Virtualização com código aberto: não há motivo para comemorar

A Open Virtualization Alliance está comemorando seis meses, com 200 empresas membro, além das 10 que fundaram o grupo, em Maio, a favor da existência de uma opção em código aberto, baseada em Linux, para servidores virtualizados. Mas o que há para comemorar além do número de membros? A virtualização proprietária, de empresas como VMware, Microsoft e Cirtrix Systems, se tornou ainda mais entrincheirada do que nunca nos últimos seis meses.
A proposta da aliança é divulgar a existência de alternativas em código aberto ao código proprietário. A OVA vai documentar o sistema KMV, que é um super eficiente hipervisor de máquina virtual, desenvolvido em kernel do Linux. Planeja, também, agregar e tornar públicas as melhores práticas, oferecer especialistas e realizar implantações bem sucedidas, tudo isso na tentativa de aumentar a popularidade do hipervisor em código aberto – e diminuir a força da VMware.
Hewlett-Packard, IBM, Intel, AMD, Red Hat, SUSE, BMC e CA Technologies são exemplos de nomes que apóiam a aliança. Na verdade, os cinco primeiros foram grandes apostadores no hipervisor em código aberto Xen e do seu projeto de desenvolvimento. Se pensarmos que a Novell foi uma das primeiras a apostar no Xen, e é dona do SUSE, teremos seis dos mesmos suspeitos. O que aconteceu com o suporte ao Xen? Para começo, a empresa por trás do projeto, a XenSource, foi adquirida pela Citrix. Isso afastou o Xen da área do código aberto e o levou para a área da Microsoft, já que a Ctitrix e a Microsoft são parceiras há mais de 20 anos.
O Xen ainda é código aberto, mas aqueles que o apoiavam encontraram motivos (mais rápido do que o tempo que leva para dizer vMotion) para seguir adiante. A Open Virtualization Alliance ainda compartilha uma coisa com o projeto Xen: os dois grupos querem desacelerar o avanço da VMware.
O Xen foi onde a IBM e outros apostaram suas fichas como candidato mais competitivo. Como a cara VMware poderia competir com uma oferta gratuita em código aberto? Mas, para continuar atraindo desenvolvedores, o Xen precisava demonstrar independência. Em vez disso, logo que a XenSource foi adquirida pela Citrix, Citrix e Microsoft anunciaram que ambas suportariam o formato de arquivo de virtualização do Virtual Hard Disk, da Microsoft.
Quando o KVM surgiu, angariando compatibilidade com o kernel do Linux e alto desempenho, fiéis seguidores surgiram.
Desenvolvedores de código aberto querem o produto mais independente e de alta performance disponível. O KVM, como parte do kernel do Linux, estava ganhando nome. A Red Hat adquiriu o KVM e encorajou seu desenvolvimento contínuo. Sabendo da novidade, IBM, HP e os outros migraram na direção do KVM. É melhor trocar de cavalo no meio da corrida do que deixar que a VMware não só vença a corrida como acabe dona do hipódromo.
A IBM foi particularmente clara quanto ao apoio ao KVM, mesmo quando ainda não estava certo se o hipervisor teria futuro. Dois meses antes do anúncio da OVA, Jean Staten Healy, diretor mundial da Linux, comparou o KVM com o Linux, em uma entrevista para o Database Trends & Applications: ?Assim como acontece com Linux, a virtualização com código aberto oferece opção, preços baixos e interoperabilidade. Três elementos essenciais pra negócios de todos os tamanhos e as principais razões pelas quais a virtualização aberta está sendo adotada com tanta rapidez e amplitude. Vocês irão me ouvir repetir isso diversas vezes porque realmente são a chave para compreender a necessidade pelo KVM.?
O KVM não é como o Linux, pelo menos, não ainda. O Linux está crescendo com velocidade, é o único sistema operacional de servidor que mantém taxa de crescimento de 20% ao ano. O uso do KVM está crescendo, mas ainda não diz nada quando relacionado à presença da VMware, Microsoft e Citrix.
Dizer que o KVM é como o Linux, para mim, não tem cabimento. Se o KVM obtiver êxito, não será porque é como o Linux, mas porque é uma parte do Linux bem desenvolvida. É tanto valor adicional e co-dependente do sistema operacional. Só porque é parte do Linux não significa que será usado; se mantiver vantagem em desempenho, por outro lado, e criar um ambiente de gerenciamento, talvez possa ser usado onde o Linux é usado: em bancos de dados corporativos e na nuvem.
Embora seja parte do Linux, o KVM roda em máquinas virtuais usando qualquer sistema operacional x86, incluindo Windows.
A razão para comemorar a Open Virtualization Alliance é porque ela está direcionando os holofotes ao cavalo no final da corrida, mas um cavalo com grande potencial. Para grande aceitação no mundo corporativo, empresas precisam saber do que o KVM é capaz, ter suas funções e características documentadas, com histórias de implantações bem sucedidas, caso existam. KVM ainda precisa da credibilidade popular entre os usuários, que têm se preocupado com a questão VMware X Microsoft.
Se o KVM estiver na corrida de forma legitima, usuários de servidores virtualizados correm menos risco de se prenderem ao ambiente de um único fornecedor. Algumas capacidades de migração já existem entre hipervisores, mas a existência do KVM como código aberto facilita o aumento no número de migrações.
É mais provável que as migrações entre formatos de máquina virtual se tornem rotina, assim como a habilidade de usar múltiplas nuvens públicas em vez se manter restrito a um único tipo.
O KVM ainda não possui um ambiente de gerenciamento completo, mas a crescente aliança diz que parceiros, como a VKernel, estão se organizando para fornecer algumas partes. A VMware tem ameaçado interromper gerenciamento de operações na parte virtualizada do data center; IBM, HP, BMC e CA Technologies, fornecedores de sistemas de gerenciamento tradicionais, fazem parte da aliança OVA e devem estar ansiosos para fornecer capacidades de gerenciamento ao KVM.
A WMware está criando um ambiente gerenciado de máquina virtual de alto padrão. A Microsoft e a Citrix estão correndo para alcançarem esse padrão. Mas ainda há espaço para mais um participante, um que ofereça uma opção distinta e não-proprietária.
A Open Virtualization Alliance precisa aprender com a experiência com o projeto Xen. Precisa de uma comunidade de desenvolvimento mais aberta possível. O Xen sofreu com a impressão de que era um projeto dominado demais pelos interesses de grandes empresas. O mesmo destino poderia abater-se sobre o KVM, e a Red Hat precisa se proteger.
No passado, a VMware demonstrou habilidade na competição com código aberto, lançando versões gratuitas do ESX Server e maneiras baratas de lançar linhas de produtos conforme iniciativas em código aberto surgiam. Mas o ambiente completamente virtualizado está se tornando tão complexo e caro que algumas lacunas estão surgindo entre opções proprietárias e em código aberto.
O KVM, assim como o código GPL, existe como uma alternativa viável com o apoio de desenvolvedores independentes e posicionamento dentro do Linux. Se a Red Hat e terceiros mostrarem que são capazes de fornecer um ambiente gerenciável, o KVM receberá incentivo significativo de empresas como a Intel, BMC, CA Technologies e HP. A HP está contribuindo com códigos para aperfeiçoar as habilidades de monitoramento e gerenciamento das máquinas virtuais do KVM, com seu produto de gerenciamento de sistemas Insight Control. O produto da HP pode enviar informações para o Microsoft Systems Center ou para console de gerenciamento de virtualização da Red Hat ou outro sistema de gerenciamento, permitindo que o KVM se encaixe em uma fatia maior do data center.
Assim, a opção em código aberto permite que a virtualização contribua com as operações mais eficientes no data center. Eficiência de desempenho de máquinas virtuais é um fator mais importante do que costumava ser. O KVM parece brilhar em termos de desempenho e uma opção em código aberto competitiva ajuda a manter um segmento da indústria inovador e próspero em sua melhor forma.
