cinco anos, mas a Samsung e outros fornecedores mais comuns de tablets baseados em consumidor não devem produzir um tablet específico por tanto tempo – os ciclos de produtos são de aproximadamente 18 meses. A Motorola Solutions diz que o vindouro ET1, um tablet Android corporativo, terá ciclo de vida de três anos – mas o preço também será mais salgado, na faixa de US$ 1.000.

Childress acredita que o preço do tablet para consumidor pode cair para até US$ 200, o que compensaria o curto ciclo de vida desses dispositivos. O principal atrativo é que os tablets permitiriam que a Waste Management se mantivesse atualizada com as funções, como avançado reconhecimento de voz, que pode eliminar a necessidade de rádios ou monitoramento de veículos baseado em telemática. Os novos modelos, no entanto, deveriam ser iguais aos usados nos caminhões, para ter algum sentido econômico, disse ele.

Para a Royal Caribbean, os tablets estão substituindo as TVs interativas. Nos dois navios mais recentes, lançados em 2010, as TVs interativas, com teclado, oferecem informações aos hóspedes, incluindo promoções personalizadas, baseadas nas compras passadas do hóspede e sincronizadas com dos dados em tempo real disponibilizados por spas e restaurantes do navio. Nas recentes atualizações feitas no navio Splendor of the Seas e nos próximos navios, a Royal Caribben irá oferecer essas informações em iPads, com interface mais intuitiva.

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.